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sábado, 22 de agosto de 2015

O avoengo A. O. de 1945


Pelo pouco que sei, o AO de 1945 foi muito mais pacífico na sua aceitação, por ambas as partes (Brasil e Portugal), do que o actual, embora também tivesse tido os seus detractores. Mas Getúlio Vargas e Salazar terão tido, com certeza, uma influência pesada e dissuasora, quanto a eventuais veleidades...
Apesar de tudo, parece-me oportuno deixar por aqui, e da Revista de Portugal (Vol. VII - nº 39 / Dezembro de 1945), uma pequena amostra do AO de 1945, através do início do seu texto programático.

com um envoi muito especial a Artur Costa, em seu O Linguado.

domingo, 5 de abril de 2015

A par e passo 131


Não será aqui o lugar mais próprio para abordar completamente o processo ortográfico (francês). O absurdo da nossa ortografia que é, na verdade, uma das fabricações mais ridículas do mundo, é bem conhecido. Ela é uma recolha imperiosa ou imperativa de uma quantidade de erros de etimologia artificialmente fixados por razões inexplicáveis. Deixemos o processo de lado, (não sem sublinhar até que ponto a complicação ortográfica da nossa língua a coloca numa posição de inferioridade, em relação a algumas outras. O italiano é perfeitamente fonético, enquanto o francês possui duas formas de escrever f, quatro de escrever k, duas de escrever z, etc.)

Paul Valéry, in Variété III (pg. 279/80).

Duas breves notas:
1. Não leve esta citação, meu caro Artur Costa, como uma picardia minha, ou tomada de posição em relação ao novo AO, de que é um intransigente defensor. Este poste é uma mera sequência, natural, dos anteriores, que tenho vindo a traduzir.
2. Olhando para as lombadas dos dicionários que uso, apercebi-me da aparente maior riqueza do vocabulário português, em relação ao da língua francesa. Enquanto o dicionário de Português-Francês tem  752 páginas, o de Francês-Português tem, apenas, 628.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Para MR e Artur Costa, e em resposta aos seus comentários no poste "Nada se perde, tudo se transforma"


Os dois postes de hoje (Manguel/Koons) tinham, propositadamente, embora de forma pouco perceptível, uma relação reflexiva e umbilical, de denúncia do mercado e seus agentes, na sua venalidade oportunista e  actual. O medo, a insegurança e a falta de sentido crítico permitem que o "rei vá nu", mas todos, ou quase todos, se calem.
No fundo, e de forma rude eu diria que se quer, por motivos óbvios, mas inconfessáveis, confundir estética com consumo, quantidade com qualidade. A arte que, na sua essência, deveria "elevar" e fazer pensar, desceu ao "lumpen" da facilidade literal, à indigência banal de poder ser compreendida por todos, sem ajuda nem explicação, porque a sua superficialidade não o exige. E o motivo é simples: vender, vender sempre e mais a toda a gente. As editoras fazem o mesmo... E os meios não importam. Cicciolina foi uma forma de Koons chegar a um nicho de mercado de difícil acesso e onde a "arte" não ia muito além do chinelo e da colorida lingerie. Com isso alargou, grandemente, o seu leque de clientes.
Depois, há uma legião de curadores, marchands, editores e "artistas" que precisam de ganhar vida, mesmo que seja a vender banha da cobra.
A benefício de inventário, há que dizê-lo: no panorama de desemprego e miséria actuais, Koons e J. Vasconcelos dão trabalho a muita gente e são uma espécie de mini-centro-de-emprego. Leve-se isso em conta dos seus pecados, até porque, se eu fosse elitista, teria que dizer que a Arte ou a Literatura são outra coisa...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Com a devida vénia a Artur Costa, o seu soneto regionalista


Soneto para dois mil e catorze

Caminhas, calhostro, sem destino,
Arrastado, vergado à camoeca.
Será a da vida ou a do vinho,
Que a tua cancha hoje tanto afeta.

Na janela avistas a camboeira
Que cor, que fragante delícia!
Tua mão avança, bem certeira,
Com fome, mas nunca com malícia!

A canema, atenta, sai da porta
E salta, aos gritos "É ladrão!"
Bates forte, e ela queda morta.

Foges!, já ruge a multidão.
Mas tropeças na caleja torta
E conseguem, infeliz, deitar-te a mão.

Artur Costa (1963).


Nota:  a leitura do primeiro comentário aos "Regionalismos transmontanos (19)" ajudará a compreender a inclusão desta glosa repentista e brilhante, que se fica a dever (com agradecimentos) a Artur Costa.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Nadir Afonso


De Nadir Afonso (1920-2013),  frequentei, sobretudo e aqui há uns anos, com alguma regularidade, os painéis de azulejos da estação de Metro dos Restauradores, por onde eu entrava em Lisboa. E as palavras que ele, cidadão do mundo, lá fez inscrever, que me lembravam Cesário e os seus versos de O sentimento de um Ocidental. Mas mais que as penedias transmontanas, desalinhadas e agrestes, o que eu lá via era a geometria limpa das grandes metrópoles e alguns céus estranhos de abstractas nuvens singulares, e em revoada. Era uma pintura que arrumava a alma, se assim o posso dizer, porque o sentia.
Nadir Afonso deixou-nos, hoje, com 93 anos completos. E soube-o através de Artur Costa, pelo seu blogue O Linguado. Os transmontanos nunca se perdem entre si...