
A
própria capa do livro sugere um mundo outro, de estética e funcionalidade entre
a luz e a sombra.
O
título promete para os que ainda navegam “nas margens do saber”, para usar as
palavras de um investigador também referência dessas matérias marginais.
O
início da leitura convoca um ambiente cultural, luminoso, da cultura clássica para
o Humanismo, revelando o caminho do suporte material do texto para a sua
fixação final em códice e livro, destinados ao uso do promissor leitor.
O
efeito da leitura, de um texto com a marca da sapiência, tem o benefício de nos
levar para outras margens.
Assim,
vieram as regras de retórica para orientar a presente exposição: opção pela
ordem ascendente ou descendente? Sequencialmente surgiram, obviamente, o
ensinamento do Padre António Vieira que, através da construção dos seus sermões,
se tornou o mestre para ensinar a elaborar um texto com cabeça, tronco e
membros.
Deixando,
pois, e para os leitores atentos, a curva luminosa do supremo bem da Sapiência,
entramos na curva descendente, com acentuado declive, pelos anos 80, no ensinamento
das línguas e culturas clássicas, no ensino oficial. O desenvolvimento do
pensamento racional e lógico das matérias em causa parecia complicar com o enorme
esforço inerente ao efeito final de “arrumar uma cabeça carente”
Entre
os meus amigos ainda contei um Professor de Latim e Grego que, na sua casa e para
apoio das suas aulas, tinha uma máquina de escrever com alfabeto grego. Que
sensação de ignorância de não o poder acompanhar nessa caminhada.
O
minguar da oferta do estudo das línguas e culturas clássicas acentuou-se, como
é evidente para quem ainda não se relegou, por completo, a uma caminhada, cada
vez mais ignorante, incivilizada, imoral e desumana.
Renegar
a cultura, o saber e a HUMANIDADE, terá os efeitos nefastos que começámos a
observar num quotidiano degradante sem limites.
Post de HMJ