Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Relvas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Relvas. Mostrar todas as mensagens

domingo, 27 de janeiro de 2019

No MNAC, pela manhã dominical



Batem as 10, no "sino da minha aldeia" que foi de Pessoa, ali pelo largo do S. Carlos, por onde o Sol foge à responsabilidade de ser dia, no céu desta manhã dominical ainda pardacenta. E a rua está quase quieta acompanhando de perto as margens do silêncio. Somos dos primeiros a entrar no MNAC.
Para os seus anos de vida, Carlos Relvas (1838-1894) trabalhou imenso, em fotografia. O acervo que o Museu, da rua Serpa Pinto, expõe, é amplamente significativo e documenta, de forma eloquente a sua obra, que cobre uma boa parte do século XIX português. A exposição temporária foi muito bem concebida.
A paisagem, só por si e erma de figuras humanas, apenas pela cor esbatida e pátina do tempo pode denunciar uma época, porque é eternamente semelhante - não tem modas, nem a volubilidade dos adereços que se vão alterando com os anos. As paisagens de Relvas quase podiam ser de hoje...

Não posso dizer o mesmo das pinturas de António Carneiro (1872-1930), nem dos quadros de Marques de Oliveira (1853-1927), que denunciam, pelos ademanes e indumentárias das suas personagens, o tempo em que foram feitas.
Ficaram-me na memória três tabuínhas de Pousão (1859-1884) tão encantadoras como as que há no  Museu Soares dos Reis, do Porto. Até me apetecia roubá-las. E trazê-las comigo...
O MNAC está melhor, desde a última vez que lá fui, mas a iluminação é deficiente e desleixada. E a representação artística, de pintura e escultura portuguesa, a partir dos anos 70 do século XX, deixa muito a desejar, pela pobreza do acervo. Há que ir, para complemento, ao C. A. M., da Gulbenkian... 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Bibliofilia 74


Teve destino aziago, este Infante D. Duarte (1605-1649), senhor de Vila de Conde e irmão mais novo do Duque de Bragança, mais tarde rei D. João IV. Participou, bravamente, em batalhas europeias mas, por retaliação de Filipe IV, de Espanha, foi aprisionado, em 1641, e passou os seus últimos 8 anos de vida, em cativeiro. Era muito estimado, em Portugal.
José Ramos-Coelho dedicou-lhe extensa biografia, em 3 volumes, editada em 1889, pela Academia Real  das Ciências, com desenhos de Lucas Beltrami e "phototypias do sr. Carlos Relvas". O livro raramente aparece à venda, e é muito apetecido, por obra minuciosa, de rigor histórico, com bom gosto gráfico. O meu exemplar, comprado há 3 ou 4 anos, está bem encadernado, em meia-francesa, e tem dedicatória manuscrita de Ramos-Coelho, a D. António da Costa. Apesar de algumas manchas de humidade, encontra-se em bom estado de conservação. Estava marcado por 60,00 euros, mas fizeram-me um bom desconto, aquando da compra.