Creio que o nosso espírito democrático ainda é uma criança e julgo também que uma boa parte dos nossos políticos reage, normalmente, após uma vitória ou derrota, ao nível chinelístico do futebol. É certo que eu não tenho grandes ilusões sobre as qualidades filosóficas dos portugueses, mas tenho sempre a expectativa de que, um dia, sejamos capazes de raciocinar sobre a realidade, com alguma, mínima, isenção. Provavelmente, já não será no meu tempo de vida, mas faço votos para que não demore muito a atingirmos a maturidade democrática. Assim, gostaria de não ter presenciado:
1. O independente que ganhou a Câmara do Porto, no momento de vitória, ter feito um discurso de desforço na melhor esteira cavaquista. Esperava-se outra elegância de um Tio tripeiro. Embora eu saiba também que não há só Tios, no Sul...
2. Que os clarividentes eleitores de Oeiras tenham dado razão à máxima: O crime compensa.
3. Depois de tanta fidelidade canina, o pafunço-mor não merecia a deserção dos rangéis, do bochechudo de barba por fazer do jornal Público, nem sequer a estocada final do Gand'a Nóia, na televisão. Embora seja normal os ratos deixarem o navio, antes deste se afundar por completo.
P. S. : Já agora, limpem-me os outdoors, antes que venha a chuva! Não justificam a memória futura!
