Se eu disser que, em Braga, há 46 anos, amanheceu com céu limpo e foi um dia de calor, estou a falar verdade e com rigor. O passado, na nossa memória, regula-se e baliza-se por acontecimentos marcantes da nossa vida. Se me lembro que em 5/7/1970 esteve calor, isso é apenas um aspecto secundário de uma data importante, na minha vida. Que desencadeia um antes e um depois.
Acabei de ler, recentemente, o livro em imagem, na tradução portuguesa da Bertrand que me parece fraca e desleixada (houve, pelo menos 3 frases de que não percebi o sentido, a tradutora usou "repetidor" em vez de repetente, etc....), e cuja revisão foi descuidada, porque o livro apresenta inúmeras gralhas. Mesmo assim estas Memórias resistem, pela qualidade intrínseca do texto de Simone de Beauvoir (1908-1986).
O que me surpreendeu mais, no entanto, foi a minúcia com que S. de B. reconstruiu os tempos de infância e adolescência, numa altura em que já tinha 50 anos. Tudo me leva a crer que houve uma efabulação da realidade, consciente ou não. E que a ficção acabou por preencher os hiatos da memória, nesta autobiografia pormenorizada. Como, muitas vezes, também a nós acontece...
Acabei de ler, recentemente, o livro em imagem, na tradução portuguesa da Bertrand que me parece fraca e desleixada (houve, pelo menos 3 frases de que não percebi o sentido, a tradutora usou "repetidor" em vez de repetente, etc....), e cuja revisão foi descuidada, porque o livro apresenta inúmeras gralhas. Mesmo assim estas Memórias resistem, pela qualidade intrínseca do texto de Simone de Beauvoir (1908-1986).
O que me surpreendeu mais, no entanto, foi a minúcia com que S. de B. reconstruiu os tempos de infância e adolescência, numa altura em que já tinha 50 anos. Tudo me leva a crer que houve uma efabulação da realidade, consciente ou não. E que a ficção acabou por preencher os hiatos da memória, nesta autobiografia pormenorizada. Como, muitas vezes, também a nós acontece...












