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quarta-feira, 13 de março de 2024

Bibliofilia 211

 

Serão hoje de pouco uso os dicionários e enciclopédias, facto visível até pelo baixo preço que atingem em leilões e alfarrabistas, e pelos sites muito diversos que os foram substituindo nas novas tecnologias. Rafael Bluteau (1638-1734) e António de Moraes Silva (1755-1824), no entanto, ainda são nomes importantes e respeitados, sendo que o dicionário iniciado pelo primeiro, e reformado e acrescentado pelo segundo, editado em Lisboa, no ano de 1789, por Simão Thaddeo Ferreira, merece ainda crédito por ter sido a primeira sistematização moderna do léxico da língua portuguesa.
O meu exemplar em perfeito estado de conservação foi comprado por Esc. 8.500$00, em finais dos anos 80 do século passado, na rua do Alecrim, nº 44, ao sr. Tarcisio Trindade (1931-2011). Embora os dois volumes, juntos, não estejam encadernados, estão capeados em papel da época e de fino gosto, como se pode ver, abaixo.



quarta-feira, 9 de março de 2022

Dicionários e Enciclopédias temáticas



Estes Vademecum, sendo bem feitos, conscenciosos e elaborados por conhecedores da matéria tratada, têm um valor inestimável para amadores e para quem queira ficar a saber alguma coisa sobre os assuntos.
Nem tudo se pode encontrar por lá, daquilo que gostaríamos, e compreende-se, apesar das 1114 páginas cerradas deste Dictionaire des Interprètes et... (Robert Laffont, 1989), do chefe de orquestra Alain Pâris (1947) que orientou um grande número de colaboradores-especialistas. Comprei o grosso volume, usado, muito barato, há tempos, e valeu a pena.
O seu anterior proprietário vê-se que era um melómano e percebia bastante de música pelas anotações a lápis que deixou no livro. Uma das mais curiosas, embora pessoal, foi a que escreveu na entrada do pianista e chefe de orquestra espanhol José Iturbi (1895-1985), assim: 1º pianista que ouvi aos 15 anos. São também inúmeros os apontamentos de nomes de artistas que não constavam deste dicionário, de que eu destacaria o do pianista português Sequeira Costa (1929-2019).
Aliás não são muitas as entradas de artífices portugueses. A referir, cronologicamente:
- José Vianna da Mota (1868-1948), na página 861.
- Pedro de Freitas Branco (1896-1963), a páginas 381.
- Maria João Pires (1944), pg. 691.
Anotem-se ainda as entradas da Orquestra e do Coro da Fundação Gulbenkian, no capítulo das instituições musicais.
Como curiosidade final, não gostaria deixar de referir as entradas, nesta obra, dos 3 irmãos Marx, na sua qualidade, respectivamente de: Chico (pianista), Groucho (guitarrista e tocador de banjo) e Harpo Marx, como harpista.
Ainda assim creio que nenhum destes últimos músicos chegaria aos calcanhares de Sequeira Costa. Mas como lá diz o povo: Mais vale cair em graça do que ser engraçado...

sábado, 14 de março de 2020

Curiosidades 79


Vão desculpar-me, mas não vou falar do que toda a gente fala...
Recentemente, e aquando da releitura do romance A Sibila, de Agustina Bessa-Luís (1922-2019), deparei-me com o frequente uso, por parte de uma protagonista, da palavra Cantés! (pgs. 12, 18, 34...), que, de mim conhecida, há muito que já não via utilizada e não me lembrava sequer do seu respectivo significado. Releve-se o facto de que me não recordava de alguma vez a ter ouvido oralmente, em conversa, mas vira o vocábulo em algumas obras neo-realistas, no passado. A palavra, sempre a achara estranha.
Ao tentar saber o seu significado, verifiquei que o Houaiss não a registava, mas o simples Torrinha  (de 1945) indica-a, embora no singular, com a valência (Canté!) de: Quem dera!. O Dicionário Analógico, de Artur Bívar consagra o mesmo significado e também como: certamente!. O Moraes, na sua 3ª edição de 1823, também não o inclui (será o vocábulo moderno?). Entretanto, o Dicionário (1958) de José Pedro Machado refere em significado: Oxalá! Em nenhum deles consta porém a sua origem ou uso inicial...