Mostrar mensagens com a etiqueta Paul Gauguin. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paul Gauguin. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Citações CDXCVI

 

Recusem o negro, e esta mistura de branco e negro a que chamam cinzento. Nada é preto, nada é cinzento. Aquilo que parece cinzento é um composto de tonalidades claras que um olhar apurado sabe adivinhar.

Paul Gauguin (1848-1903).

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Pinacoteca Pessoal 192


Por entre um certo romantismo e um realismo muito próprio que, talvez pela proximidade geográfica, faz lembrar a pintura soviética da época, a obra do pintor finlandês Pekka Halonen (1865-1933) acolhe ainda algumas sugestões simbolistas de Gauguin, artista com quem conviveu em Paris.



A Itália, que visitou, deixou também marcas nalgumas das suas telas que privilegiaram o colectivo e a paisagem de tons esbatidos e suaves, muito originais. Um traço característico de Halonen era o facto de não se querer separar das suas pinturas, enquanto foi vivo.





quinta-feira, 27 de maio de 2021

Paul Gauguin : leitura e pintura

 


Creio que poderia apostar que o meu primeiro contacto com Paul Gauguin (1848-1903) foi através da leitura e não dos seus quadros. Aí pelos meus catorze anos, o meu professor de Inglês (Dr. Fabião) desafiou-me a ler The Moon and Sixpence (Um gosto e seis vinténs, na Colecção Miniatura), romance em que Somerset Maugham (1874-1965) efabulava a vida do pintor francês sob a personagem fictícia, mas bem elaborada, de Charles Strickland.



Por essa altura, o meu gosto incidia sobre as obras de Van Gogh e de Fra Angelico, para considerar apenas os extremos... Mas o pequeno romance de Maugham abriu-me a curiosidade para a pintura singular de Gauguin. De que eu destacaria, preferencialmente, um quadro, de 1902, pouco conhecido, intitulado Rapariga com Leque, pertencente ao Museu Folkwang, de Essen.






quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Pinacoteca Pessoal 155


Sendo esta temática individualizada e dedicada, normalmente, a um artista da minha preferência, abra-se, por uma vez, a excepção para contemplar três pintores que, por mero acaso, foram incluídos, simultaneamente, num mesmo leilão da Sotheby's. Cronologicamente, Honoré Daumier (1808-1879) com a tela "Antes da audiência".

Segue-se Henri Fantin-Latour (1836-1904), com um seu auto-retrato. E, finalmente, o pastel-aguarelado de Paul Gauguin (1848-1903) representando uma jovem rapariga, pintado entre 1885 e 1886. Das três obras, e se eu tivesse que escolher apenas uma, era com esta última que eu ficava.



Agradecimentos a H. N..

domingo, 12 de novembro de 2017

Lembranças de Londres (por entre Filatelia e Arte)


Faço, quase sempre, uma boa, embora demorada, digestão feliz das viagens que empreendo. Ainda que viajar me seja cada vez mais desagradável, pelo desconforto físico e mental das partidas e chegadas, das malas a carregar e dos processos burocráticos que lhes estão associados. Mas também pelo balbuciar inepto e inicial das primeiras frases gaguejantes em língua estrangeira, quando vou para fora de Portugal.



O dia (17/10/17), razoável para um Sol londrino, intermitente, não estava, de modo nenhum destinado à Arte, porque o tinha previsto para vir a ser consagrado a prosaicos assuntos de Filatelia. Dois números de rua, na Strand, me ocupavam o espírito: o nº. 399 (da Stanley Gibbons) e o 99, que ainda devia albergar o Stamps Centre, onde, em 1976, eu tinha comprado, afortunadamente, a um comerciante de origem polaca, um belíssimo lote de selos clássicos portugueses, por 50 libras. Mas, e como diz o povo, "o homem põe e Deus dispõe."



