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sexta-feira, 15 de julho de 2022

Pirómanos



Creio que há situações que atingem  o pico da ironia. E a incoerência mais extrema.
Que António Nunes, ex-chefe da A.S.A.E., que foi apanhado, na altura do seu cargo anterior, a fumar, pecaminosamente, no Casino do Estoril, uma cigarrilha, quando era proibido, tenha sido nomeado chefe nacional da Liga dos Bombeiros, não lembra ao diabo... 


terça-feira, 7 de agosto de 2018

O fundibulário incontinente


Numa coisa, a prolongada crise no Sporting foi útil, para evitar a poluição palavrosa, por causa dos fogos. O palreiro de serviço, tão ocupado com o seu clube, deixou de defender os Bombeiros, seus subordinados, e de desdobrar-se,  nas televisões, em declarações inflamadas e apocalípticas sobre os incêndios em Portugal.
Haja saúde, ó Bruno de Carvalho!...
( Vai dando trabalho ao Marta.)

domingo, 3 de setembro de 2017

Especulação imobiliária e consequências


O penúltimo TLS (nº 5968/9), a propósito da recensão crítica ao livro Big Capital, de Anna Milton, referindo o pavoroso incêndio da Grenfell Tower de North Kensington (Londres), ocorrido a 14 de Junho de 2017, em que houve 79 vítimas, elenca a evolução da especulação imobiliária, na Grã-Bretanha, iniciada, com a política do Right to Buy, no consulado de Margareth Thatcher, em finais dos anos 70. Lembrei-me, por associação, da legislação sobre o imobiliário e rendas, que a ministra Assunção Cristas fez aprovar em anos bem recentes...
A colaboradora, do TLS, Katherine Hibbert, ao recensear o livro referido acima, exemplifica, de forma linear, mas expressiva, o deprimente espectáculo de uma cidade (Londres) em que: os bimilionários vão expulsando os milionários das suas casas, os quais, por sua vez vão comprando as casas dos ricos que, por seu lado, vão ocupando as casas dos pobres, remodelando-as. Até que, finalmente, os pobres, já sem casa na cidade, vão habitar a periferia e os subúrbios, em habitações de bairros sociais ou enormes torres de deficiente construção, com grandes vulnerabilidades de segurança...
Em Lisboa (e no Porto?), esta especulação sucessiva do imobiliário já se vai notando. Não virão a ser os mesmos os perigos e o futuro em Portugal?

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Apontamento 103: Falhas da Criação



Ora, olhando para a imagem acima, parece inacreditável. Cheias na Alemanha, mais propriamente na Baixa Saxónia.

Em Portugal e no Sul de França é o que sabemos: seca, calor e incêndios.

Ainda haverá quem acredite na perfeição da criação divina ? 

E a CIÊNCIA, senhores ? Não descobriu, ainda, forma de desviar a chuva para onde é mais precisa e partilhar o sol, alegrando os saxões e outros forasteiros com mais sol na terrinha deles para não virem para cá e encher as nossas ruas de turistas ???

Post de HMJ

quarta-feira, 19 de julho de 2017

As palavras do dia (29)


Do editorial de Stig Abell, no último TLS (nº 5963), a propósito de algumas vicissitudes que têm ensombrado a Inglaterra, destaco, em tradução despreocupada, o seu início, em que é feita uma crítica ao desempenho dos mídia. Assim:

Há um calculismo cruel inerente ao jornalismo: quanto pior é o acontecimento, melhor a história se torna. Boas notícias não são notícia. ...

Ao ler isto, relembrei-me da decepção estampada no rosto de uma jornalista da Sic-Notícias, aquando do incêndio em Pedrógão Grande, quando lhe afirmaram que não tinha caído nenhum avião Canadair, em Ouzenda. E ela insistia, qual menina mimada, caprichosa, teimosamente. Pobrezita!...

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O (mau) jornalismo, ainda


Se um raio que cai sobre uma árvore, durante uma tempestade seca,  pode provocar fogos de uma dimensão inimaginável, uma notícia incendiária pode também causar, seguramente, sobre criaturas menos informadas, mais sensíveis ou incultas, um movimento de reacção incontrolável, muitas vezes, de natureza política.
Quando, em 1963, estive pela primeira vez na R. F. A., tomei conhecimento de um jornal, de grande tiragem, intitulado: Bild. Os alemães esclarecidos diziam, com alguma sorridente ironia, que, quando se pegava nesse jornal, pelas pontas superiores das páginas, escorria, quase sempre, muito sangue...  
Hoje, ao contemplarmos com alguma atenção os mídia portugueses teremos de concluir, com alguma preocupação e pessimismo, que uma boa parte dos nossos jornalistas (?) procuram, sobretudo, a exclamação, a tragédia, o sangue, procurando excedê-los pelas descrições exageradas de um vocabulário paupérrimo. E servidos por um gesticular excessivo e expressões faciais de um mau actor de segunda classe.
Mesmo que para isso, e sem cruzar informações (regra básica de um bom profissional), dêem crédito ao mais rasteiro boato, para, empolgadamente, noticiarem desastres. Parece ser esse o seu único objectivo fátuo e festivo. E não a simples, mas correcta, verdade.

