sábado, 25 de maio de 2024

Preços

 

O suplemento Fugas do jornal Público de hoje traz uma página dedicada a 9 dos vinhos mais caros portugueses, à venda no mercado. Não incluindo porém nem o Barca Velha, nem o Pera Manca. A preços que vão dos 267 aos 3.800 euros, passando, inexplicavelmente, por um Moscatel Roxo 2010, da Casa Ermelinda Freitas, ao comedido preço de 35.
Tenho os meus limites, mas também as minhas linhas vermelhas quanto a estas extravagâncias desabusadas de alguns produtores nacionais que se aproveitam dos novos-ricos portugueses e patos bravos. Entretanto, vou-me consolando com algumas "antiguidades" que vou abatendo à minha adega. Como este Bordéus* (na imagem), com 28 anos, que me ofereceram, há uns tempos (castas Cabernet Sauvignon, Petit Vertot e Cabernet Franc). Nos seus 12,5º amadurecidos, mas muito equilibrados, acompanhou lindamente um rosbife de vitela maronesa.
Ambos estavam óptimos.

* num breve sobrevoo pela net, encontrei este mesmo vinho tinto aos preços diversos de 13, 20 e 59 euros.

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Apontamento 168: uma capital do país a saque !

 Aviso:

Não se apresentam imagens pelo facto de o espectáculo diário, de indigência sem limites por baixo da escultura do poeta Chiado, não permitir fazer mais publicidade a uma degradação sem precedentes.



Finalmente descobriu-se a completa incompetência  - como soe dizer-se agora - do actual responsável pela CML.

A promoção - bacoca - de uma qualquer cantora explica, à exaustão a indigência cultural da edilidade. Ignorando a falta de empenho na promoção de espaços dignos na cidade, permitindo manifestações ruidosas - diárias - num lugar principal da cidade sem nenhuma intervenção.

O que se observa, diariamente, por baixo da escultura do poeta Chiado, é um atentado à civilidade, falta de respeito cívico da cidade pelos residentes e abaixamento rasca perante turistas chungas, analfabetos, para não saber defender uma cultura de uma Capital do País, noção que a presente edilidade ainda não mostrou saber.

Post de HMJ

Desabafo (88)


Perante o título principal do jornal Público, hoje, eu pergunto-me: só 72%? Não será próximo dos 100%?
Porque tirando os corporativos e os afeiçoados do clube...

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Bibliofilia 213



Ciclicamente, a Editora M. Moleiro, de Barcelona, dá-nos notícia das suas últimas criações primorosas com a reprodução de pequenos aspectos e imagens das obras raras de grande beleza de composição que vai editando. Já aqui, no Arpose, eu dera conta desta casa editora a 31 de Janeiro de 2013.



Chegou-me à mão desta vez um belo encarte que publicita 19 obras raras de diversos países, entre elas o Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado, português, de 1571, cujo exemplar único se encontra à guarda da Torre do Tombo. O texto é acompanhado por vários estudos.



Além de reproduções fidedignas de grande qualidade, as edições de todas as obras têm apenas, uma tiragem de 987 exemplares, com certificado notarial comprovativo.



segunda-feira, 20 de maio de 2024

Uma fotografia, de vez em quando... (183)

 

Autodidacta, a fotógrafa chilena Paz Errázuriz (1944) começou tarde a sua profissão e só depois de ter sido impedida de ensinar como professora (tinha-se diplomado em Oxford) pelo regime de ditadura de Pinochet (1973-1990). Fundou, com alguns outros fotógrafos do Chile, a Associación de Fotografos Independente, tendo documentado a desumanidade desse governo autoritário e ilegal.




