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quinta-feira, 13 de março de 2014

Pensar francês


Corria quase pelo meio o século XIX, quando o Cardeal Saraiva (1766-1845) escreveu na Prefação ao seu Glossario de Palavras e Frases da Lingua Francesa, estas palavras, bem avisadas:
"...Este pensar francez, que melhor se entende doque se explica, não resulta de hum ou outro gallicismo, que indevidamente se haja introduzido, e que com facilidade se póde corrigir e evitar; mas consiste em tomarmos do francez hum modo particular de tecer o discurso, e hum certo ar, geito, ou estilo de fallar e escrever, que he proprio daquella lingua, e que não conforma com a indole, genio, e caracter da lingua portuguesa. ..."
Hoje, para as gerações mais recentes, o francês é quase uma língua desconhecida e perdeu toda a influência que tanto se sentia, em Portugal, até aos anos 60 e 70 do século passado. Entretanto, o inglês ganhou terreno e enorme espaço, sobretudo, no linguajar apátrida de algumas profissões. Basta reparar no dialecto dos economistas, consultores, gestores e CEO's, contaminados de todo pela subserviência aos termos e vocabulário norte-americanos...

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Francesismo


Quando via e lia a palavra acantonar, logo me lembrava da vida militar; logo a seguir, associava-a aos cantões da inefável e egocêntrica Suiça.
Agora, o que eu não sabia, e que o Cardeal Saraiva (D. Francisco de S. Luiz) informa, fundadamente, é que a palavra tem origem na língua francesa. Sendo que, de início, cantoner significava pôr ao canto ou, em sentido metafórico: viver em retiro. Mas o Cardeal  esclarece também (Glossario das Palavras e Frases da Lingua Franceza..., Lisboa, 1846) que o vocábulo fez a sua entrada oficial, na língua portuguesa, no ano de 1797, em documentação militar. E ainda hoje se usa para acampamentos de tropa.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

As palavras, ainda


As palavras têm vida incerta e evolução imprevista, muitas vezes. Umas irradiam, crescem, abarcam novos sentidos, coisas diversas na sua dinâmica própria. Outras concentram-se e intensificam o seu domínio. E outras ainda, simplesmente, perdem a utilidade, ficam no tempo - morrem. E nunca mais ressuscitam, a não ser fugazmente pela curiosidade de um antiquário ou algum arqueólogo de coisas perdidas, mais persistente.
Para mim, Chico, na sua vocalização, lembra-me, logo à partida e de imediato um amigo. De infância, que se chamava Francisco José, mas o Cardeal Saraiva (Obras Completas, IX, 1880, pg. 125) ensina mais do que isto. Aqui vai:
" Chico - Este vocábulo, nas antigas línguas, ou dialectos da Espanha, significava o que é pequeno. Assim (por exemplo), as pequenas ilhas, que há nas costas da Galiza se chamavam cicas. A serra que divide o Algarve do Alentejo se chamava monte-cico, donde fizemos Monchique. Os Galegos chamam chiquitos os meninos pequeninos. Os pequenos porquinhos chamam-se chicos, e chiqueiro o lugar em que se recolhem. Finalmente ajuntamos cico e cica a alguns vocábulos como terminação diminutiva, e dizemos cou-cica, lugar-cico, etc., por cousinha, lugarzinho, etc."

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Cardeal Saraiva


Francisco Manuel Justiniano Saraiva (1766-1845), mais conhecido por Cardeal Saraiva, minhoto de Ponte do Lima, foi homem culto, Patriarca de Lisboa (1840), maçon (sob o nome de Condorcet) e político liberal. As suas obras, póstumas (1872-1883), foram editadas pela Imprensa Nacional, antecedidas de um prefácio do Marquês de Resende. São um repositório "enciclopédico" que abrange várias áreas: léxico português, filosofia, história, etc..
Escolhemos, por opção de gosto pessoal, dar notícia de algumas palavras que o Cardeal Saraiva atribui a origem grega, dando o seu significado, e que constam do volume IX (1880) das suas Obras Completas.

Alazoar - gabar-se, pavonear-se;
Babão - tolo, estulto, insensato, que articula mal as palavras;
Calaça - preguiça, repugnância ao trabalho;
Cassão - termo indecente, com que a ínfima plebe costume apelidar as vis meretrizes;
Gramar - termo plebeu e chulo que significa comer;
Latagão - a plebe do Minho emprega este nome para significar um homem grandalhão, desamanhado, talvez tolo, brutal;
Malato - enfermo, debilitado de saúde, indisposto;
Ripar - é colher à mão algum fruto;
Sabana - vocábulo que se acha em antigos documentos e parece significar lençol ou toalha;
Xué - chamamos vestido xué o que é já tosado, rapado, safado do uso.

Nota: procedi a pequenas actualizações ortográficas.