Aditamento (à temática: jornalismo)


Para avaliar o tipo de jornalismo indigente que se vem fazendo em Portugal, basta lembrar a inventona, ontem, da "queda de avião Canadair, perto de Ouzenda", que circulou pela quase totalidade dos canais televisivos, durante mais de três horas. Até vir a ser desmentida, categórica e oficialmente, pela autoridade de combate aos fogos, no briefing das 19h00.
Quem disse que, em Portugal, não havia fake news?

terça-feira, 20 de junho de 2017

O grau zero do jornalismo


Há sempre quem, de forma despudorada, se aproveite da tragédia dos outros, para daí tirar dividendos ou benefício. Mostrando, num exibicionismo vergonhoso disfarçado de compaixão, as imagens da desgraça. Já nos bastavam essas moles humanas indiferenciadas e imitativas que, desde a morte de Diana, e cacofonicamente, se apressam, de tempos a tempos, a encher de campos de flores, velinhas votivas e mensagens infantis, ou "je suis charlie", os locais, as ruas e as praças dos massacres e tragédias.
Mas sempre se esperava que, ao menos os jornalistas, soubessem respeitar condignamente o luto dos outros e os corpos insepultos. Pois nem isso aconteceu, agora, com a tragédia de Pedrógão Grande. Até uma senhora - curiosamente, também ela vítima de uma infelicidade pessoal, há poucos anos - da TVI, se pavoneou, escandalosamente, em reportagem, ao lado de um cadáver. Outros jornalistas de televisão imitaram este macabro espectáculo miserável, do ponto de vista humano. Chegamos, efectivamente, ao grau zero do jornalismo.

(Chamo a atenção para a exemplar crónica de António Guerreiro, sobre este assunto, publicada no jornal Público de hoje, e intitulada: As vítimas dos incêndios e da televisão. )


segunda-feira, 19 de junho de 2017

A solidária culpa


É normal, expectável, pavloviano, demasiado previsível  e humano que, perante uma tragédia, usemos as duas mãos em sentidos bem distintos. Uma, em sinal inequívoco e consternado de solidariedade humana; da outra mão, usamos apenas o dedo indicador, para  acusar com ira.
Numa configuração que parece derivar, em última instância, do pecado original da culpa, e numa tentativa primitiva de a branquear, através da denúncia do Outro, tentando colocar-nos do lado dos inocentes.
Sem tentar criar uma imaginária terceira via, ou absolver-me, eu creio que vale a pena reflectirmos sobre umas palavras singelas, mas certeiras, que J. P. P.  intercalou, hoje, na sua crónica do jornal Público. Assim:
"... A primeira coisa a dizer é que há certas calamidades naturais que não têm controlo. De todo. Não gostamos de admitir isso, porque afecta a nossa noção de superioridade humana sobre a natureza, mas não é assim. De todo. ..." 

( E se tiverem paciência de ler toda esta crónica, Natureza, homem, obra, vida ou morte, repito, paciência, e oportunidade, talvez possam avaliar melhor a tragédia. Com menos emotividade e imediatismo primitivo. Ainda que isso pouco possa adiantar, pela quantidade de vidas ceifadas, em Pedrógão Grande.)

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Desabafo (15)


Vou tendo cada vez menos paciência para poemas longos, que se desenrolam em versos repetitivos, que nada vão acrescentando, como o If do Kipling. Tal como me exasperam as perlengas moralistas ou retóricas sobre ninharias inúteis.
Vinte minutos contínuos, ontem, de incêndios no noticiário da TV. Penosamente vistos, inutilmente olhados. Contributo perverso para acicatar a coragem de alguns desarranjados pirómanos, que ainda não se puseram em campo, com os seus isqueiros de bolso?
Mas de que maneira um cidadão normal vê isto no ecrã televisivo? Com pavor? Com pena? Com caridade compungida? Ou como simples espectáculo - talvez desejo ardente dos directores de programas, sedentos de aumentar o seu share?
Não haverá meio de reduzir estas reportagens ao mínimo, a breves notas com discrição, evitando as vozes épicas ou empoladas de jornalistas enxundiosos e apalermados?

domingo, 14 de agosto de 2016

Gratidão


Pela crueza ardorosa dos incêndios, nem a silly season apetece.
Espreita-se a manhã a medo e é sempre o céu limpo ameaçador, o silêncio de não haver vento que traga nuvens, os acima de 30º, inclementes, um cheiro a fumo que vem no ar, sem origem visível.
E, depois, os exaustos bombeiros incansáveis, que só irão para o Algarve, se lá forem necessários...
Uma palavra de gratidão para os países que responderam, solidariamente, ao pedido de ajuda do poder político português. Há que nomeá-los, para que conste: Itália, Marrocos, França, Itália e Rússia.
(E a Europa aqui tão perto!?...)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Em tempo, ou da infelicidade de ter um incêndio particular


Não lhe sofremos directamente os malefícios, mas já nos bastavam os fogos na TV...
Atrás da terceira grande chaminé, à direita, a nuvem cinzenta diluída até parece o fumo dum vulcão.
Não é, é mais um incêndio, algures entre o Barreiro e Palmela - que não merece palavras ou comentários piedosos, nesta fornalha de Sol que foi o dia.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Ontem à noite


A fadiga alastra pelos membros, como uma caprichosa desistência física que parece requerer um vazio absoluto, um frio insentido sobre o fogo que lavra e que vai ceifando vidas jovens, árvores, animais, haveres. Naquilo que parece ser um destino fatal da nossa idade.
Há um cinzento que paira por cima de Lisboa. Um capacete de nuvens altas e que pode, até, ser apenas o fumo que se desloca e sobra do incêndio na Malveira. Uma espécie de luto simétrico e cúmplice compassivo ao tempo que nos atravessa a quase todos.
O cortejo e feira das vaidades, nos funerais, é um insulto.