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sexta-feira, 6 de julho de 2018

Mercearias Finas 131


A Trafaria já foi vila mais bonita, quando por lá andei, de Julho a Setembro de 1968, diariamente, a tirar a especialidade no BRT (Batalhão de Reconhecimento e Transmissões). Hoje, o espaço do quartel parece uma quinta abandonada com pardieiros em ruina ameaçadora. Nessa altura, a praia ainda era frequentável e de águas limpas, embora a fímbria de areia já não fosse muito grande. Nos últimos tempos as águas não se recomendam, pela sujidade. Lentamente, o miolo da vila, vai sendo recuperado, no entanto, e algumas casas, no centro histórico, vão sendo restauradas e têm um ar airoso e aconchegado, à vista.
Creio que, quando a frequentei, há 50 anos, nunca almocei senão na messe do Batalhão. Não se comia mal e as doses eram generosas e apaladadas, sobretudo para quem vinha de Mafra...


Recomendar um restaurante tem sempre os seus riscos. Na restauração, as coisas mudam depressa,  em Portugal, normalmente para mais caro e pior. Mas vou ousar destacar, na Trafaria, a Taberna Zé da Lídia, na rua Artur da Costa Pinto, nº 12. Fomos lá ontem, pela quinta ou sexta vez, e saímos a contento como habitualmente, pela excelente cozinha, o competente serviço, o preço moderado (60 euros para 4 pessoas, ainda deu direito a troco) e o agradável ambiente. Necessário é fazer reserva antecipada, porque o restaurante só tem 24 lugares.



Nas entradas, o pão fatiado é muito guloso e o paté de atum, caseiro, saboroso. As azeitonas também não desmerecem e aperitivam muito bem, a caminho das pataniscas de bacalhau, que nunca comi tão enfoladas. Todo o peixe é fresco e da melhor qualidade, ou não estivessemos à beira-mar...


Recomendam-se também os filetes de linguado que, como as pataniscas, são acompanhados de um arroz caldoso de feijão ou, em alternativa, de tomate. Quanto a carne, aconselho os Rojões ou Entrecosto, mas se houver Rancho, não percam - se apreciarem o prato. A respeito de vinhos, agradáveis, há uns pipinhos simpáticos pela sala, donde podem vir bons monocastas: Antão Vaz, quanto a brancos; e Cabernet, Touriga Nacional e Sirah, de tintos. O que sublinha o bom gosto de quem governa a Taberna...
Quanto a sobremesas, a Tarte de Limão é um primor!
E, já que o Verão parece ter vindo para ficar, vá lá!, atravessem o Tejo e venham refeiçoar à Trafaria.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Queda de cadeiras : 2 Antónios, e eu


É sempre um facto acidental, inesperado, quase inacreditável acontecer. Muitas vezes, ridículo e hilariante. A primeira queda de cadeira, que vou referir, prejudicou-me um pouco. Era eu aspirante miliciano no BRT (Batalhão de Reconhecimento e Transmissões) da Trafaria. Estávamos em Setembro de 1968, e António de Oliveira Salazar caíu da cadeira, no Forte do Estoril. Não pude regressar a Lisboa, o quartel entrou de prevenção, e o País tremeu. Tive que desmarcar compromissos que tinha para essa noite...
A segunda queda de cadeira aconteceu comigo. Foi aqui pela zona outrabandista, e quase em família. Tinhamos ido almoçar ao ar livre, num restaurante modesto e honesto, mas onde grelhavam peixe muito fresco, com desvelo e sabedoria. Era o Verão de 87 ou de 88. Às tantas, o António, que estava connosco, grita-me: "Olha que estás a cair!?..." Eu não acreditei, era lá possível uma cadeira com estrutura interior de ferro (só que já estava enferrujada), embora com cobertura de plástico, desfazer-se de um momento para o outro?...Mas sentia-me a deslizar, suavemente, em direcção à terra. Não fiz nada e, ao "ralenti", passado um minuto, estatelava-me no chão. Não parti nada, a não ser a cadeira...
A terceira queda é mais académica. Aconteceu com o António Valdemar (a memória humana mais prodigiosa que conheço) e que é, hoje, Presidente da Academia de Belas-Artes. A história contou-a ele na Rua do Alecrim, nº44, em Lisboa. Terá sido nos anos 90. António Valdemar tinha acabado de receber uma comenda, creio que a 10 de Junho. Dirigiu-se para a sua cadeira, no meio dos agraciados. Sentou-se, e a cadeira desfez-se - caíu desamparado. Ajudam-no a levantar-se e perguntam-lhe, preocupados, se se magoara. Confundido e atónito, Valdemar responde: "Foi o peso da Glória!"