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terça-feira, 5 de agosto de 2025

Inventário

 

Sempre gostei, por curiosidade especializada, de saber pormenores sobre bibliotecas alheias. O TLS nº 6364 (pg. 28) satisfez-me, recentemente, essa vontade. Traduzindo, do artigo: " A biblioteca de Napoleão em Santa Helena constava de 3.488 volumes, dos quais 1.887 títulos tinham sido fornecidos pelo governo britânico."
O que para os 6 anos que passou na ilha, provavelmente, foram demais, quanto a leituras...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Marechais

Dignidade honorífica, nos tempos mais recentes, o posto de marechal destinava-se, principalmente, a premiar uma relevante carreira militar de um oficial superior do exército. Muito embora, do ponto de vista histórico, o cargo tenha sido criado pelo rei D. Fernando, em 1382.


Quando comprei o livro (imagem acima), interessavam-me, sobretudo, alguns nomes, que eu não sabia se teriam chegado ao posto de marechal: Junot, Ney, Bernardotte, Soult, Loison, Massena, Murat...  Fiquei a saber que Junot, atacado de loucura, não chegou lá, e Loison que, no Minho e aquando da invasão, espalhou o terror ("Vai tudo para o maneta!"), também não. Mas as biografias sucintas de Désiré Lacroix (Les Maréchaux de Napoléon, 1896, Garnier Frères) são um trabalho essencial para conhecer a vida destes militares franceses do tempo de Napoleão Bonaparte (1769-1821).


Chegaram a 26 os marechais franceses em exercício e alguns deles cobriram-se de glória em batalhas conhecidas. Por cá, em Portugal, o posto de marechal foi, única e recentemente, honorífico. No século XX, tivemos apenas 6 marechais (dois da Força Aérea: Craveiro Lopes, e Humberto Delgado a título póstumo) e só Francisco da Costa Gomes (1914-2001) alcançou o século XXI. Lembremos os restantes: Gomes da Costa, Óscar Carmona e António de Spínola.



terça-feira, 5 de janeiro de 2021

O Corso



A qualidade faz o cliente.

Fui-me afeiçoando ao Le Point, à medida que os fui adquirindo e lendo. Mais do que a perspectiva histórica, este último aborda Napoleão, neste segundo centenário da morte (Maio de 1821), através dos lugares por onde passou, ou deixou a sua marca. Lê-se a revista assim, como se fosse um guia de viagens.

Como de costume, aconselho-a. Não sendo barata (9,90 euros), vale a pena e merece-os.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Miscelânea sacro-profana, ou a sabedoria de sair a tempo...


Não foi com absoluta indiferença que, hoje, soube que José Mourinho foi despedido do Manchester United, apesar do futebol não constituir, para mim, um motivo de especial atenção e interesse crucial.
Muitas batalhas se ganharam com simuladas retiradas, seguidas de contra-ofensivas - é da História. Mas, a arte de sair ou de retirar a tempo, implica um desapego e uma sabedoria de que poucos são capazes. Até Napoleão, grande estratego, nem sempre a soube exercer com frieza e inteligência.
Por isso, as atitudes de Álvaro Cunhal e de Bento XVI, que hoje relembro, merecem todo o meu respeito.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Doenças, hipocondria, nervosismo e pulsações


Num tempo de eternos juvenis, de hipercuidados de saúde, de laicos amadores que dominam a nomenclatura especializada ou qualquer sintoma mínimo de doença e sabem prescrever para tudo a competente mezinha, eu tenho que me considerar um ignorante, um desleixado incompetente, um não-hipocondríaco impenitente e absoluto, para mal dos meus pecados. Vou morrer, assim, na inocência e na bem-aventurança, um dia...
Enfermiços, pela literatura, temos muitos: Eça e Nobre, para não irmos mais longe. Mas considero Marcel Proust um bom exemplo de fragilidade e hipocondria, simultâneas, confirmado e bem documentado no livro Proust connu et inconnu, de Gautier-Vignal (Robert Laffont, 1976). Mas esta obra, interessante, tem um alcance mais vasto, para além de falar das manias e fobias do escritor francês.
Proust tinha a convicção arreigada de que os grandes deste mundo não poderiam ser de temperamento nervoso - assim nos diz Gautier-Vignal. Acrescentando: " De uma forma geral, no coração dos homens há 72 batimentos por minuto. Mas Napoleão tinha apenas 40 pulsações, nesse mesmo espaço de tempo, e sabe-se que podia dormir um quarto de hora, mesmo em circunstâncias desfavoráveis, em campanha."
O que se pode chamar um homem sereno e tranquilo, para que conste...

