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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Recomendado : onze - Janelas Verdes


O nome só por si, e para mim, é estimulante. Depois, vem-me à ideia António Nobre, e Lucas Cranach mais a sua "Salomé", do Museu, que agora (e hoje) eu pensava rever, mas foi emprestado, temporariamente, à Galeria Borghese, de Roma - fica para outra vez.

Por esta rua das Janelas Verdes andou o poeta do "Só", em via sacra, como o "Ecce Homo", quando já não era benquisto, por questões de saúde (tuberculose), noutras hospedarias de Lisboa, Belas e arredores. A "York-House" albergou-o, algum tempo, nesta mesma rua que teria verdes janelas. Quanto a mim, comi lá, há uns anos, uma magnífica Perdiz de Escabeche, bem acasalada com um duriense "Quinta de la Rosa", tinto, que estava no ponto - fica registado.

Mas o cerne da questão, aviso e conselho, é a exposição "Os Primitivos Portugueses" que encerrará dentro de 8 dias: não percam, recomendo. A mostra bisa, para melhor (creio) a homónima que se fez em 1940. Chamo a atenção especialmente para uma "Virgem da Anunciação", do Mestre da Lourinhã, com um leito rubro, no poscénio, que é um espanto. A Virgem parece nórdica, curiosamente. Também, a soberba simetria agressiva do "Martírio de S. Sebastião", de Gregório Lopes, para rever. E, "last but not the least", a novidade, em Portugal, da "Virgem com o Menino e Anjos" de Álvaro Pires de Évora, que o Museo Nazionale di San Matteo (Pisa) emprestou ao Museu Nacional de Arte Antiga, amavelmente. É também aconselhável reapreciar algumas obras, estimáveis, de Frei Carlos, no meu entender.

Pois é, "Os Primitivos Portugueses" só ficam até 27 de Fevereiro de 2011, nas Janelas Verdes. Relembro, e recomendo. E, se o orçamento o permitir, porque não uma perdiz, bem cozinhada, na "York-House"? Fica perto do Museu, e é na mesma rua. Gastronomia também é Cultura.

domingo, 7 de novembro de 2010

Desmanchar a regra


O pensamento é muito mais raro do que a emoção. E a exteriorização de um e de outra, quando singulares ou contra a corrente, manifestação raríssima. O silêncio é vasto, por timidez, atavismo rústico, ignorância crassa. Excepcionalmente, por extrema sabedoria. Já Eça falava do Pacheco, deputado, de calva luzidia e impenetrável silêncio. A afirmação de uma vontade raramente se faz voz, daí a irrelevância da sociedade civil portuguesa e o cinzentismo nacional. Caracterizado por uma resignação hipocondríaca no seu comodismo neutro e medíocre.
Por mero acaso, hoje, tive conhecimento de um Mestre pintor desconhecido vimaranense, do séc. XVI, autor de algumas obras (poucas), singulares e muito pessoais, ao arrepio da época em que viveu. Um dos seus quadros integra a exposição de Primitivos Portugueses que se fará em Lisboa. Na intimidade, os estudiosos e historiadores de Arte chamam-lhe o "pintor delirante de Guimarães". Voltarei a ele, provavelmente, em breve.

P.S. : que o António de A. M. me desculpe o roubo de um seu verso para título deste poste.