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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Memória 133


A imagem reproduz, da Revista Vértice (nº 450/1, 1982), e do volume em homenagem ao escritor Carlos de Oliveira (1921-1981), a folha do livro de curso de licenciatura (Histórico-Filosóficas) concluída em Coimbra, no ano de 1947, e correspondente ao poeta. E em que colaboraram alguns dos seus ilustres amigos e confrades da escrita.


sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Memória 132 (sobre poesia, em geral)


Calhou, recentemente, ter adquirido, usado, Entre Duas Memórias (1971), de Carlos de Oliveira (1921-1981), que era o nº 21 dos Cadernos de Poesia, das Publicações dom Quixote. A pequena colecção, em tamanho, mas prestigiada em qualidade, tinha-se iniciado com Micropaisagem, em Novembro de 1968, livro de poesia inovador, também de Carlos de Oliveira.


Sobre o Lado Esquerdo (1968), da Iniciativas Editoriais, rompera já com um tipo de discurso com ressaibos neo-realistas que predominava ainda e se arrumava uniforme, ou pelo menos coerente, no volume Poesias (1962), da Portugália, volume 3 da colecção Poetas de Hoje, que abrangia toda a obra poética de Carlos de Oliveira, até Cantata (1960).


O revisitar dos poemas do escritor criou-me, agora, algumas perplexidades. Normais e justificadas, porque a inovação se atenuou com o tempo, menos claras porque a leitura me pareceu mais árida e abstractizante, mais experimental e menos agradável ao meu acompanhamento pessoal.


E constato, objectivo. Que, com os anos, me mantive equidistante e próximo da poesia de Eugénio de Andrade, me aproximei incomparavelmente, nos últimos anos (dele e meus), dos poemas finais de Herberto Helder. E me afastei, infelizmente, dos versos de Carlos de Oliveira. Salve-se, embora, o prosador de Finisterra ou de Uma Abelha na Chuva
Nem tudo se perdeu!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Diferentes velocidades


É provável que a velocidade de leitura de um livro seja proporcional ao prazer que nos dá.
Se "O Aprendiz de Feiticeiro", de Carlos de Oliveira, me ocupou, ininterruptamente, uma noite de Verão, quase em claro, já o primeiro livro que li (A história da Carochinha...) levou-me 3 dias a ler, porque a prática de leitura era nenhuma.
Os ritmos de leitura, por uma mesma pessoa, podem ser bem diferentes - é uma verdade de La Palice, que só recentemente compreendi na sua verdadeira extensão. E dependem, fundamentalmente, do interesse e gosto pelo livro e/ou pela acção da própria narrativa, e pela curiosidade (também) que desperta. Serão mais lentas, como é evidente, as leituras de romances de ideias ou ensaios.
Entre a parcimoniosa e lenta leitura que venho fazendo de "Guerra e Paz", de Tolstoi, na versão portuguesa de José Marinho, e a velocidade a que avanço na tradução/leitura do original (em francês) de La mort d'Auguste (1966), de Simenon, vai uma diferença de tomo...
Será, porventura, um sacrilégio, mas não tenho vergonha de o constatar, naturalmente.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

De Carlos de Oliveira, um poema


Cantiga do Ódio

O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração:
é como um dia sem sol
a raiva na servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa!
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?


Carlos de Oliveira (1921-1981), in Mãe Pobre (1945).

