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quinta-feira, 9 de abril de 2020

Um CD por mês (12)


O facto de cerca de 15% da população luxemburguesa ser luso-descendente explica a facilidade com que conseguimos encontrar, nos supermercados luxemburgueses, sardinhas de conserva portuguesas, cerveja Sagres, pastéis de nata ou até mesmo bacalhau curado. Mas também os alemães da Land Rheinland-Pfalz se deslocam ao pequeno país vizinho, pela proximidade, para fazerem compras, dado que os preços são mais em conta, por exemplo os dos cigarros. Pelo caminho, compram-se outras coisas...


De uma das vezes que, de Koblenz (Alemanha), nos deslocámos à cidade de Luxemburgo, em inícios dos anos 90 do século passado, fomos a um gigantesco Centro-Comercial, que incluía uma bem apetrechada discoteca com milhares de CD's. A dificuldade foi a escolha, mas como eu tinha começado a descobrir e a gostar das interpretações muito profissionais de Alfred Brendel (1931), optei por um conjunto de 9 CD's compreendendo diversas das primeiras gravações do pianista.


O acervo das composições é muito interessante, sendo de destacar todos os 5 concertos para piano de Beethoven, assim como os 2 de Liszt. Brendel é dirigido por diversos maestros, nomeadamente, por Zubin Mehta.
O conjunto das gravações da Tuxedo Music vai de 1956 a 1964 - uma espécie de juvenília do pianista. Foram reunidas na Suiça, em 1991. E dei pelos 9 CD's, na altura 1.845 francos luxemburgueses. Não me arrependi: valeu a pena.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Mercearias Finas 152

                                                                                                         Deambulações enológicas

Por mero e feliz acaso fiquei a saber que no Luxemburgo também se produz vinho. Branco, pelo menos, bom e nas margens do Mosela, no sudeste do Grão-Ducado. Acompanhámos, num restaurante do aeroporto, um fricassé de frango e cogumelos, com arroz branco, de um muito agradável Pinot Gris (em Itália, seria Pinot Grigio) monocasta, levemente frutado e mineral, com 13º. Equilibradíssimo.


Nos dias precedentes, restritos em sólidos e líquidos por razões alheias, tivemos no entanto o acesso a uns Riesling de Trier, que se cruzaram, razoavelmente, com umas massas frescas com carne picada e salpicada de mozzarella a dar-lhe sabor - cumpriram, alemães e episcopais, a sua função de acólitos, com os seus 11,5º suaves e macios de textura.


Aguardando a vinda de amigos, para prova condigna e certificada, na adega outrabandista repousa um Châteauneuf du Pape, desde Novembro a abeberar. Desta vez, tinto, nos seus poderosos 14,5º, com Grenache, Syrah, Mourvèdre e Cinsault, há-de bater-se, com galhardia - estou certo! - com queijos curados portugueses, de feição e qualidade serrana.


Será para meados de Janeiro, a funçanata, a que certamente não faltará, antes, um bacalhau no forno, post-natalício.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Lang e Tati


A meio termo entre Metropolis (1927), de F. Lang, e Há Festa na Aldeia (1951), de J. Tati, ficaria talvez a Aldeia da Roupa Branca (1939), de Chianca e Beatriz, que poderia ser o aeroporto Sá Carneiro, no Porto, por onde também passámos, antes de regressarmos a Lisboa, provenientes, desta vez, do Luxemburgo.
O aeroporto da capital do Grão-Ducado reconciliou-me com o mundo das viagens aéreas, pela sua pacatez e dimensão humana, pelo seu serviço simpático. Sobretudo, depois de passar pelo inferno sofisticado e kitsch de Frankfurt, que me lembrou Fritz Lang ou, à volta, pela canhestrice lusitana mal-educada e parola das tias tripeiras da TAP-Porto, no check-in.
Foram quase duas horas luxemburguesas de cidade de província, com todos os aconchegos felizes, essas que nos repousaram e robusteceram de esperança, humanidade e fé nos outros, enquanto esperávamos o avião que nos traria de novo para Portugal. A destoar, apenas um bando de jovens africanos, acantonados em local à parte, que pareciam esperar a deportação - mas o mundo não é perfeito, já o sabíamos.

domingo, 18 de setembro de 2016

Filatelia CXV


O Bloco (filatélico), propriamente dito, aparece, pela primeira vez em 1923, emitido pelos correios do Luxemburgo. Destinava-se principalmente aos filatelistas, muito embora os selos pudessem ser destacados da folha ou no conjunto, que aliás em língua inglesa se denomina Miniature Sheet, e virem a ser usados como franquia postal em correspondência ou para envio de encomendas.
Os CTT emitem o primeiro Bloco português, em 1940, muito embora venha nele inscrita a data de 1939. Destinava-se a celebrar a Legião Portuguesa. Teve uma tiragem de apenas 10.000 exemplares e, sendo raro, tem hoje o valor mais alto dos blocos portugueses: 1.200,00 euros ( Catálogo Mundifil, 2016), novo e com goma íntegra, no verso.


