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quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Ao Princípio de Peter

 
Tenho pena que alguns dos actores de cinema que eu mais apreciava, pela sua qualidade e facilidade de representação, se tenham transformado, com o tempo, em cabotinos e canastrões estereotipados, muitas vezes, copiando-se a si mesmos, no estiloo de desempenhos. Cito alguns exemplos flagrantes: Jack Nicholson, Robert de Niro, Morgan Freeman e Al Pacino.
(Felizmente que ainda não perdi o sentido crítico!...) 

domingo, 19 de abril de 2020

Uma fotografia, de vez em quando... (139)


Nascido na Califórnia, em 1988, o norte-americano Philip Montgomery pertence à nova geração de fotógrafos profissionais, muito embora tenha já uma longa carreira. Tem vindo a trabalhar para  a Vanity Fair, The New Yorker, entre outras publicações, algumas das quais estrangeiras (The Guardian, por exemplo).
Foi-lhe atribuído o prémio World Press Photo em 2019. 



Retratista talentoso, alguns dos seus instantâneos são famosos e reconhecidos. A sua actividade, ultimamente, ancorou-se na realidade da pandemia e no dia a dia dos hospitais norte-americanos.


domingo, 19 de agosto de 2018

Música e Poesia LXX

Fellini teve a sorte de encontrar, em Nino Rota, o contraponto capaz ao seu génio. Mas, raramente, isto acontece: esse equilíbrio de divina proporção. E, com isso, as imagens acabam por ser obliteradas na memória do filme, pela música. Assim acontece, por exemplo, n'A Missão - filme menor, quanto a mim - largamente ultrapassado pela música de Ennio Morricone, apesar dos bons desempenhos de Robert de Niro e Jeremy Irons. Quantos de nós, provectos, não saberão assobiar, ainda, a marcha de A ponte do rio Kway? Ou atinar com algumas músicas de Bernstein, concebidas, especial e inspiradamente, para West Side Story. Alguém se lembra do nome do realizador do filme? Eu, não.
Kubrick, que era inteligente mas demasiado cauteloso, foi-se aos clássicos, desacertadamente. Se atinou bem - quanto a mim -, em Zaratrusta, banalizou-se, clamorosamente, no Danúbio Azul, que acompanha o movimento da nave, pelo espaço. Os Strauss, como família musical, nem todos eram magníficos. Assim como os Bach. Os genes evoluem, uns para melhor, outros, para pior...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Uma fotografia, de vez em quando... (89)


A Taschen reeditou recentemente um antigo, raro e esgotado ensaio de James Baldwin (The fire next time), acompanhado por cerca de 270 fotografias, 100 das quais a preto e branco, de muito boa qualidade, retratando o escritor afro-americano. Os instantâneos foram captados pelo fotógrafo nova-iorquino Steve Schapiro (1934).


Fotojornalista freelancer, o norte-americano tem obra extensa, que recua até 1961. Acompanhou a Marcha para Washington, dos Direitos Humanos, tendo fixado bons retratos de Martin Luther King e dos manifestantes. Trabalhou também para a Vogue e para a Life. E acompanhou as filmagens de The Godfather e Taxi Driver, de que ficaram expressivos retratos de Marlon Brando e Robert de Niro. Grande parte das celebridades cinematográficas da segunda metade do século XX não escaparam à sua objectiva.



Não será, certamente, um dos fotógrafos maiores do séc. XX (e quem sou eu, ignorante, para o afirmar?... ). Mas, mais do que o enquadramento feliz e a originalidade estética dos seus retratos, o sucesso da sua obra - parece-me - fica a dever-se, também, à capacidade histriónica (Buster Keaton e Woody Allen) ou à fotogenia (Paul Newman) de grande parte dos seus modelos.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A. C. : um retrato


Pela idade, estou numa época de balanços, nos índices da vida. Ontem, ao assistir ao filme de Robert de Niro, "The Good Shepherd" (cujo título parece uma piscadela de olho ao poema de William Blake), com Matt Damon, lembrei-me de A. C.. A personagem (Edward Wilson) interpretada pelo actor americano, embora fisicamente não fosse parecido, fez-me lembrar, pelo silêncio e serenidade aparente, a figura de A. C.. Que foi uma referência na minha infância e princípio da adolescência.
Aparentemente, A. C. seria alto, mas não estou seguro: aqueles balandraus, melhor dizendo, sobretudos, eram sempre grandes, quase chegavam aos pés, e pareciam dar mais altura a quem os vestia. A. C. tinha nariz aquilino, e sem cavalo - direito. O perfil era nórdico (talvez tivesse sido louro, na juventude) e o cabelo liso e todo branco. A pele, também, embora os vasos capilares, visíveis, dessem ao rosto uma aparência rósea. Parecendo longe, estava próximo: era muito atento, mas de forma discreta. A palavra era, nele, medida como se fosse ouro ou prata que gastasse, parcimoniosamente.
Foi com ele que visitei a primeira oficina de ourivesaria - uma imagem inesquecível na memória. Foi com ele que, pela primeira vez, fui à caça e vi um jogo de futebol. Mas quando lhe perguntava (porque o meu campo visual era pequeno) se tinha sido golo, nada me respondia. Era silêncio apenas (que eu, nas caçadas, escrupulosamente, observava), e serenidade. Nunca o ouvi gritar nos jogos de futebol, nem levava as filhas, para acompanhá-lo.
As mãos tremiam sempre, até quando levava o cigarro à boca - diz-me a memória. Hoje, dir-se-ia: Parkinson. Mas nunca o vi falhar um tiro a uma perdiz, a um tordo ou a um coelho bravo. E a condução do seu Dodge era feita com absoluta tranquilidade. Por isso...
Era o único homem, numa casa de três andares, onde viviam cinco mulheres. Daí, talvez eu entenda, hoje, o seu silêncio português, nos jogos de futebol. Que ainda respeito, e admiro.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Comic Relief (4) : nos 67 anos de Robert de Niro

Uma caricatura interessante de um dos grandes, e mais versáteis, actores americanos.