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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Sobre a Língua (portuguesa) e seus cultores


Eu respeito os frades, e não receio plagiar Eça de Queiroz afirmando que faz falta em cada geração um Castilho, imitador de frades; mas a Língua não faz profissão e não pode viver eternamente encapuchada no recolhimento de uma cela monástica. Herculano, mestre da prosa narrativa, mas propenso ao estilo tonítruo e oratório, tinha a mão um tanto pesada para esta tarefa. Coube a Garrett essa operosa e espinhosa missão, que nunca será suficientemente agradecida. Nem todos os autores se dispunham a descer num café do Cartaxo para o descrever, e levantar daí a mão para nos iniciar nos encantos da charneca ribatejana.

Álvaro J. da Costa Pimpão (1902-1984), in Gente Grada (pg. 24).

Nota pessoal: Álvaro Júlio da Costa Pimpão, tendo sido reitor de Liceu, foi depois leitor de português em Bordéus, vindo mais tarde a tornar-se professor catedrático da Universidade de Coimbra. Tive-o como mestre de Teoria da Literatura, creio que em 1963. Como episódio curioso posso informar que usava cerca de duas aulas para analisar a forma como Eça descrevia os modos diversos do bater das horas de relógio nos seus romances...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Bibliofilia 65 : Castilho



Nunca fui grande leitor, nem apreciador de António Feliciano de Castilho (1800-1875). Embora como pessoa, eu reconheça que foi um homem estimável e um dedicado pedagogo. Além disso, ele e Camilo foram amigos, o que só abona a seu favor. De Castilho, que cegou aos 6 anos por causa do sarampo, li, além de poemas de diversas antologias, "O Outono" (que possuo na 1ª edição, de 1863) e esta tradução de "As Geórgicas"  de Virgílio, impressa em Paris, no ano de 1867, e bilingue. Mas já outros  escritores nacionais as tinham traduzido, antes, e vieram a traduzir depois.
O que torna raro este livro, em imagem, é que, por desinteligências com os gravadores, das belíssimas 4 gravuras e do retrato do Poeta, poucos livros ficaram completos, no seu conjunto integral. A maior parte ficou sem as gravuras e sem o retrato, mantendo apenas o texto em latim e português. O meu exemplar está completo, bem encadernado e em bom estado de conservação. Foi adquirido em Lisboa, no final dos anos 80 do século passado, por Esc. 4.500$00, ou seja por cerca de 22,50 euros, na moeda actual.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Um poeta satírico vimaranense



É uma bonita edição, esta de 1904, com 40 gravuras, que Alberto Pimentel dedicou a efabular a vida do poeta vimaranense António Lobo de Carvalho que nasceu por volta de 1730 e veio a morrer em Lisboa, a 26 de Outubro de 1787. Chamavam-lhe o "Lobo da Madragoa", por lá viver, e Castilho disse dele: "... o Lobo / sem capa, bolsa, ou lar, mordendo em todos."
Para o lembrar aqui fica um soneto e uma décima, não tão "contundentes" como grande parte da sua obra.