
Canção
Quando eu morrer, meu bem amado,
Não cantes canções tristes para mim;
Não plantes rosas na minha cabeceira,
Nem ciprestes sombrios:
Sê tu a verde relva sobre mim
Com breves aguaceiros, pequenas gotas húmidas.
E se quiseres, lembra-te,
E se quiseres, esquece.
Eu não verei as sombras,
Nem sentirei a chuva;
Não poderei ouvir o rouxinol
Continuar, dorido, a cantar:
E, sonhando pelo crepúsculo
Que não desaparece, nem levanta,
Talvez, por acaso, me recorde,
Talvez me possa esquecer.
Christina Rossetti, 1848/1862.