Dedicou-se também ao fotojornalismo, sendo atraída pelo lado marginal das gentes das cidade. Publicou diversos livros (Dormidos, por exemplo) com a sua obra muito original, que aqui fica brevemente documentada.



domingo, 19 de maio de 2024

Produtos Nacionais 29

 

Sempre gostei de lenços de assoar grandes, de tecido embora suave, que hoje, com a profusão  dos de papel, não são muito fáceis de encontrar à venda. Por outro lado, nunca percebi o minimalismo absurdo dos lenços femininos, até porque, quanto a narizes e fossas nasais, as diferenças não são assim tão grandes no tamanho, normalmente.
Destaco a boa qualidade dos lenços de algodão Poker, portugueses, os meus preferidos.

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Osmose 136

 

Costumo arrumar os livros nas prateleiras da biblioteca por afinidades subjectivas, ou em sequência cronológica. Os do António estão junto aos meus. Torga é vizinho de Régio. Mas vi-me aflito para descobrir o único livro de Casimiro de Brito (1938-2024), Corpo Sitiado (Iniciativas Editorias, 1976), que tinha, para além da plaquete canto adolescente inserta no conjunto poesia 61, que abordei no Arpose, em Bibliofilia 36 (2/9/2010). Casimiro de Brito (recentemente falecido) estava arrumado, mal, junto a Pedro Tamen. Rectifiquei: pu-lo ao lado de Gastão Cruz (1941-2022), outro dos 5 poetas que, com Luiza Neto Jorge (1939-1989), eu privilegio desse grupo geracional.

Georg Friedrich Haendel : Menuet en sol mineur (Anne Queffélec)

quinta-feira, 16 de maio de 2024

A propósito de poesia



O jornal Público tem vindo a publicar, diariamente, um conjunto que será de 50 poemas para celebrar o 25 de Abril de 1974. Os poemas, talvez por serem de encomenda, na minha perspectiva, não prestam, até agora. Se exceptuarmos o que foi publicado a 13/5, e que era de autoria de Mário Cláudio.
Há quem diga, de dentro do métier, que as edições realistas de livros de poesia têm tiragens curtas, porque quase só os poetas lêem e compram os outros poetas. Não sendo uma ciência oculta, a leitura de poesia obriga a um certo traquejo de experiência e sentido crítico, para uma correcta avaliação de qualidade das obras em presença, evitando os versinhos de jornais de província e os vates das desgarradas. Daí, ainda assim, andar por aí muito gato por lebre que uma editora capaz e profissional recusaria publicar, liminar e salutarmente, em nome da higiene e saúde estética do ambiente literário.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Citações CDLXXXIV

 

Nunca houve grandes homens vivos. É a posteridade que os faz.

Gustave Flaubert (1821-1880), in Correspondance.

Mercearias Finas 200

 

De nome, o Veja confunde, mas também há quem lhe chame Bodião, erradamente. Do ponto de vista científico dá pela sigla de Sparisoma Cretense, e é um peixe muito popular nos Açores. De escama bem grossa, foi mais uma nova experiência recente, à mesa cá de casa.
Lasca sólida, de cor quase translúcida, bom sabor que lembra camarões de que ele gosta, apenas as espinhas são um pouco traiçoeiras, e há que ter atenção a elas. Ao que parece dá boas caldeiradas, mas HMJ preferiu assá-lo e acompanhá-lo com um esparregado bem verdinho.

terça-feira, 14 de maio de 2024

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Divagações 193


 
Ao atingirmos aquilo que pensamos ser o ápice de preferência na obra de um escritor, pontualmente, não conseguimos imaginar que possa vir a aparecer ainda um livro maior que venha a destronar esse inicial que tanto nos tinha agradado. São acasos felizes que, por sinal, já me aconteceram com dois escritores de língua francesa: Albert Camus (1913-1960) e Marguerite Yourcenar (1903-1987).
Se O Estrangeiro (1942) editado na colecção Miniatura (nº 48) me fora um livro marcante, A Queda (1956), que na mesma colecção (nº 76) viria depois a ser publicado, veio a ganhar as minhas preferências no conjunto da obra de Albert Camus.
Simultaneamente, também Memórias de Adriano (1951), que tinha sido uma boa surpresa na leitura, viria a ser suplantado, no meu gosto, por A Obra ao Negro (1968) da escritora belga, alguns anos mais tarde.
Estas duas experiências constituíram acontecimentos muito agradáveis e inesperados para mim.



