Mostrar mensagens com a etiqueta Caravaggio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Caravaggio. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Caravaggio e o "chiaroscuro"


Em Montpellier, no Museu Fabre, mas também em Toulouse, decorrem exposições com o título de "Corps et Ombres" (Corpos e Sombras), até 14 de Outubro de 2012. Iniciado por Leonardo da Vinci, o "chiaroscuro" atingiu o seu desenvolvimento pleno na obra de Michelangelo Morisi da Caravaggio (1571-1610), tendo Georges de La Tour e Rembrandt como continuadores mais importantes. São estes pintores, os mais representados nas exposições referidas.
Diz o povo que "mais vale cair em graça do que ser engraçado", e Caravaggio nunca me caíu muito em graça, não impedindo esse facto de eu o considerar um dos grandes da pintura europeia de sempre. A sua vida sempre "à margem", a morte misteriosa, identificarem-no como "pintor e assassino" e a sua genialidade, no conjunto, contribuíram para a lenda e atracção que provoca. De algum modo, como Villon, Verlaine, Rimbaud, noutro patamar da Arte - a Poesia. Ser "artista maldito" tem algumas compensações...
Dito isto, o "chiaroscuro" que preside às exposições faladas acima. E reforçando a exemplaridade dele, na obra de Caravaggio, vale a pena citar um biógrafo (que não consegui identificar) que refere: "Levou tão longe o seu método de trabalho que não punha nunca ao ar livre e ao sol nenhum dos seus modelos, mas encontrava maneira de os colocar na penumbra dum quarto fechado somente iluminado por uma luz que descia do tecto incidindo sobre a parte principal do corpo e que deixava o restante espaço na sombra, de maneira que a violência do chiaroscuro reforçasse o conjunto". Como se pode comprovar, aliás, no quadro em imagem, intitulado "Mulher lendo a sina".

para MR e JAD, aficionados da obra de Caravaggio. E também para Margarida Elias, por óbvias razões.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pintura, o "top one" do Prosimetron


Hoje será, porventura, um dia propício ao nascimento de pintores. Em anos diferentes, neste mesmo dia 4 de Maio, nasceram o pintor inglês Thomas Lawrence (1769-1830) e o francês François Gérard (1770-1837) - dois artistas de primeira água, e de que eu gosto.
Por outro lado, e para quem está de fora, será fácil aperceber-se que o pintor Michelangelo Caravaggio (1571-1610), embora do signo da Balança, é objecto de particular devoção, por parte do Prosimetron. O seu nome é referido em mais de 20 postes, e a reprodução de obras do pintor italiano é inúmera.
Como andava às voltas com um livro sobre Simbologia e encontrei uma ilustração de Caravaggio, exemplificativa sobre a temática uvas (que também são do meu agrado), aqui vai a reprodução, com dedicatória aos prosimetronistas, nossos amigos. Evoé, Baco!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A dor e o relativo


Valorizamos mal, normalmente, um estado de equilíbrio. Pelo menos, sub-avaliámo-lo. Seja esse estado de origem psicológica, quer seja do nosso próprio corpo.
Houve um tempo em que, depois de uma intervenção cirúrgica, passei, durante cerca de duas horas, por uma dor profunda e, logo a seguir, por uma moínha dolorosa que me parecia ir-se prolongar eternamente. Teria sido um mês? Não o sei dizer, com rigor, mas foram vários dias.
Mas, subitamente, a meio de uma tarde e a meio da ponte sobre o Tejo, essa dor ou essa moínha pertinaz e dolorosa cessou completamente. Foi um momento concreto e total de felicidade.
Durou, no entanto, apenas o breve espaço da mudança, a que o corpo se habitua, e esquece. Dois ou três minutos, no máximo. Depois tudo voltou a ser normal e relativo.
Lembrei-me desse facto, hoje, ao ler uma frase de Cioran: "L'extase est une extremité atteinte." (O êxtase é um limite atingido.)