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quarta-feira, 13 de março de 2024

Bibliofilia 211

 

Serão hoje de pouco uso os dicionários e enciclopédias, facto visível até pelo baixo preço que atingem em leilões e alfarrabistas, e pelos sites muito diversos que os foram substituindo nas novas tecnologias. Rafael Bluteau (1638-1734) e António de Moraes Silva (1755-1824), no entanto, ainda são nomes importantes e respeitados, sendo que o dicionário iniciado pelo primeiro, e reformado e acrescentado pelo segundo, editado em Lisboa, no ano de 1789, por Simão Thaddeo Ferreira, merece ainda crédito por ter sido a primeira sistematização moderna do léxico da língua portuguesa.
O meu exemplar em perfeito estado de conservação foi comprado por Esc. 8.500$00, em finais dos anos 80 do século passado, na rua do Alecrim, nº 44, ao sr. Tarcisio Trindade (1931-2011). Embora os dois volumes, juntos, não estejam encadernados, estão capeados em papel da época e de fino gosto, como se pode ver, abaixo.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Recomendado : trinta e oito - Bluteau


Para acompanhar e melhor fundamentar a sua exposição sobre o magistério e obras de Rafael Bluteau (1638-1734), em boa hora fez a BNP editar (2013) este magnífico catálogo organizado por João Paulo Silvestre.
Entre muita outra informação, lá encontraremos explicações sobre a origem, significado e uso de palavras tão diversas como: meco, pachorra, resmonear, trabucar, xué...
Aqui fica a recomendação. A tiragem é de apenas 750 exemplares.

domingo, 8 de julho de 2012

Idiotismos 2


Segundo Alexandre de Carvalho Costa, no seu "Gente de Portugal / Sua Linguagem - Seus Costumes" (Portalegre, 1981), a expressão idiomática Andar numa fona (que eu gosto imenso de usar, com o significado de: andar atabalhoadamente e depressa), pode ter várias origens, sobretudo pelo valor significativo de fona. A palavra, em si, pode ser considerada equivalente a "atafona", que quer dizer: azenha, moínho... Em Alcantara (Lisboa) há, por exemplo, uma Travessa das Atafonas, o que indicia lá ter havido, provavelmente, azenhas, talvez movidas pela água da ribeira de Alcantara, hoje soterrada. Neste caso, Bluteau atribuiu-lhe origem árabe. Mas Alexandre Costa informa também que, segundo Abílio Roseira a palavra fona pode ser uma corruptela abreviada de Mafoma - continuamos no domínio árabe...
E ainda deve ser considerada a possibilidade de a palavra ter o significado de "faúlha que se desprende do lume e volita no ar, já apagada e em forma de cinza". Mas há também uma pequena ave, tipo pardal, muito irrequieta que, em Miranda do Douro, é chamada fona.
Seja como for, a expressão, no essencial, vale por: andar numa lufa-lufa, numa roda viva.