Os Estados Unidos da América emitiram o seu primeiro Bloco em 1926, para comemorar a Exposição Filatélica Internacional de Nova Iorque. O Bloco em imagem, de 1947, que se mostra, é o oitavo na sequência cronológica, porque as emissões desta temática eram parcimoniosas e usadas apenas para difundir acontecimentos importantes ou datas históricas de relevo. Em cerca de 20 anos foram emitidos somente 8 Blocos pelos correios norte-americanos.



O Reino Unido, que sempre foi conservador na sua política de Correios, até tempos recentes - exemplo seguido por Portugal até 1976 -, emitiu o seu primeiro Bloco apenas em 1980, como se mostra. A partir dos anos 90, do século passado, políticas comerciais desenfreadas e oportunistas dos correios mundiais fizeram da emissão de Blocos não um acontecimento de celebração e excepção, mas um motivo de regra mercantil e lucro fácil, graças à conivência de muitos cegos e generosos, para não dizer perdulários, filatelistas. Assim se foram banalizando os Blocos...

sábado, 9 de agosto de 2014

A diáspora continua...


Estes números, que aparecem nos pacotinhos de açúcar dos cafés Nicola, não colhem a minha inteira confiança e parecem-me pouco rigorosos... Desconfio, grandemente, deste número redondo de 90.000 portugueses emigrados no Reino Unido, embora não tenha à mão elementos para o contraditório. Por outro lado, é sabido que, no Luxemburgo, a maior comunidade estrangeira é de nacionalidade portuguesa, constituindo cerca de 15 a 16% da população luxemburguesa total. Serão só 41.690? O português é também a terceira língua mais falada no Grão-Ducado. E até a Wikipédia regista 58.657 portugueses residindo no Luxemburgo. Pelo censo de 2012, havia 531.441 habitantes. Por isso, terei de concluir que estes números, sobre a emigração portuguesa, que aparecem nos pacotes de açúcar dos cafés Nicola, são uma ficção deslavada, sem grande rigor estatístico... 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Apontamentos 2: O desconcerto



Há jornais nacionais e europeus, como o DIE WELT, que, na ânsia de modelarem a cabeça dos cidadãos à semelhança dos políticos de 3ª escolha, que nos governam, evidenciam as flagrantes contradições do sistema financeiro e político.
Com efeito, depois do "tiro nos pés" com o congelamento dos depósitos na Ilha de Chipre, parece que nenhum político, participante em semelhante façanha, quer assumir as suas responsabilidades. 
Ora, segundo consta, não foram os "anõezinhos de Colónia" que andaram a cozinhar tamanho desaguisado durante a noite.
Depois, no mesmo jornal alemão, falava-se, embora num lugar meio escondido, das semelhanças entre a Ilha de Chipre e o Luxemburgo, com um modelo de negócios a ultrapassar em muito a capacidade económica do país. Como vem sendo costume, os jornalistas do DIE WELT esqueceram-se de um pormenor importante, i.e., o facto de serem cidadãos da Alemanha que carregam os seus depósitos para o Luxemburgo. A proximidade geográfica deve ser o único motivo, certamente.
Num lugar ainda mais escondido, e em flagrante contradição com a "lenga-lenga" habitual dos prevaricadores dos Sul, surgia a imagem acima - W. Schäuble no seu maior - e a noticia de que "graças à crise da dívida, Schäuble poupa" pelo menos 15 biliões de euros. 
Grande negócios à custa dos preguiçosos !
Por cá, não podia faltar a cereja no bolo, pela mão do Diário Económico, a citar um conselheiro sinistro. Parece, então, que Nogueira Leite chegou à brilhante conclusão de que "o povo se sente engando" (!)
Como dizia F. Assis Pacheco: "Não posso com tanta ironia".

Post de HMJ 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Que se cuidem!...


Lembram-se de quando as iminências pardas (ou parvas) anunciaram, a dada altura, que iam legislar e morigerar os desmandos das Agências de ratos (Rating Agencies)? Claro, nunca mais fizeram nada...
Pois, um dos grupos de ratos (a Moody's) acaba de informar que pôs sobre observação nada menos que a Alemanha, a Holanda e o Luxemburgo. Ou seja, preparam-se para ir ao Gouda...
É o primeiro passo para lhes baixar o rating, obviamente...As cândidas almas dos governantes da Europa do Norte achavam que a questão era só com o Sul. Nunca leram, ou leram mal Bertolt Brecht. Agora, que se cuidem! Ou, in extremis, usem abundantemente raticidas para arrasar esses parasitas miseráveis.