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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Dia de Camões e das Comunidades


Já aqui no Arpose falei (8/5/2011) do bom humor do nosso grande Poeta. E como hoje é dia de celebrar Camões, aqui deixo duas estâncias do chamado episódio de Veloso, marinheiro que se aventurou a ir a terra, durante viagem de ida para India, mas ia sendo mal sucedido e morto, se não fugisse correndo, para longe de alguns indígenas africanos, ameaçadores e sanguinolentos. O episódio espelha bem o sentido de humor do autor de Os Lusíadas. Como se pode ler:

...
E sendo já Veloso em salvamento
Logo nos recolhemos para a armada
Vendo a malícia feia e rude intento
Da gente bestial, bruta e malvada:
De quem nenhum melhor conhecimento
Podemos ter da Índia desejada,
Que estarmos ainda muito longe dela
E assim tornei a dar ao vento a vela.

Disse então a Veloso um companheiro
(Começando-se todos a sorrir)
Ou lá Veloso amigo, aquele outeiro
É melhor de descer que de subir:
Se é, responde o ousado aventureiro
Mas quando eu para cá vi tantos vir,
Daqueles cães, depressa um pouco vim
Por me lembrar que estáveis cá sem mim.
...

Luís de Camões, Os Lusíadas (Canto V).

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Camões e Portugal


Não mais, Musa, não mais, que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e da rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.

Os Lusíadas, Canto X.