domingo, 12 de maio de 2024

Comic Relief (161)

 

Precedência à dúzia...

sábado, 11 de maio de 2024

A erosão dos nomes

 


Há fenómenos pessoais e humanos curiosos, muitos dos quais estão ligados à memória.
Constato que, dos meus amigos de infância e primeira juventude, retenho os nomes completos inteiramente, enquanto, mais tarde, fixei apenas o primeiro nome e o último apelido. Ou apenas um deles, a menos que a pessoa em si, quotidianamente, ainda me acompanhe no presente.


sexta-feira, 10 de maio de 2024

No tempo das Cerejas

 

No tempo, quase, das cerejas veio ter comigo o belíssimo livro em epígrafe com o título Cerejas para o Rei. No caso em apreço, as cerejas faziam parte da mesa real, em Potsdam, dos reis Frederico II, Frederico Guilherme II e Frederico Guilherme III,
Para além da explicação extensa sobre a origem e proveniência das cerejas, adiciona-se um leque enorme de receitas, algumas ainda fazem parte da minha memória de juventude.
A leitura encaminhou-me, então, para a nossa grande cerejeira, no fundo do quintal de Merkenich, Colónia, que dava para apanhar e comer na altura, guardar em frascos para o inverno, fazer tartes e bebidas tipo poncha.
E, para as nossas leitoras amantes de macacos, aqui vai mais uma das belas imagens que enriquecem o livrinhos:


Post de HMJ, para os agradecimentos devidos a H.N.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Recomendado : cento e um

 

Por uma vez acontece, talvez, que depois de vários números comprados que foram autênticas decepções, este exemplar duplo de Le Nouvel Obs, com a temática da Libertação e o verão de 1944, promete uma proveitosa leitura ao ser folheado. 
Assim espero que se venha a confirmar, em nome dos bons velhos tempos.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

terça-feira, 7 de maio de 2024

Antologia 19



Deu-me hoje para reler Ruy Belo (1933-1978), um dos poetas portugueses de que nunca deixei de gostar. Dos sete livros que folheei, fiz uma pequena colheita de dois poemas que aqui deixo registados. Para o lembrar.

Saint-Malo 63

Eu curvo ante a infância a face embaciada

A praça é muito grande para uma criança
Ela estranha as pessoas do jardim,
criança abandonada, limitada vida renascente
e carne e riso
Olhamo-la encher tudo
e vamos cada qual às nossas compras
Já nada em nossos bolsos pesa nem pecados
de novo estamos disponíveis para a primavera
e muito pequeninamente adormecemos

in Boca Bilingue (pg. 21)

O Valor do Vento

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que eu gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto

in Homem de Palavra(s) (pg.100)

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Apontamento 167: Desengano de alma

 


[queda do muro, 1989]

Acontece que existem assuntos que não nos largam, até nos invadem, infelizmente, a tranquilidade nocturna.

Um deles é a pretensa oposição alemã entre OSSIS [cidadãos dos territórios da antiga  RDA] e WESSIS [cidadãos residentes no território da antiga RFA].

Nos debates sobre o tema, sem nexos, considero-me completamente distante, porque não sou, nem tenho qualquer ligação familiar aos antigos domínios da RDA tutelados, de forma ditatorial, pelas «matrioscas» russas da SED.

Com efeito, encarava a oposição cívica das chamadas «populações de leste», que levaram ao fim da divisão, contra-natura no pós-guerra, do território da Alemanha, como manifestação sincera de querer viver em liberdade, sem o regime totalitário. No passado, tiveram medo do sucedâneo do KGB, hoje temem a AfD.