Saí na estação de Embankment e, atravessando uma rua transversal, dirigi-me para a Strand, paralela. O número 399 foi fácil de encontrar. Lá comprei o último Stanley Gibbons Stamp Monthly, com um interessante estudo sobre as emissões de selos do reinado de Jorge VI, e saí à procura do número 99, que sempre pensei ser no mesmo lado da rua, por também ser número ímpar, como acontece em Portugal. Não era, era quase em frente, mas só o vim a descobrir muito mais tarde, depois de passar pelo retrato do português Helder Macedo, no meio de vários outros professores ilustres, em fotografia de corpo inteiro, nas vitrines do King's College, e de ter visitado uma maravilhosa exposição na Somerset House.



Mas vamos por partes. Depois de calcorrear a Strand até ao fim, desenganado de encontrar o Stamps Centre, na volta, pelo outro lado da rua, por mero e feliz acaso deparei-me com um anúncio discreto, no passeio, a informar sobre uma exposição de pintura subordinada ao tema promissor de Da Renascença ao Impressionismo, na Courtauld Gallery que, integrada na Somerset House, ocupava seis salas, com pinturas esplêndidas de grande qualidade, e que iam de Cranach a Monet, passando por Gauguin e Van Gogh.



Tenho de confessar que nunca, em tão breve espaço de instalações, eu vi reunidas tantas obras-primas. O Adão e Eva, de Cranach, que iniciava a mostra, embora numa tábua pequena, era de uma perfeição admirável. Nunca também pensei lá encontrar  uma das versões de Os Jogadores de Cartas, de Cézanne, e, muito menos, uma variante primeira (?) de Le Déjeuner sur l'Herbe, de Manet, aparentemente inacabada e ainda algo incipiente. Mais O Balcão, de Renoir, um auto-retrato de Van Gogh e vários Degas. Só o quadro de Cranach, deixou-me fascinado, em frente dele, por uns bons cinco minutos de alumbramento e prazer...



Mas o que mais me surpreendeu, na verdade, foi uma escultura magnífica de Gauguin, para além do Nevermore, cuja obra eu pensava ser apenas constituída por pintura. O artista terá feito, em mármore, apenas duas esculturas. Uma do filho, Emil, e outra da esposa dinamarquesa, Mette. Foi esta última, de 1877, e única, que eu pude admirar na Courtauld Gallery, da Somerset House. Há um aspecto muito curioso no olhar da mulher. Normalmente - creio - na maioria dos rostos esculpidos, o olhar inclina-se para baixo ou está, no plinto que o suporta, à altura do olhar do observador visitante. No rosto de Mette, porém, o olhar dirige-se para cima, numa ascese que Gauguin quis, talvez, sugerir.




Só por esta escultura de Paul Gauguin valeria a pena eu ter entrado na Courtauld Gallery, da Strand, nessa manhã de  17 de Outubro de 2017, em Londres.

Comecei a tarde, já passava muito do meio-dia, a almoçar uma dose generosa de Fish and Chips, numa esplanada da Queensway. Que o Sol tinha aberto, esplendoroso, numa solidariedade alegre de beleza...

terça-feira, 24 de maio de 2016

Pinacoteca Pessoal 113


Da antiga Pintura Flamenga, que pontificou antes do predomínio da Renascença italiana, ninguém por certo diminuirá a excelência. Menos conhecida, no entanto, é a que se foi praticando ao longo do século XX, quer na Bélgica, quer na Holanda. Já por aqui falei de Eugène Laermans (1864-1940), um excelente pintor belga, que descobri há uns bons anos, num museu de Antuérpia, afortunadamente. Mas nunca tinha ouvido falar de Gust(ave) De Smet (1877-1943), não fora um postal bonito, que recebi de Antuérpia, anteontem. Nascido em Gand (Gent), De Smet é considerado o grande iniciador da moderna pintura belga. Começou impressionista, atravessou o expressionismo, para desembocar no cubismo de algumas das suas últimas obras.
A tela "La bonne maison", em imagem, é de 1926; Meditatie foi pintada em 1931, e faz-me lembrar alguma coisa de Gauguin. O relógio de parede parado nas 5 horas, é que me deixa na dúvida. Seriam da tarde, ou da madrugada? Talvez a segunda hipótese seja mais viável...