domingo, 17 de dezembro de 2017

A insustentável leveza dos nóveis políticos


Às vezes, ainda fico pasmado com a falta de memória histórica de muitos dos políticos actuais. E com a sua pureza ingénua, alheia à lógica e coerência das consequências resultantes de algumas decisões tomadas de ânimo leve. Já não bastavam os pedidos de desculpa, perante factos do passado, de alguns Papas recentes e PR, que se desmultiplicaram a pedir perdão por acontecimentos, explicáveis na altura, mas hoje condenáveis pela moral vigente. O que é que adiantam, de facto? Para além de se reordenarem pelo execrável e hipócrita catálogo actual do politicamente correcto? Nada - concluo, pois o mal está feito, de pedra e cal, no passado.
Pasmei, de facto, com esta notícia do Le Monde (cuja imagem encima este poste) em que o sr. Macron se propôs, na sua leveza juvenil, devolver ao Burkina Faso, obras de arte africana, existentes em França. E não pude deixar de pensar na Bíblia dos Jerónimos, manuelina, levada de Lisboa, pelas hordas napoleónicas de Junot, e que teve de ser resgatada, mais tarde,  para voltar a Portugal. Será que o núbil PR francês estará a pensar, também, pedir à sr. May para restituir a Pedra da Roseta (hoje, no Museu Britânico) -  atendendo ao Brexit e na mesma coerência cristã - ao Egipto, raptada que foi, sob o alto patrocínio de Napoleão e do sr. Champollion, da terra dos Faraós, em 1799?
Porque, e como dizia o sapateiro de Braga: "ou há moralidade, ou comem todos".


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Apanhados


No centro de Lisboa, nestes últimos dias, pela Babel, e no 28, o que se ouvia mais era  o francês, o espanhol e o italiano, até parecendo o português um dialecto minoritário...
E, pelos vistos, até um dos futuros e possíveis candidatos ( neste caso, o mais à direita) do PS francês, à presidência da República gaulesa, Emmanuel Macron (1977), veio passar o Natal a Lisboa, com a sua mulher.
A foto e a notícia são de L'Obs (nº 2722).
Isto, quanto a vindas de franceses, para Portugal, só é comparável ao tempo das invasões napoleónicas...

terça-feira, 26 de julho de 2016

Comic Relief (128)


Não estar à altura.
Já Sarkozy usava uns sapatos de saltos altíssimos, para estar à altura de Carla Bruni.
Agora, a François Hollande, arranjaram-lhe um palanque...
Estes pequenos gauleses deviam era pôr os olhos no grande Corso!


grato reconhecimento a C. S..

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Pequena história (36)


Quando, há 200 anos, Napoleão foi derrotado por Wellington, este, antes de mais, preocupou-se sobretudo em visitar os feridos, antes mesmo de informar Londres sobre o desfecho da batalha. As notícias foram enviadas por pombos-correios, e também através de sinais de luzes. A mensagem era sucinta: Wellington defeated Napoleon at Waterloo. Na altura da notícia, porém, o céu cerrou-se de nuvens nessa parte do dia (15 de Junho de 1815) e os receptores apenas anotaram as primeiras duas palavras da mensagem: Wellington defeated... Que. deste modo, incompleta e errada na conclusão, terá chegado a Londres.
Conta-se que, sabendo ou não da verdade inteira, o banqueiro inglês Nathan Rotschild (1777-1836) chegou à Bolsa de Londres, no dia seguinte, com ar lúgubre, e comprou grandes quantidades de acções, que tinham entrado em queda vertiginosa e brutal. Naturalmente, e em pouco mais de 24 horas, aumentou consideravelmente a sua fortuna, após a notícia da vitória se ter confirmado. Por aqui se vê a racionalidade dos mercados, ainda hoje considerados como deuses absolutos...

