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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Osmose 115


São incertas, muitas vezes, as razões. Mesmo algumas daquelas que nos levam à acção ou tomadas de atitude, conscientemente. Fazendo-nos crer que há um super-dono invisível das nossas decisões.
Calhou a noite passada que eu tivesse sonhado com uns versos escritos de Sá de Miranda e, simultaneamente (?), com um dos Fernandos, meu amigo (que tive vários, com o nome, nesta vida).
Os sonhos, ainda.
E fico-me a pensar se foi Bergman, há dias, que me fez ir buscar Les Rêves, de Ernest Aeppli, à estante, para o reler, ou se foi a releitura do livro que me levou a bisar Os Morangos Silvestres, do realizador sueco, no Youtube.
As associações são terríveis e, ao mesmo tempo, discretas.
Até porque não consigo situar, em sequência, os meus actos com absoluto rigor temporal.
Que o inconsciente se rearrume, de novo e por si, à sua vontade! Na sua auto-gestão libérrima (?).


quarta-feira, 19 de março de 2014

Mercearias Finas 84


Eu já ia muito em cima da hora, para me dar ao luxo de passar pela ribeira - como costumo fazer - e onde há, quase sempre, aves inesperadas, para além dos quotidianos pardais ou dos patos, que vêm do Palácio, subindo as águas e debicando os limos das margens.
O restaurante, dantes tão ocupado, tinha apenas duas mesas com três clientes espaçados e, por isso, escolhemos lugar à vontade. Convidado, que era, escolhi, na mediania de preço, as pescadinhas fritas (de rabo na boca) com arroz de tomate, que sempre foram uma boa opção, por lá. O branco do Cartaxo, da quinta do sr. Abílio, na sua ligeira acidez citrina, combinou bem.
Mas não resisti a perguntar ao Fernando, se o ciclóstomo de água doce (anunciado, com destaque, na ementa) era à bordaleza ou com arroz de cabidela, malandrinho. "É como quiser!" - respondeu-me ele. Mas a escolha estava feita embora, se fosse eu a pagar, a lampreia tivesse sido a eleita, que já no ano passado me privara dela, ao passar no "Solar dos Presuntos", às Portas de Sto. Antão. E já tinha saudades...
Mas o Fernando é um empregado gentil, que me estima. A meio das pescadinhas, trouxe-me um pratinho dela, com uma posta generosa, em arroz de cabidela. "Gostava que me desse a sua opinião, porque fui eu que a preparei." - acrescentou. Estava óptima, no seu leve avinagrado tintoso, a saber a rio. Que não ribeira...
E foi assim que fiz a minha vernissage, este ano.