A palavra engaranho - que eu conhecia - não vem registada nos vários dicionários que consultei. Nem mesmo Houaiss a refere, no seu amplo trabalho. Mas na obra colectiva "Usos e costumes do Barroso" (Chaves, 1972), de Barroso da Fonte, Lourenço Fontes e Alberto Machado, vem assim explicado: "O engaranho caracteriza-se por um estado geral de enfraquecimento juvenil, com braços e pernas cruzados muito delgados, feições mirradas e aspecto amarelado. O termo engaranho, é expressivo para designar esta doença que só se verifica nas crianças". Em termos mais simples e objectivos creio que seria uma espécie de raquitismo, a que estariam sujeitas muitas das populações desfavorecidas, por carências várias, mas também por razões de isolamento que originavam sucessivos casamentos consanguíneos.
Mas a obra citada descreve, detalhadamente, também, "Como se cura o engaranho". O ritual era complicadíssimo e com algumas variedades de acções e rezas, uso de juncos e utilização repetida do número 9, pronunciada pelo curandeiro, e obrigatório silêncio dos assistentes. Terminava assim o ritual, com a entoação seguinte:
Quem passa o Tejo,
faz pipos
e vedam o vinho
corta o engaranho
a este menino.
Pelo poder de Deus
e da Virgem Maria,
um Padre Nosso
e uma Avé-Maria.