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Bibliofilia 87


Estas edições iniciais, com as capas em imagem, de "Uma Abelha na Chuva", de Carlos de Oliveira (1921-1981), não são muito frequentes em aparecer à venda - quem as tem, chama-lhes suas... Porque, além do Escritor fazer grandes revisões aos textos, foram ilustradas por dois dos maiores capistas portugueses. 
A 1º edição (1953), impressa na Coimbra Editora, tem capa de Victor Palla. A segunda edição, de 1960, publicada pela Editora Ulisseia, foi ilustrada por Sebastião Rodrigues sobre fotografia de António Sena da Silva. A terceira capa, a vermelho e dourado, pertence a uma edição especial de 1.600 exemplares ( o meu, assinado por Carlos de Oliveira, tem o nº 1.546), editada pela Limiar (Porto), em 1976, com 6 guachos de Júlio Pomar, concebidos para o efeito.
A título de curiosidade, lembro que Fernando Lopes (1935-2012), em 1971, realizou um filme homónimo, baseado nesta obra de Carlos de Oliveira.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Fernando Lopes (1935-2012)


Fernando Lopes faleceu, ontem, com 76 anos. Mas deixou a sua marca, no cinema português, através de filmes importantes como "Belarmino" (1964), "Uma Abelha na Chuva" (1971), numa adaptação do romance homónimo de Carlos de Oliveira, e "O Delfim" (2002) baseado na obra de José Cardoso Pires, entre outros.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Memória 63 : a geografia dos Cafés


Se formos capazes de evitar o derrame lírico e a nostalgia inútil, é sempre bem agradável voltar às ruas por onde fomos jovens. E os Cafés podem funcionar como marcos geodésicos para saber por onde andamos.
Primeiro terá sido o "Paulistana", mesmo em frente ao "Monte Carlo", para onde vi entrar, muitas vezes, o Carlos de Oliveira, que morava perto. Depois "A Cubana", de esquina, que ainda foi restaurante. Todos eles abatidos, já inexistentes.
O terceiro foi de frequência mais fiel e mais longa. O "Café Ceuta" frequentado pelo Tomaz de Figueiredo, onde entrava, às vezes, o actor Artur Semedo, que morava por cima, no mesmo prédio - se bem me lembro. Finalmente "A Ribalta" de bem curta duração, porque mudei para outras paragens, onde o "Montalto" passou a pontificar. Todos estes sobrevivem, e creio que se recomendam...
Avenidas Novas, que parecem velhas à memória.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os livros que temos e os livros que lemos


Há dias, no "Público", Pacheco Pereira cronicou sobre a possibilidade de leitura de um ser humano, ao longo de toda uma vida. Concluía que, um leitor regular e empenhado, no máximo, talvez conseguisse ler, ao todo, 4.000 a 5.000 livros.
É normal, quando alguém conhecido entra, pela primeira vez, nas nossas casas (quando elas estão cheias de livros), perguntar: "Já leu estes livros todos?" Até aqui há uns anos, eu costumava responder: "Só cerca de 80%..."; mas, hoje, a fasquia teria de ser posta mais abaixo. Para ser verdadeiro, teria de dizer: "À volta de 60-70%, apenas..."
E tenho várias pedras no sapato. Nunca consegui ler o "À la recherche du temps perdu" de Marcel Proust, embora já tivesse feito inúmeras tentativas. "A Morte de Virgílio", de Hermann Broch, é outra das minhas faltas. Mas o meu maior remorso é o "Guerra e Paz" de Tolstoi. Em tempos de extrema juventude, consumi a minha Mãe, para que me comprasse os 3 altos ( e caros na altura: 150$00 escudos) e grossos volumes da Editorial Inquérito (1957), com tradução de José Marinho. Minha Mãe, depois de muito instada, lá mos comprou. Pois, infelizmente e até hoje, nunca consegui passar da página 70.
Mas tenho esperança de que nem tudo esteja perdido. Também tinha vários livros de Graham Greene, na biblioteca, desde os meus vinte anos, e nunca os tinha conseguido ler. Uma vez, já depois dos 45 anos, peguei num deles ao calhas e, gradualmente, li-o todo, e todos os outros com enorme agrado. Quase com tanta voracidade como quando, em 24 de Maio de 1971, fiz perto de uma directa, sem dormir, a ler, do princípio ao fim, nessa noite, "O Aprendiz de Feiticeiro" de Carlos de Oliveira.