terça-feira, 2 de junho de 2015

Da leitura


A inacção de Kutuzov e a (forçada?) retirada de Napoleão de solo russo, que vão a par com a lenta aproximação do Inverno, despertam-me sensações e atitudes contraditórias, à medida que avanço para o final de "Guerra e Paz". Se a inacção bélica e o recuo parecem contagiar-me ao ócio, verifico, entretanto, que a velocidade de leitura, deste terceiro volume da obra-prima de Tolstoi, tem sido maior. Das 10/15 páginas iniciais, passei para as 20/25 páginas diárias, que faço à luz natural da varanda a leste, pelo fim da tarde.
Natacha, lentamente, desperta do desespero; já morreram André e Pétia, e Pedro, o mação bom-selvagem e marido atraiçoado, encontra-se num estado lastimoso, do ponto de vista físico, quando os compatriotas o libertam de prisioneiro dos franceses. A situação de desgaste dos dois exércitos acentua-se, ferozmente, sobretudo o das tropas napoleónicas. Mas os soldados russos, transidos de frio, com os 18º negativos, têm que abater bétulas, todos os dias, para fazerem fogueiras e se aquecerem, minimamente.
Eu vou-me deixando trespassar de lassitude e mornidão, pela amenidade dos 26º, positivos, que inebriam a varanda a leste.

domingo, 17 de maio de 2015

Pequena história (34)


A leitura de um romance, bem construído, cria quase sempre inesperadas associações, abre ramais noutras direcções, alargando os horizontes.
O general Mikhail Kutuzov (1745-1813), derrotado por Napoleão na grande batalha de Borodino (1812), segundo Tolstoi, no seu "Guerra e Paz" (Tomo II, pg. 371), por essa altura, andava a ler Madame de Genlis ("Os Cavaleiros do Cisne") e Madame de Souza, em língua francesa.
Intrigou-me esta última senhora, com apelido português. Depois de aturados esforços, vim a saber-lhe o nome todo: Adélaïde-Emilie Filleul, marquesa de Souza-Botelho. Filha de uma amante de Luís XV, nasceu a 14 de Maio de 1761, tendo falecido no ano de 1836. Escreveu vários romances. E, em 1802, o embaixador português em Paris, José Maria de Souza Botelho Mourão e Vasconcelos (1758-1825), 2º Morgado de Mateus, casou com ela, em segundas núpcias - era viúvo. A benefício de inventário, deve-se a este Morgado de Mateus a construção do magnifico solar homónimo e uma não menos preciosa edição de "Os Lusíadas", publicada a expensas suas, em Paris, no ano de 1817, com ilustrações de F. Gérard e Fragonard, entre outros ilustres pintores e gravadores.
E eis como, indirectamente, um português veio dar ao "Guerra e Paz", de Leão Tolstoi...

domingo, 23 de novembro de 2014

Por arrasto


Veio à colação associativa o título Guerra e Paz - em livro -, porque também titulava o colóquio do Nexus Institute, onde a pianista Tamar Halperin (1976), sob o olhar suspenso mas apreciativo de Andreas Scholl, interpretava Alessandro Marcello (e que linda peça musical, não percam!...), inserto 3 postes abaixo, aqui no Blogue.
Ora trancreva-se, então, o pequeno trecho de "Guerra e Paz" e em palavras de Leão Tolstoi:
"Davout era o Araktcheiev do imperador Napoleão. Com a diferença de não ser poltrão, era meticuloso como o seu émulo russo, como ele cruel e incapaz de provar a sua dedicação ao senhor de outra maneira que não fosse pela crueldade.
Nos rodízios de um Estado são necessários tais homens, como são necessários os lobos na natureza; existem sempre, sempre eles se mantêm, por mais absurda que possa parecer a sua presença junto dos chefes do Estado, ou a sua intimidade com eles. Por esta absurda necessidade pode explicar-se como é que esse cruel Araktcheiev, que arrancava, com as suas próprias mãos, o bigode aos granadeiros, incapaz, aliás, por fraqueza nervosa, de afrontar o menor perigo, como é que esse homem, sem cultura, destituido da menor polidez, pôde conservar tamanha influência na natureza nobre, cavalheiresca e terna de um Alexandre? ..."
( Guerra e Paz, volume II, página 230)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

De que cor era o cavalo branco de Napoleão?


O título deste poste era a pergunta retórica de uma adivinha ingénua da minha meninice.
Em relação a Napoleão, dizem as crónicas, que o seu guarda-roupa, em 1811, não era muito avantajado: 2 robes, nove casacos, 4 chapéus... Mas com características tão próprias que, no meio de gente bem vestida, logo se reconhecia o Imperador dos franceses, pela singularidade da sua indumentária.
O bicórnio, em imagem, terá sido utilizado por Napoleão, na batalha de Marengo (1800). Bem conservado, irá à praça, no próximo dia 15 de Novembro, em Fontainebleau, com mais quase 1.000 objectos de temática napoleónica. Prevêem-se grandes disputas e altas licitações: o mito continua...

