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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Uma louvável iniciativa (38)


É uma boa oportunidade para se ficar com uma ideia sobre a enologia bairradina. A região demarcada da Bairrada é, porventura, a mais mal-amada das regiões portuguesas. Injustamente, aliás, bastaria lembrar os vinhos do Palácio do Buçaco, para deitar por terra essa ideia enraízada e peregrina.
Estas monografias que o jornal Público (re)começou a distribuir, aos sábados, com o periódico, custam apenas 1,00 euro. O primeiro lançamento (2012?) terá sido um fiasco, mas o preço dos livrinhos também era excessivo: 4,90 euros. As sobras terão sido muitas, provavelmente. E o Jornal reincidiu, agora, na distribuição, mas a preços de saldo...
As obrinhas, belamente ilustradas, têm uma apresentação gráfica muito cuidada e são úteis do ponto de vista informativo: história da região demarcada (desde 1866), produtores mais importantes, restaurantes, castas usadas na região...

sábado, 10 de novembro de 2012

Um Senhor do Vinho


Estas coisas só se sabem nos nichos dos especialistas ou na região próxima, que neste caso era a Bairrada. O vulgo, como eu, só temos conhecimento tardiamente. Porque apenas hoje soube que Luís Costa (1928-2012) faleceu no passado dia 4 de Outubro. Era o rosto discreto, discretíssimo, melhor dizendo, das Caves S. João. Mas era, também, um grande Senhor do Vinho, em Portugal. Profundo conhecedor, com uma riquíssima e invejável biblioteca sobre Enologia, foi o criador do bairradino "Frei João" e do "Porta dos Cavaleiros", celebrado vinho da região do Dão, cujas Garrafeiras fazem a alegria de qualquer apreciador.
José Salvador chamou-lhe, com todo o direito e propriedade, o ideólogo da Confraria dos Enófilos da Bairrada. Eu limitar-me-ei, quando abrir alguma das garrafas, que ainda tenho, de vinho produzido por ele, em bebê-lo, com a sua memória presente. E grato.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Mercearias Finas 50 : vinhos velhos e a mal-amada Baga



Tenho dois amigos que, como eu, apreciam vinhos velhos. Esta preferência tem, no entanto, os seus riscos e é um investimento a longo prazo que, sendo bem sucedido, compensa - e muito.
Duas das castas portuguesas que proporcionam, muitas vezes, longevidade aos vinhos, são a Baga, na Bairrada, e a Ramisco, que está confinada à região de Colares. Mas estas castas autóctones produzem vinhos que, nos primeiros anos, são quase intragáveis - ásperos, amargos, muito adstringentes e fechados no aroma: é preciso ter paciência, esperar e deixá-los, se a colheita foi boa, uns anos na "adega" (garrafeira) a amadurar.
Esta garrafeira magnum (Encosta dos Mouros) de 1997, da Adega Cooperativa da Mealhada (em imagem), com os seus pródigos 13º, foi-se... há dias. Monocasta de Baga, na sua melhor expressão e de um bom ano de colheita, nos seus quinze anos de idade, tinha atingido a maioridade gustativa, e não iria aprimorar mais. Foi sacrificada a um magnífico Queijo da Serra babão, num prandial convívio de 6 amigos. Honra lhe seja: acabou por bem!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Velhas Cepas e humor



É sabido que, alguns bons vinhos portugueses, são feitos de uvas provenientes de cepas antigas, como é o caso, por exemplo, dos produzidos pela casa Sidónio de Sousa, na região demarcada da Bairrada. Algumas vinhas desta casa, da casta Baga, têm mais de 80 anos. Consequentemente, a produção destas cepas é escassa, mas os vinhos obtidos são de boa complexidade e alta qualidade, normalmente. Na região do Douro, também isto acontece, com algumas marcas conhecidas.
Lembrei-me disso, ao ver citada uma frase curiosa da baronesa Philipine de Rothschild, dona do célebre Château Mouton, que dizia, com a sabedoria própria da experiência, qualquer coisa como isto:
"Fazer vinho é realmente um negócio muito simples. Difícil, só os primeiros 200 anos."

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Mercearias Finas 44 : Vinhos de guarda


Pode dizer-se que, de uma forma geral, os vinhos brancos têm uma vida mais curta do que os tintos e, por isso, não devem ser guardados muito tempo. E, em Portugal, pode afirmar-se que os bons vinhos tintos das regiões demarcadas do Dão, Bairrada e Douro, à partida, têm mais potencial de envelhecimento que os do Alentejo.
Para quem, como eu, goste de vinhos velhos, e os guarde na garrafeira, torna-se no entanto um problema saber se um vinho com 10, 15 anos se encontra ainda em boas condições de ser bebido e apreciado. A menos que, tendo várias garrafas da mesma marca, ano e região, vá provando, gradualmente, o vinho para poder avaliar a passagem do tempo, e a qualidade.
Ora, a casa leiloeira Christie's tem um processo simples e prático, embora não totalmente rigoroso, de estimar as condições do vinho, em garrafa. Como o vinho, com o tempo e porosidade da rolha, vai evaporando e perdendo volume, a leiloeira estabeleceu uma escala de altura do líquido, em relação ao gargalo da garrafa, como se pode ver pela imagem, que permite prever o seu estado.
Assim, segundo o esquema, a posição 1 (high fill) é um óptimo sinal para um vinho tinto velho de 10 anos. Pelo contrário, a posição 8, abaixo da curvatura da garrafa, é um indício de que o vinho já não estará em condições de ser bebido. Muito embora esta tabela seja para aplicar aos "Bordeaux", creio que também poderá ser usada em relação aos vinhos tintos portugueses, de guarda.