terça-feira, 10 de maio de 2016

Pinacoteca Pessoal 112



São vários os auto-retratos que Paul Gauguin (1848-1903) pintou, como também facetada é sua vida e errâncias. De Paris para Lima (Peru), de novo em Paris, Dinamarca, donde era a esposa e, finalmente, as Ilhas Marquesas, onde veio a morrer, já muito debilitado.
Mas também os seus amigos o usaram como modelo, a começar por Van Gogh. Eugène Carrière (1849-1906), classificado como pintor simbolista, fez-lhe dois retratos, pelo menos, que deixamos abaixo. Num deles abandonando, excepcionalmente, o tom quase monocromático, habitual das suas telas.

Finalmente, outro dos amigos, pintor post-impressionista como Gauguin, de nome Eugène Serusier (1864-1927) veio a pintá-lo como viandante incorrigível. Ou fadado pelo destino, numa busca incessante do espírito e de novas paragens de uma difícil felicidade. Assim:



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Pinacoteca Pessoal 85


A escultura tem sido minoritária nesta rubrica do Blogue. Por outro lado, e por razões algo subjectivas, a iconografia religiosa não é também muito frequente aparecer por aqui.
Quanto à representação de Jesus Cristo, em pintura  moderna, tirando Gauguin, Rouault e Dali, creio que pouco mais, daquilo que conheço, me entusiasmou, esteticamente.
No entanto, este "Cristo em Majestade" (1954/5), do escultor Jacob Epstein (1880-1959), judeu americano naturalizado inglês, colhe todo o meu agrado. A escultura pode ver-se na Catedral Llandaff, em Cardiff.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Pinacoteca Pessoal 48 : Salvador Dali


Vamos entrar no tempo de Páscoa.
Não haverá, porventura, tema recorrente mais repetido e executado, na pintura europeia, do que a Crucificação. A proliferação é tanta, pela iconografia religiosa ocidental, que quase me deixa indiferente, a mim que sou um agnóstico empedrenido e um pobre amador de pintura, com conhecimentos muito rudimentares. Porque me parece que as variações nessas inúmeras pinturas são mínimas e dependem apenas dos tiques característicos das escolas, ao longo dos séculos, do vestuário de época, do menor ou maior número de figurantes nos quadros. E da caracterização do Pathos expressivo dos rostos, que podem assumir crispação, dramatismo acentuado, ou apenas a expressão de uma compassiva serenidade, perante a morte de Cristo.
Apesar disto, das pinturas mais antigas, a Crucificação de Mattias Grünewald (Arpose, 2/4/10), não me deixa indiferente e considero-a uma obra-prima, também pelo dramatismo quase selvagem do tratamento do corpo de Cristo. E que faz toda a diferença, em relação a muitos dos quadros banais coevos. Preciso de vários séculos para chegar às obras de que volto a gostar pela sua simplicidade ou povertá: as crucificações pintadas por Gauguin (em 1889) e Rouault, em 1920. Mas a Crucificação moderna de que mais gosto, foi pintada em 1951, por Salvador Dali (1904-1989). Porque, ao fim de tudo, tem ainda algo de novo. 
Por isso, aqui fica.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Em busca da cor



Não é fácil explicar a errância de Paul Gauguin, nascido a 7 de Junho de 1848, em Paris. Nem se deve levar à letra "The Moon and six-pence", obra de ficção de Somerset Maugham baseada, em parte, na vida do Pintor. Tirando a sua primeira grande viagem, para o Peru, decidida pelos Pais, as restantes mudanças foi ele que as escolheu.
Viveu assim em Paris, Lima, Copenhaga (a mulher, de quem teve 5 filhos, era dinamarquesa), Londres e Taiti. E, até quase aos 40 anos, foi um eficiente corrector da Bolsa de Paris, até à crise que ocorreu, em 1883. Depois, começou a pintar e, com o mesmo afinco e rigor, à nova arte se dedicou com paixão. Nativo dos Gémeos, de si próprio dizia, em carta à Mulher: "...tenho uma dupla natureza: sou uma criatura muito sensível, mas também sou um Pele-Vermelha..."
Em contra-corrente em relação ao Impressionismo, procurou um regresso à arte primitiva (era um admirador de Giotto), na linha de um Puvis de Chavannes, mas de cores quentes e intensas, normalmente, que o Taiti favoreceu e justificava, nas suas telas.