sábado, 1 de novembro de 2014

À tarde, e em sequência de leitura


Com o tempo ameno que fez hoje dediquei uma pequena parte da tarde, na varanda, ao prosseguimento da leitura do segundo volume de "Guerra e Paz", de Leão Tolstoi. Cheguei até à página 230, um pouco depois da narração do início da invasão da Rússia, pelos exércitos de Napoleão, no Verão de 1812.
Como em qualquer romance, a obra tem pontos altos e de maior movimento, e momentos de distensão ou transição, em velocidade e ritmo de cruzeiro, onde cabem também algumas reflexões do autor. Em relação a estes últimos e abordando as razões múltiplas e absurdas da guerra, Tolstoi, metaforicamente, escreveu:

"...A maçã cai da árvore quando está madura. Porquê? Será porque é atraída para a terra, será porque seca o pequenino pedículo que a sustenta, será porque o sol a amadurece, porque se torna mais pesada, porque o vento a sacode, ou porque o garoto que está debaixo da árvore a quer comer?
Nada é uma causa, tudo é apenas concordância daquelas condições em que se realiza cada acontecimento vital, orgânico, elementar; e o botânico, ao explicar-nos que a maçã cai porque o tecido que a constitui se decompõe, tem tanta razão como o rapaz debaixo da árvore ao dizer que a maçã caiu porque ele queria comê-la e tinha rezado para que isso acontecesse. ..." (pgs. 218/9).

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Turner final



Até 25 de Janeiro, do próximo ano, estará patente na Tate uma exposição intitulada Late Turner, composta por cerca de 200 obras da última fase do grande pintor inglês. Nestes quadros, é notória a premonição do impressionismo que, décadas mais tarde, faria a sua aparição em França.
Os densos tons escuros, bem como as vaporosas manhãs luminosas não excluem, porém, pequenos sinais e minúsculos detalhes realistas que só uma atenção concentrada permite vislumbrar. Como, por exemplo, a pequena lebre ou coelho bravo do famoso quadro "Rain, Steam and Speed - The Great Western Railway", de 1844, ou o ínfimo molusco (lapa?) que aparece próximo da figura de Napoleão, na tela "War - The Exile and the rock limpet", de 1842.
As fantasmáticas atmosferas da pintura de William Turner (1775-1851) ancoram-se ou resultam, quase sempre e no entanto, de uma grande preocupação pelo real e pelo seu tempo. O primeiro dos quadros referidos acima, provavelmente, terá sido provocado pelas impressões retidas, pelo Pintor, sobre o comboio e o grave acidente ferroviário, ocorrido 3 anos antes (1841), na véspera do Natal, próximo da ponte de Maidenhead, em que as carruagens abertas descarrilaram, provocando 9 mortos e 16 passageiros irremediavelmente desfigurados.
Sinal evidente da revolução industrial inglesa, esta tela ("Rain, Steam and Speed...") será das primeiras, na pintura europeia, a retratar o recente transporte ferroviário.

P. S.: aconselho vivamente a audição e visão, no Youtube, do vídeo "Turner, Rain, Steam and Speed - The Great Western Railway, 1844", com diálogo esclarecedor, pormenorizado (4m. e 26s.), sobre esta obra de William Turner.

sábado, 12 de abril de 2014

Citações CLXX


Nas revoluções há dois tipos de pessoas: os que as fazem e os que delas se aproveitam.

Napoleão (1769-1821).

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Já agora...


...e para manter a boa disposição, esta insólita notícia que o DN trazia, ontem.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A abulia e Cioran


Os extremos da abulia! Para lhe escapar, leio de vez em quando algum livro sobre Napoleão. A coragem dos outros serve-nos, por vezes, de tónico.

E. M. Cioran (1911-1995), in Cahiers 1957-1972 (pg. 16).

sábado, 8 de junho de 2013

Uma marcha de Ferdinando Paër (1771-1839)


Nascido em Itália (Parma), mas com ascendência austríaca, o compositor Ferdinando Paër era muito apreciado por Napoleão.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Pequena história (19)


Um oficial prussiano querendo rebaixar, junto de Napoleão - na altura, ainda oficial de artilharia -, a qualidade dos soldados franceses, ter-lhe-á dito:
- A diferença que existe entre os soldados prussianos e os soldados franceses é que estes últimos se batem por dinheiro, ao passo que os prussianos combatem sempre pela glória.
- Tem razão - terá respondido Napoleão - uns e outros combatem para ganhar aquilo que lhes falta.