segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Fitzgerald / Sinatra

A palermice do dia



E ainda há marcanos que sonham com o regresso deste homem à presidência dos E. U. A.!?...
Mas também por cá há quem ouça ou leia, religiosamente, as bacoradas de um ex-PR que, de longe a longe, ressuscita como múmia paralítica do túmulo, para proferir umas quantas banalidades e asneiras tamanhas e parvas sobre a realidade portuguesa e política...
Mas como lá diz o Evangelho: "Bem aventurados os pobres de espírito porque é deles o reino dos céus."

domingo, 4 de dezembro de 2022

Justiça...



O cartoon de Serguei (1956), surto no jornal Le Monde de 28/11/2022, bem  poderia aplicar-se, com toda a propriedade também, à velocidade exemplar da justiça em Portugal ...

sábado, 3 de dezembro de 2022

Citações CDXLVIII



Renegar o passado é uma atitude funesta. Até porque para lutar contra o presente e criar um futuro, o passado é muitas vezes a arma mais eficaz.

Julian Green (1900-1998), in Julian Green en liberté avec Marcel Jullian.

Mercearias Finas 184



Ora, como os dias se vão aproximando do Inverno, por cá se foram lembrando pratos mais substanciais acompanhados, naturalmente, de vinhos mais pujantes. No feriado restaurador veio à mesa um Cozido à Portuguesa, com todos os matadores, que se amigou com uma garrafa magnum de Monte Velho, da colheita do Esporão, do ano de 2017 - estava no ponto! E os nossos convidados renderam preito de  homenagem a ambos.
Como é habitual, das carnes sobraram algumas que HMJ, no seu preclaro pensamento gastonómico, resolveu usar num Rancho apetitoso no dia seguinte. Fi-lo acompanhar de um mais ruano Vila dos Gamas recente (2021) lotado de Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, nos seus 14º, que em nada desmereceu as outras vitualhas sólidas. Um pequeno ananaz dos Açores, saborosíssimo, fez de sobremesa.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Jean-Philippe Rameau (1683-1764)

Recomendado : noventa e cinco



Antes que, porventura, se esgote, apraz-me registar e informar que o jornal Público de hoje é acompanhado, graciosamente, de um suplemento, de grande qualidade, dedicado a Agustina Bessa-Luís (1922-2019). A não perder para quem se interesse pelo assunto.
Até porque as coisas boas devem e merecem ser partilhadas.

Uma fotografia, de vez em quando... (165)



Nascido no Irão, Abbas Atar (1944-2018) destacou-se como fotojornalista documentando de uma forma impressiva e intensa a revolução iraniana, que acompanhou de perto. Integrou, a partir de 1981, a agência Magnum e radicou-se em Paris, muito embora tenha seguido localmente as convulsões políticas no Biafra e da África do Sul.


A intensificação e fanatismo crescente do Islão, sobretudo a partir do 11 de Setembro, também não o deixaram indiferente.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Adagiário CCCXLIV



Não são as pulgas dos cães, que fazem miar os gatos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Censuras


Este vídeo, que registei no Arpose a 26/4/2020, foi apagado pela alta autoridade do You Tube, em data que não consegui situar, e sem qualquer justificação plausível.
Será que se insere, este acto censório, no embargo a Cuba, pelos marcanos?
Aqui vai ele de novo.

Da higiene, no antigamente



A páginas 118 de Casa Grande e Senzala, obra de Gilberto Freyre, pode ler-se:

"O século da descoberta da América - o XV - e os dois imediatos, de colonização intensa, foram por toda a Europa época de grande rebaixamento nos padrões de higiene. Em princípios do século XIX - informa um cronista alemão citado por Lowie - ainda se encontravam pessoas na Alemanha que em toda a sua vida não se lembravam de ter tomado banho uma única vez. Os franceses não se achavam, a esse respeito, em condições superiores às dos seus vizinhos. Ao contrário. O autor de Primitive Society recorda que a elegante rainha Margarida de Navarra passava uma semana inteira sem lavar as mãos; que o rei Luís XIV quando lavava as suas era com um pouco de álcool perfumado, uns borrifos apenas; que um manual francês de etiqueta do século XVII aconselhava o leitor a lavar as mãos uma vez por dia e o rosto quase com a mesma frequência; que outro manual, do século anterior, advertia os jovens da nobreza a não assoarem o nariz à mesa com a mão que estivesse segurando o pedaço de carne; que em 1530 Erasmo considerava decente assoar-se a pessoa a dedo, uma vez que esfregasse imediatamente com a sola do sapato o catarro que caisse no chão; que um tratado de 1539 trazia receitas contra piolhos, provavelmente comuns em grande parte da Europa."

