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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Glosa 11


No seu livro Souvenirs de la Cour d'Assises, André Gide (1869-1951) refere:
Desde sempre os tribunais exerceram sobre mim um fascínio irresistível. Em viagem há, sobretudo, quatro coisas que me atraem numa cidade: o jardim público, o mercado, o cemitério e o Palácio de Justiça.

Se o turismo funerário está hoje na moda ( que o digam o Père Lachaise e o Cemitério de Praga ), os tribunais não creio que tenham sido, alguma vez, motivo de particular atenção para os turistas. Se alguns homens têm especial apetência pelos cafés e algumas senhoras se derretem pelas pastelarias (infâncias amargas?), o turista vulgar gosta sobretudo de sentir as ambiências e surpreender os costumes das cidades ou vilas estrangeiras.
Eu confesso a minha fraqueza pelas livrarias e museus, mas, quando vou a Barcelona, não resisto a dar uma volta por La Boqueria...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A bolha?


Para um observador minimamente atento, não terá passado despercebida, em Lisboa, a proliferação desmesurada de novos hotéis e hostals, nos últimos 2 ou 3 anos. Nem dos tuk-tuk, dos eléctricos turistizados, ou das pindéricas lojas de lembranças, na Baixa. Nem dos paquidérmicos paquetes que descarregam, aos milhares, turistas-rapidinhos, que chegam de manhã e zarpam ao fim da tarde.
A instabilidade sul-mediterrânica (e a moda frenética e efémera) fazem de Lisboa e de Barcelona, presentemente, destinos seguros e apetecidos (até quando?). Mas trazem consigo, também, aspectos de perturbação diversa, que afectam a tranquilidade do viver e trabalhar de muitos lisboetas.
A autarca de Barcelona (Ana Colau) mandou parar, para ver... Creio que foi uma atitude sensata.

sábado, 28 de junho de 2014

Algumas reflexões decorrentes da citação anterior


A riqueza cultural de uma cidade decorre, também e sobretudo, das actividades funcionais e normais do quotidiano do seu núcleo duro: o chamado Centro Histórico. Mas, para isso, é necessário que se mantenha o justo equilíbrio de oferta-procura e que o custo de vida permita uma normalidade acessível à maioria da sua população residente.
O boom turístico que atingiu Barcelona está a ser-lhe fatal, porque afectou os preços e fez disparar a especulação imobiliária, provocando um progressivo êxodo dos seus moradores, para as periferias, desertificando, mais e mais, o seu centro histórico.
É bem possível que o mesmo possa acontecer com Lisboa (e o Porto), cidades já depauperadas de moradores no seus centros nucleares. E que isso já esteja a suceder. Como diz o povo: O bom é inimigo do óptimo.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Sardana catalã

Embora um pouco tremeliques, este vídeo transmite o ritmo contagiante que se pode observar, e em dança, todos os domingos, pelo meio-dia, no adro da Catedral de Barcelona. Praticado com fulgor, devoção e alegria, em várias rodas humanas, por dezenas de catalães. Para quem vá a Barcelona, é um espectáculo a não perder, absolutamente.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Bairros de má fama


Aqui há uns bons anos, em Agosto de 1973, creio, para melhor conhecer Londres, passeei sem destino, uma tarde, até me encontrar num dédalo de ruas povoado por uma fauna particular, por vezes, exótica que me olhava como se, também eu, fosse um bicho estranho. Era o Soho - só depois o soube. Em 2008, aconteceu uma situação semelhante, em Barcelona, embora, de 10 em 10 minutos, passasse um carro, com "mozos de escuadra" que nos davam uma sensação de maior segurança. Era o bairro de Raval, onde abunda a prostituição, e muita gente árabe e do norte de África reside. Sobre o Bairro Alto, já sabemos o que foi. E o que é hoje, todo in.
Pois no último TLS (nº 5690) vem um artigo de página inteira, intitulado: Sex, dance and salami - but no drugs, em que se fala dos 130 acres de Londres, entre Marylebone, Convent Garden, St. James e Mayfair, ou do Soho, propriamente dito. O jornal refere que a zona, ainda em 1956, considerada "the sanctuary of political refugees, deserters, prostitutes...and pimps", é hoje um bairro chique apetecido, cosmopolita, centro de inovação culinária, discotecas de vanguarda e moda, muito procurado pelos londrinos e turistas informados.
Mudam-se os tempos...tudo se recupera. Qualquer dia, ainda assistiremos à transformação do Raval de Barcelona, em zona in, tal como o Bairro Alto e o Soho.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Para MR e JAD, em Barcelona: La Sardana







Já aqui falei da Sardana, dança de roda que, na Catalunha, já vem do séc.XIII. As orquestras, modestas é certo, usam apenas instrumentos musicais populares, mas a alegria e autenticidade dos dançadores catalães, exactamente, ao meio-dia de todos os domingos, no adro da velha Catedral, são quase enternecedoras. E permitem ver, à saciedade, o que distingue os castelhanos dos catalães. MR e JAD, se puderem, não percam!



domingo, 26 de dezembro de 2010

Osmose (5)


Os acasos transformam-se, tanta vez!, em circunstância.
Dizia-me L.R.T. : "- Olhe para os gestos inabituais, irregulares..." E tinha razão. Todos nós nos descuidamos, ou por cansaço, ou porque estamos distraidos, ou porque alguma coisa nos colhe, com força excessiva para nos defendermos. E vestir uma pele diferente tem que se lhe diga...
Fixa-se o nome de uma cidade (Barcelona, porquê?), um rosto no meio da orquestra (Weinachtsoratorium, Bach), o movimento de um corpo na berma da estrada que nos leva a uma praia... e nunca mais esquecemos. Ou como me dizia J., anteontem, alguém se senta ao nosso lado, por mero acaso, na viagem. Falamos, falamos, quase 3 horas numa empatia absoluta, e quando chegamos a casa damos conta que não lhe sabemos o nome, nem o contacto, sequer. Para sempre.
As emoções são breves, as paixões têm uma contrariedade que inflaciona o sentimento, mas os pensamentos na memória duram, muitas vezes, tempos infinitos.
Porque é que o cão, que está continuamente a ladrar, não enrouquece?
P.S.: para J. S..

sábado, 24 de abril de 2010

Favoritos XIX : Jordi Savall

"O homem não pode viver sem música" diz, a páginas tantas, Jordi Savall (1941) nesta sua pequena lição simples tão repleta de ensinamentos.
P. S. : para MR que, logo pela manhã e do Prosimetron, me lembrou Barcelona.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Memória 13 : Barcelona




Mais que Gaudí, e em contraste com a estridência de Madrid, a gentil sobriedade das gentes de Barcelona ficaram-me na memória. Bem como descer as "Ramblas" e deparar com o Mediterrâneo, passear pelo "Bairro Gótico" na Cidade Velha, percorrer o fascinante Mercado de la Boqueria, o decadente Raval. Ou, no adro da velha Catedral, ao meio-dia de domingo, velhos e novos descalçarem os "sapatos de ver a Deus", trocarem-nos por calçado mais folgado, fazerem rodas e nós ouvirmos a música e vermos dançar "La Sardana"...