Nota: o Auto-retrato, em imagem, feito em 1885, pertence a uma colecção particular suiça; a paisagem bretã, de 1889, é do acervo do Courtauld Institute Galleries, de Londres.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Osmose (8)


O que viste?, como viste?, porque regressaste? Ou será que tudo não passa de um jogo com a vida, que acaba sempre com a morte?
Deixo amadurar os sentimentos com a acédia de que sou capaz, até chegar, naturalmente, aos limites prosaicos da razão. Para voltar aonde já estivemos é sempre bom e aconselhável esquecer.
Tento perceber que, quem tenha vivido na claridade, possa querer regressar ao nevoeiro, ao cinzento da "mais alta torre sobre o rio", às ruelas estreitas de granito que a chuva acaricia, de frio. Onde o róseo, muito raro, irrompe, às vezes, pelo fim do dia. Mas também sei que, com a idade, é muito incómodo e cruel mudar de pele ou de casa.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Somerset Maugham : "uma secreta primavera"


Somerset Maugham, inglês, formado em medicina, mas conhecido sobretudo como escritor e dramaturgo, nasceu a 25 de Janeiro de 1874. Foi um escritor de referência, na minha juventude. O primeiro livro que li dele, "The Moon and six-pence" ( "Um gosto e três vinténs", traduzido na Colecção Miniatura, nº 49), em parte baseado na vida de Gauguin, deixou-me uma impressão tão agradável que fui comprando, ao longo do tempo, todos os livros que podia, de Maugham. Esse primeiro livro, que li aos 14 anos, foi-me recomendado por um professor de Inglês, no liceu, de nome Fabião, e que mais tarde vim a reencontrar, na Faculdade de Letras de Lisboa, como professor de holandês. Na Faculdade, também, havia uma obra de Somerset Maugham, de leitura obrigatória - não me recordo é do título. Para lá das peças de teatro, contos e romances, Maugham escreveu ainda livros de reflexões e memórias: "Points of view", "The Summing-Up", entre outros. Deste último, que é uma espécie de balanço da sua actividade de escritor, passo a traduzir o início do capítulo XLVI, da edição da Penguin Books de 1963 (pg. 116):
"Sou escritor, como poderia ter sido médico ou advogado. É uma profissão tão agradável que não surpreende que um vasto número de pessoas a tenha seguido, mesmo que não tenham especiais qualificações para a exercer. É excitante e variada. O escritor é livre de escrever onde quer que seja e na altura que escolher; pode permitir-se preguiçar se se sentir adoentado ou com falta de inspiração. Mas é também uma profissão que tem desvantagens. Uma delas é que, embora o mundo todo e cada homem nele, e todos os pontos de vista e acontecimentos sejam a sua matéria-prima, o escritor só poderá abordar aquilo que corresponde a uma secreta primavera que está nele. A mina é incalculavelmente rica, mas cada um de nós apenas pode retirar uma pequena parte desse minério. Por isso, no meio da fartura, o escritor pode morrer de fome. ..."

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Caminhos na Encruzilhada


Há muito de comum entre Paul Gauguin (1848-1903) e Jacques Brel (1929-1978). Ambos, entre os 34 e os 35 anos, abandonaram uma vida familiar e financeira estável, para seguirem as suas vocações artísticas. Quer o pintor, quer o cantor belga, deixaram a França e foram viver para ilhas do Pacífico (Taiti e Marquesas). Ambos estão sepultados, creio, nas Ilhas Marquesas. De Gauguin falou pela ficção, e superiormente, Somerset Maugham em "The Moon and six-pence". De Jacques Brel, que hoje completaria 81 anos, as suas canções ainda podem falar por ele. Escolhi "Quand on n'a que l'amour" que foi o seu primeiro grande êxito, em Paris.
P. S. : para a "oliveira da eurídice" que, tal como Brel, também nasceu nos inícios da Primavera.