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Visitante inesperado



Na varanda a sul, vindo de oeste, pousou por breves segundos, o que seria um verdilhão macho buliçoso e irrequieto, sobre o vaso do arbusto das pequenas flores avermelhadas, que quase sempre está florido. O seu verde macio da penugem fazia um belo contraste de cores com a planta. Saltitou, juvenil, de ramo em ramo, aliviou-se sobre o lilaseiro, ao lado, e o passarito seguiu depois, vertiginoso e elegante, em direcção a leste.

Em trânsito e à bica



Em bom ritmo de leitura vai o clássico do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre (1900-1987), intitulado Casa Grande e Senzala (1933), obra importante que eu trazia atrasada de muitos anos, para ler...
Oferta natalícia, recém-chegada da Alemanha, há-de ser seguida de Speak, Silence (2021), sobre  W. G. Sebald (1944-2001), da biógrafa inglesa Carole Angier (1943).



Valerá a pena referir, da capa, sobre o grande escritor alemão que se fixou e morreu na Inglaterra, as palavras de outro britânico de adopção, também já falecido, Javier Marías (1951-2022). Diz o autor espanhol sobre a biografia em questão:
This enticing and thorough book on Sebald's life and art proves that he was an absolute master of the highest domains of literature.
Na verdade, creio que já não estou em idade de perder tempo a ler frioleiras, mas devo dedicar-me antes a livros sérios e sólidos. Ainda que, por  vezes, possa enganar-me nas escolhas que faço...

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

domingo, 27 de novembro de 2022

Caridadezinha


Por frugalidade no dormir, livrámo-nos do clã Jonet pedinchão. Chegámos à média superfície ainda não eram 8h30. Os jovens esmoleres como são mimosos e filhos de gente fina, ainda não estavam em exercício matutino. Um casal adolescente montava o estaminé à entrada do supermercado, o outro ainda tomava o pequeno almoço junto da cafetaria do supermercado, para não perder as forças para a intensa actividade caritativa do dia.
Que me perdoem as boas almas e a minha associação, mas a patroa Jonet faz-me sempre lembrar a Cilinha Supico Pinto. Embora esta senhora do M. N. F. fosse mais cuidadosa no seu tratamento e aspecto capilar...

sábado, 26 de novembro de 2022

Sobe e desce


Quem sonharia, aqui há cem anos atrás, na frondosidade galopante do número e carreira de informáticos? 
Entretanto, hoje, há um notório défice na arte dos canalizadores, dos picheleiros e electricistas; embora vá de vento em popa o progresso activo do número dos nutricionistas, dos arrumadores de automóveis e dos psicólogos, estes últimos sobretudo a nível dos estabelecimentos de ensino. 
Haja saúde!

Citações CDXLVII



É uma grande miséria não ter espírito bastante para falar bem, nem siso suficiente para se calar.

Jean de La Bruyère (1645-1695), in Les Caractères ("De la societé et de la conversation").

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Interlúdio 87

De Emily Dickinson, em versão minha, displicente e livre



1755


Para criar uma pradaria basta 
um trevo e uma abelha,
um simples trevo
e uma única abelha,
além da fantasia.
Até bastaria só a fantasia
se fossem poucas as abelhas. 


Emily Dickinson (1830-1886), in A murmury in the Trees (1998).

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Osmose 128



De uma forma lapidar e para sempre (?), C. P. Snow (1905-1980) chamou a atenção, a tempo, para o divórcio entre as duas culturas: Ciências e Humanidades. Mas até mesmo dentro destas duas grandes divisões, entre os seus cultores, há apartados muitas vezes inamovíveis. Não fora, na juventude, o meu convívio amistoso com três colegas, na mesma república estudantil, eu talvez ainda ignorasse nomes importantes de outras áreas das letras. Eduardo Brasão e Orlando Ribeiro, por exemplo. Em troca, eu dei-lhes a conhecer Eugénio de Andrade e Ruy Belo, entre outros. Com isso, viemos a beneficiar e alargar os nossos horizontes culturais.
Lembrei-me disso ao ler um texto muito interessante de Orlando Ribeiro (1911-1997) a descrever a Serra da Estrela. Porque penso que não é nada fácil fazê-lo, do ponto de vista geográfico. Um pequeno excerto,  assim:




" A Serra da Estrela (1.991 m) individualiza-se bem, pela sua massa que avulta por tempo claro e chega a ver-se do Sul do Tejo, pela neve, que, no Inverno, cobre e faz sobressair a parte mais alta, pelas nuvens que até tarde, na Primavera, lhe envolvem e ocultam os cimos. É um dorso enorme, escalvado, monótono e imponente pelo volume, mas sem o fino recorte do Caramulo, por exemplo. O limite SE da serra está numa queda muito brusca de 1.000 m que, vista de longe, figura uma parede quase vertical com as amolgadelas das gargantas ocupadas por antigos glaciares. Aqui acaba o granito, que forma a parte principal e mais elevada da Estrela; para Ocidente, dum e doutro lado  do Zêzere, o xisto é o material de todo o relevo."

