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sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Impromptu 62



Do Me duele España, de 1923, cunhado por Miguel de Unamuno (1864-1936), até ao Madrid me mata, de origem anónima creio, usado para caracterizar a Movida madrilena, medeiam cerca de 50 anos.
Não creio que os portugueses tenham aplicado tanto sentimento na prática nacional, como os espanhóis.
Será que são mais discretos ou envergonhados?

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Citações CXCIII


O paradoxo é o meio mais fulminante e mais eficaz de transmitir a verdade aos adormecidos e aos distraídos.

Miguel Unamuno (1864-1936)

sábado, 25 de agosto de 2012

Os portugueses, pelo Padre Juan de Mariana


Não conheço muitos testemunhos de escritores espanhóis sobre o nosso país e sobre os portugueses. Um dos mais polémicos, pertence a Unamuno que considerava Portugal um país de suicidas. Na sua época, teria algumas razões para o afirmar: Antero, Camilo, Laranjeira, Soares dos Reis corroboravam a sua opinião...
Outro testemunho, que conheço, é mais antigo. Do historiador e jesuíta Padre Juan de Mariana (1536-1624) que, na sua Historia General de España (1592), capítulo XIII, se refere assim a Portugal e aos portugueses:
"...O terreno na sua maior parte é estéril e delgado, tanto, que habitualmente se sustentam do que trazem do mar. A gente é muito ciosa de honra e muito valente entre todas as de Espanha, marcada pela temperança no comer e no vestir, dada à piedade e aos estudos de sabedoria, de grande humanidade e cortesia. ..."
Não saíamos mal no retrato, no século XVI, ao que parece.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O suicídio das corporações


Hoje, os três canais televisivos, nos seus telejornais, dedicaram grande espaço a um caso mediático da Justiça, e adjacências. Além disso, dois dos canais, ainda promoveram debate, um deles, e outro, uma entrevista com a Ministra da Justiça. Não será demais?
Era Unamuno que dizia ser Portugal um país de suicidas. É evidente que se referia a seres humanos e devia ter em mente: Antero de Quental, Camilo, Soares dos Reis, Manuel Laranjeira ... Mas, nos últimos anos, -  ao que temos observado - têm sido notórios os hara-kiris de diversas Corporações (aqui, no bom sentido), num espectáculo de morte assistida na praça pública, através duma antropofagia inter-pares. Professores, Juízes, Homens da Igreja, Políticos, Advogados... Poucas  Corporações escaparam ao suicídio. Até os Arquitectos, normalmente discretos, esboçaram uma tentativa de duelo mortal a propósito de um qualquer projecto de uma eventualmente polémica igreja a construir no Restelo ou Belém.
Eu penso que o que os motiva é a projecção mediática a qualquer preço, porque se fossem razões de fundo, essenciais à profissão, e técnicas, é evidente que as discussões deveriam ser em sede própria, acompanhadas de séria ponderação e discrição profissional.
É obvio que isto contribuiu, tremendamente, para a degradação da imagem das Corporações. Hoje, um professor não goza do prestígio que gozava aqui há 30 anos. Um médico é questionada na sua honra e conhecimentos por um zé-ninguém. Um polícia, em vez de ser respeitado, facilmente é sovado, na rua. Mas é bom lembrar que este denegrir das imagens profissionais começou por dentro, não veio de fora. E embora eu reconheça que se não deve generalizar, e haja em todas as Corporações, profissionais sérios, discretos e competentes, o vulgo não os distingue e a imagem que tem, é de descrédito e desconfiança.