Ao que parece, e pelo desejo aparentemente manifesto nas opções pela extrema direita nos territórios da antiga RDA, continua um fundo «de camisas castanhas» não  eliminadas no tempo dos SED’s, juntando-se aos cidadãos carentes de uma outra vertente, moderna, de estado totalitário, a saber, os partidos de extrema direita.

O pouco contacto que tive com pessoas da antiga RDA, depois da abertura, e já em Coblença, na RFA, ensinou-me, de facto, que os anos do SED deixaram marcas indeléveis nas pessoas.

Presenciei, numa cena pouco comum de ser impedida de entrar numa casa familiar, embora acesso combinado, por uma pessoa que se impunha como guardiã do aposento durante as férias dos donos.

Nos meus contactos cívicos, com familiares, amigos e estranhos, concluí que nunca me tinha deparado com este misto de provincianismo, sobranceria e falta de noção de trato.

Aliás, muitas das «destrezas provincianas» sempre as atribuí a Angela Merkel, motivo pela qual nunca a apreciei.

Graças à educação recebida, e embora crescida numa aldeia da cidade de Colónia, nunca me reconheci, nem identifico, com ademanes provincianos, característicos dos «malandros da CDU» que pretendiam dominar as almas. Fui assim, pelos contactos hipócritas na juventude, que não me apanharam no «Desengano de Alma».

Post de HMJ

A ter em atenção

 
 Quando o movimento cessa de todo, a memória pode sempre socorrer-se da nitidez estática da fotografia.

Pietro Nardini (1722-1793)

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Ideias fixas 86

 

Há sobressaltos cívicos, pedradas no charco e obrigações de alma, para quem ainda está vivo, que nos animam. Já nos bastam os chavões palermas sobre justiça, daqueles que não se querem comprometer politicamente.
E este manifesto dos 50 é um libelo contra a hipocrisia quase geral e um acto de coragem de que Rui Rio, honra lhe seja, foi um precursor solitário.
A sra. PGR, mai-la sua ufania oca, bem podia ir dar uma volta, com os seus vistosos e exuberantes vestidos de mau gosto, ao bilhar grande da insignificância. Para sempre.


Pinacoteca Pessoal 203


 
Não será muito citado o pintor impressionista português Fausto Sampaio (1893-1956), muito embora esteja representado por 14 obras de boa qualidade no museu Medeiros e Almeida e outras na Fundação Oriente. A inaptidão auditiva, que o atingiu em tenra idade,  permitiu-lhe, de certa forma, uma sensibilidade própria para se expressar através da pintura. Um pouco a exemplo do pintor belga Eugène Laermans (1864-1940), da escola realista, que era também surdo e quase mudo, mas muito talentoso.




O gosto pelas viagens levou Fausto Sampaio a deambular pelo Oriente (Índia, Timor) e até a fixar-se em Macau onde chegou a criar, em 1936, uma escola de desenho e pintura. Essencialmente paisagista (acima, tela das Azenhas do Mar), a sua obra conta também com retratos que testemunham a sua passagem por algumas das ex-colónias portuguesas.



quinta-feira, 2 de maio de 2024

Impromptu 75

Citações CDLXXXVIII



A autoridade não vai sem prestígio, nem o prestígio sem a distância.

Charles de Gaulle (1890-1970), in Le Fil de l'épée.

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Recuperado de um moleskine (44)

 

A simetria é quase sempre um fenómeno primário e consensual, enquanto a assimetria pressupõe um mínimo de ousadia e trangressão. Se a discordância obriga à incomodidade, ainda que a imaginação forneça, muitas vezes, os motivos necessários, manifestá-la só por uma vontade forte e fundamentada.

Por outro lado, há muito que não usavam esse verbo comigo. Ouvi-lo, foi reacordar outras paisagens e idades. Caminhos esquecidos, estranhos sentimentos e memórias arrefecidas, de há muito. O movimento desperto ficou a bailar, horas e horas. Vivo e novo - como se fosse pela primeira vez experimentado.