Já por aqui o disse: nunca tive grande simpatia pelo cardeal Montini, esfíngico e diplomático, que se veio a tornar no papa Paulo VI. Para além de tudo fazer para desacelerar as medidas originadas no concílio Vaticano II, depois de ter recebido, no interior da Santa Sé, em audiência privada, Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Mondlane, veio a Fátima abençoar, publicamente, Cerejeira e Salazar, e oferecer-lhes uma rosa de ouro...
Soube agora que nesta pressa católica de novos mártires que irá santificar João XXIII e João Paulo II, também ele, Paulo VI, irá ser beatificado. Em abono da sua personalidade, um pormenor saboroso: João XXIII, na sua infinita bondade e perspicácia, alcunhava-o de "cardeal Hamlet", ao que parece pelo seu humor atormentado. O breve João Paulo I é que parece ter sido esquecido pela Cúria Romana, nestas apressadas promoções...


