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quarta-feira, 20 de março de 2013

Recomendado : trinta e oito - Raul Brandão


Já aqui falei, há dias (12/3), desta obra de inéditos, em livro, de Raul Brandão (1867-1930), reunidos por Vasco Rosa, e saída recentemente. E, como vem a propósito, transcrevo o início da crónica Primavera:
"Fez hoje, 22, primeiro dia de Primavera, segundo o calendário, exactamente cinquenta e oito anos que Henry David Thoreau (1817-62), ao deparar com uma árvore cheiinha de flor, fugiu das pedras da cidade, dos exasperos, dos egoismos, da vida aborrecida, contraditória e inútil, e foi viver sozinho para uma floresta. Este simples facto: o ter encontrado por acaso nessa esplêndida manhã de Março um ramo tombado de um quintal para a rua bastou para revolucionar toda a sua existência. Partiu só e livre enfim!...
A Primavera também me estonteia. Sinto que estou prestes a sonhar com as velhas árvores tontas. É a época em que a cidade, com a secura das suas pedras amontoadas, me horroriza e me dá vontade de fugir, como ao poeta americano Thoreau, que tudo deixou para viver em pleno contacto com a natureza..."

terça-feira, 12 de março de 2013

Raul Brandão


Passa hoje mais um aniversário do nascimento de Raul Brandão, nascido que foi a 12 de Março de 1867. E o facto veio-me com a boa notícia de que os seus dispersos, nos jornais, foram reunidos por Vasco Rosa, e publicados em livro pela Quetzal, sob o título " A pedra ainda espera dar flor".
Que ele era escritor, toda a gente o sabe - pelo menos, quem lê -, mas nem todos saberão que, nos últimos anos da sua vida, também pintava. Por isso, aqui deixo uma fotografia de Raul Brandão a pintar, bem como um fragmento de um quadro que ele ofereceu ao seu amigo Teixeira de Pascoaes.

quinta-feira, 8 de março de 2012

O'Neill sobre Nobre



Respigo, de "Coração Acordeão" (2004), algumas considerações e influência de António Nobre sobre poetas portugueses, referidas por Alexandre O'Neill, no seu habitual bom humor:
"Pode dizer-se que António Nobre inaugura na poesia portuguesa certa «conversa» ainda muito actual. Pode dizer-se que, a este nível, é mais moderno que Cesário. (...)
O Nobre influenciou todos nós. Até o Boi da Paciência do Ramos Rosa é Nobre, só que lavra papel costaneiro em vez de terra friável. Até o Herbert Hélder é Nobre, com a sua anarcolírica. Até a Sophia é Nobre, com quinta no mar e charrete puxada a gaivotas. Até o Eugénio é Nobre, assim tão só! E se calhar não será Nobre o Cesariny, tão lusitânia no Bairro latino? E o Melo e Castro? Que Nobre! E o Egito Gonçalves, tão neo-Nobre? E o Carlos de Oliveira?
Todos somos Nobres, menos um: Gomes Ferreira, que é Junqueiro (Pátria) - ou será Raul Brandão, o remorso que sobrou do remorso de Raul Brandão? (...)"