Orlando Ribeiro, in Guia de Portugal, III vol. - Beira Baixa.

Pinacoteca Pessoal 188




Foi breve a vida do pintor inglês Richard Parkes Bonington (1802-1828), passada entre a Inglaterra e a França. Classificado como um paisagista romântico, só no final da sua existência começou a pintar a óleo em vez dos simples desenhos, que fazia. Mas bastaria esta sua Catedral de Ruão vista do Cais, aguarela de 1821, ou


as duas magníficas marinhas (abaixo em imagem) para eu lhe fixar o nome e o recordar no Arpose. Ainda que uma das telas possa acusar e lembrar a lição de J. M. W. Turner.




segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Johannes Brahms (1833-1897)

Ideias fixas 71


Até pode ser por mau feitio (penitencio-me, se for o caso), mas quase sempre pensei que somos excessivos a dizer ou explicar as coisas, e trengos muitas vezes. Falar é connosco. A síntese é raramente usada.
Hoje de manhã, ia perdendo a paciência nos atendimentos. Nos CTT, um mentecapto dos seus 18 anos enganou-se pelo menos 2 vezes a preencher um simples impresso de registo, ao balcão. E a gente que espere na fila! Pouco depois, na farmácia local, a atendente barroca, fez-me inúmeras perguntas desnecessárias. À última pergunta pernóstica, respondi-lhe, perante a alternativa para eu optar, e tentando dominar a impaciência e demora para me vir embora: É igual ao litro!...
 

domingo, 20 de novembro de 2022

As palavras de ontem


"A realização do campeonato no Qatar é mais uma das histórias de corrupção em que o futebol abunda, com votos comprados para garantir uma escolha que nunca devia ter sido feita."
(...)
"A corrida para ir ao Qatar de toda a hierarquia do Estado, em nome de «Portugal» por causa da selecção, é mais um sinal de como o futebol tem um estatuto de impunidade cívica."


José Pacheco Pereira (1949), in O veneno cívico do futebol,  jornal Público (19/11/2022).

Números e categorias



Das antigas cidades portuguesas, que eram 36, na minha adolescência, a mais pequena era Pinhel aonde nunca fui e que contava 2.100 habitantes. Nessa altura, Guimarães tinha 19.000 habitantes e Lisboa quase um milhão (as rendas altas, de algum modo, provocaram o êxodo gradual da capital para a periferia e subúrbios...).
Hoje, há muitíssimo mais cidades no território nacional e desconheço quais são as razões ou obrigações que justificam nomear uma vila ou aldeia para a categoria superior. Estranhei, por isso, que ao ver um vídeo curioso sobre Manteigas (próxima da serra da Estrela), com 2.909 habitantes, no censo de 2021, a localidade não tenha sido promovida ainda de vila a cidade...
Porque certamente Pinhel não foi despromovida e duvido que tenha aumentado muito a sua população...

sábado, 19 de novembro de 2022

Divagações 183


Qualquer classificação implica uma forma redutora de fixar as qualidades e limitar o espaço a abranger. Se falarmos de poesia, para além dos géneros tradicionais (soneto, epigrama...), a situação complica-se. No entanto, dei-me a pensar que, na sua essência, há fundamentalmente três grandes categorias dessa arte. Sendo que a mais recente no tempo, aliás como a pintura, terá sido a poesia abstracta, em que incluiria três poetas: Teixeira de Pascoaes, Ramos Rosa e Fernando Guimarães.
A poesia lírica será, sem dúvida, a mais frequentada por autores portugueses. Entre muitos outros, escolhi os nomes grandes de: Camões, Almeida Garrett e Eugénio de Andrade. 
Finalmente, a poesia reflexiva, mais rara em Portugal, país pouco dado a filosofias, com Sá de Miranda, F. Manuel de Melo e Jorge de Sena.
Uma ressalva importante no cultivo simultâneo destes três tipos de poesia é bem merecida por Fernando Pessoa, como bem se pode perceber.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Humor



Na sua infinita bondade, Deus deu a chuva aos ingleses para lhes fornecer um bom tema de conversa.

Anthony Chester 

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Últimas aquisições (41)



A passagem de testemunho, de uma forma geral, implica para alguns uma certa responsabilidade.
Esta biografia credenciada do poeta inglês William Blake (1756-1827), da Oxford Paperbacks, da autoria de Mona Wilson, na sua segunda edição, de 1971, terá tido, antes de mim pelo menos, dois proprietários. Com a particularidade de que um deles terá comprado o livro na célebre livraria-editora Shakespeare & Company, de Paris, em Dezembro do ano de 1975. Atestado pelo carimbo de uma das páginnas iniciais.



terça-feira, 15 de novembro de 2022

Citações CDXLVI



Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse.

Henri Estienne (1528-1598), in Les Prémices (1594).