Podemos levar um cavalo até à água, mas não podemos obrigá-lo a beber.
(Provérbio inglês.)
Provérbios ingleses:
Na sua infinita bondade, Deus deu a chuva aos ingleses para lhes fornecer um bom tema de conversa.
Anthony Chester
Custa a crer, mas foi como se fora um milagre: o jornal Público de hoje não dedica nem sequer uma coluna aos régios funerais ingleses - nada mesmo! Entretanto, laico que se arroga, consagra a imagem da capa e quatro abundantes páginas à morte do realizador suiço-francês Jean-Luc Godard (1930-2022). É obra!
Diz-me I. de A. M., e por ser ela a dizer eu acredito, que encontrou, a norte, junto ao contentor do papel, dois sacos de lixo com mais de duas dezenas de volumes da Enciclopédia Luso-Brasileira, abandonados à sua sorte, talvez para serem cremados ou guilhotinados. I. só não os recolheu porque tem a obra completa de 23 tomos.
Assim vai a leitura e cultura portuguesas...
Nos últimos anos, em Portugal, foram desaparecendo uma grande quantidade de lojas filatélicas (Eládio, Santana, Afinsa...), acompanhando, de algum modo, o fecho de livrarias e estabelecimentos especializados, que foram sendo ultrapassadas pelo voraz comércio da blogosfera e quejandos. Os mais significativos estabelecimentos de venda de selos para colecção chegaram a editar revistas próprias, como por exemplo o Mercado Filatélico (Porto), com colaborações e trabalhos bem interessantes de filatelistas portugueses de reconhecido mérito e saber. A revista portuense, de que editamos em imagem 2 capas, publicou-se durante mais de 20 anos. Tinha uma tiragem de 3.000 exemplares, nos anos 70, e custava Esc. 25$00. Outros magazines temáticos foram surgindo, embora de menor qualidade e mais curta duração. Hoje, quase tudo desapareceu. E faz falta para um maior aprofundamento e conhecimento da filatelia nacional.
O lado insólito ou a originalidade do enquadramento, são apenas dois dos elementos que nos fazem demorar o olhar e admirar melhor uma fotografia. O fotógrafo alemão Kurt Hutton (1893-1960), em 1934, trocou a Alemanha pela Inglaterra, onde viria a ter um papel importante como pioneiro do fotojornalismo, tendo colaborado, inicialmente, na revista Weekly Illustrated.
Viria, mais tarde, a lançar a Picture Post (1938-1957), publicação que teve grande sucesso e ombreou, em rivalidade, com a Life norte-americana. A naturalidade dos seus retratos (Churchill, Hitchcock, Ingrid Bergman...) e cenas quotidianas fixando, com realismo, a vida inglesa, justificam plenamente que Hutton esteja representado na Tate
Não sei se o Brexit foi, para o Royal Mail, motivo justificado e suficiente para a emissão de alguma série de selos, na Inglaterra. Em 1973, e após dois vetos da França personificados por Charles de Gaule (1890-1970), que recusava a sua admissão por desconfianças sobre a Commonwealth, desaparecido o General, o governo de Edward Heath (1916-2005), movendo influências e diplomacia, conseguiu que o Reino Unido ingressasse na Comunidade Europeia, facto que justificou a série filatélica, de três selos, em 1973, conforme imagem.
Mas logo quatro anos depois (1977), os correios ingleses não se esqueceram de celebrar, também em selos, a cimeira dos chefes de governo da Commonwealth... Razão tinha De Gaulle.
Creio que terá sido a Grã-Bretanha o primeiro país a aplicar tarjas fosforescentes nas estampilhas, para efeitos de controlo mecânico postal na correspondência. Isso aconteceu, inicialmente, no ano de 1969, sobre o selo da franquia 1sh. 6d., de Isabel II, que o catálogo Stanley Gibbons regista sob o nº 743 c., acima, em imagem.