Palavras para quê?
A EPAL, para além de ter uma
tarifa substancialmente superior às suas congéneres da área do Sul do Tejo,
i.e., três vezes mais, costuma avisar, com um dia de antecedência a leitura do
contador, muitas vezes ainda dentro de casa.
Ora, a empresa pública continua,
apesar de reclamações insistentes da minha parte, a solicitar a colocação de “um
papelinho” na porta com a leitura, em caso de ausência na habitação.
Já alguém naqueles andares da
EPAL avaliou o completo ataque à segurança desta medida, apesar de denúncia
sistemáticas da minha parte ? Haverá melhor, para um eventual assalto a uma habitação,
do que um aviso, na porta de entrada, informando que o proprietário se encontra
ausente ?
Não restam dúvidas de que, no
conjunto da nossa vida colectiva – educação, saúde, serviços públicos –
substituíram-se as regras de bom senso, educação cívica e democrática, de pessoas bem formadas, por umas
“parlermices” sem nexos, sem orientação nem proveito.
Infelizmente, com ganho para umas pretensas literacias espúrias para alimentar um exército de ignorantes, promovidos a “doutores” de ciências nulas e ocultas.
Pena é que não se promova um ensino democrático, orientado para o desenvolvimentos do pensamento, com autonomia, valores cívicos e democráticos, para capacitar os cidadãos a resistir a esta inovação de ocultação e menorização da população.
Post de HMJ
A temática popular e/ou campestre é predominante na obra de José Malhoa (1855-1933), muito embora a pintura À Beira-Mar (ou: "A praia das Maçãs"), de 1918, priveligie um casal burguês e seja dos quadros de que eu mais gosto do pintor. Pertence ao acervo do Museu do Chiado, enquanto o auto-retrato de Malhoa, que encima o poste, integre o Museu Soares dos Reis, no Porto.
Recentemente, o jornal inglês The Guardian pediu, a diversas celebridades e escritores, um apanhado daquelas obras de ficção que consideravam mais importantes, de leitura. Das 100 mais votadas, verifiquei que já tinha lido 21, e cerca de 1/5 pareceu-me uma boa percentagem. Aqui deixo a relação das minhas conhecidas:
A própria capa do livro sugere um mundo outro, de estética e funcionalidade entre a luz e a sombra.
O título promete para os que ainda navegam “nas margens do saber”, para usar as palavras de um investigador também referência dessas matérias marginais.
O início da leitura convoca um ambiente cultural, luminoso, da cultura clássica para o Humanismo, revelando o caminho do suporte material do texto para a sua fixação final em códice e livro, destinados ao uso do promissor leitor.
O efeito da leitura, de um texto com a marca da sapiência, tem o benefício de nos levar para outras margens.
Assim, vieram as regras de retórica para orientar a presente exposição: opção pela ordem ascendente ou descendente? Sequencialmente surgiram, obviamente, o ensinamento do Padre António Vieira que, através da construção dos seus sermões, se tornou o mestre para ensinar a elaborar um texto com cabeça, tronco e membros.
Deixando, pois, e para os leitores atentos, a curva luminosa do supremo bem da Sapiência, entramos na curva descendente, com acentuado declive, pelos anos 80, no ensinamento das línguas e culturas clássicas, no ensino oficial. O desenvolvimento do pensamento racional e lógico das matérias em causa parecia complicar com o enorme esforço inerente ao efeito final de “arrumar uma cabeça carente”
Entre os meus amigos ainda contei um Professor de Latim e Grego que, na sua casa e para apoio das suas aulas, tinha uma máquina de escrever com alfabeto grego. Que sensação de ignorância de não o poder acompanhar nessa caminhada.
O minguar da oferta do estudo das línguas e culturas clássicas acentuou-se, como é evidente para quem ainda não se relegou, por completo, a uma caminhada, cada vez mais ignorante, incivilizada, imoral e desumana.
Renegar
a cultura, o saber e a HUMANIDADE, terá os efeitos nefastos que começámos a
observar num quotidiano degradante sem limites.
Post de HMJ