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sábado, 17 de maio de 2014

Ambiguidades cristãs


Já por aqui o disse: nunca tive grande simpatia pelo cardeal Montini, esfíngico e diplomático, que se veio a tornar no papa Paulo VI. Para além de tudo fazer para desacelerar as medidas originadas no concílio Vaticano II, depois de ter recebido, no interior da Santa Sé, em audiência privada, Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Mondlane, veio a Fátima abençoar, publicamente, Cerejeira e Salazar, e oferecer-lhes uma rosa de ouro...
Soube agora que nesta pressa católica de novos mártires que irá santificar João XXIII e João Paulo II, também ele, Paulo VI, irá ser beatificado. Em abono da sua personalidade, um pormenor saboroso: João XXIII, na sua infinita bondade e perspicácia, alcunhava-o de "cardeal Hamlet", ao que parece pelo seu humor atormentado. O breve João Paulo I é que parece ter sido esquecido pela Cúria Romana, nestas apressadas promoções...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Curiosidades 41 : religiosas


Do livro "Diccionario de Invenções, Origens..." (1876), já aqui referido e da autoria de Alberto Pimentel (1849-1925), transcrevemos:
"Eminencia (Vossa). - Foi o papa Urbano VIII que concedeu aos cardeaes o tratamento de eminencia, a 10 de Janeiro de 1631; até então tratavam-se por illustrissimos. Ao depois o mesmo tratamento foi estensivo aos eleitores ecclesiasticos e ao gran-mestre de Malta.
Extrema-unção. - A instituição do quinto dos sete sacramentos da nova lei é mencionada em S. Marcos, Acto VI, vers. 13, em S. Thiago, Acto V, vers. 14. Na egreja grega, os padres simplesmente benziam do mesmo modo que os bispos, o oleo empregado na extrema-unção. No Oriente é necessaria assistência de 7 padres para que a administração d'este sacramente seja legal. A egreja latina reccomenda cinco unções para os cinco sentidos; mas uma só feita à cabeça basta para a validade do sacramento."

Aditamento (pessoal): ao contrário do que se julga, o mais curto papado não foi o de João Paulo I (1912-1978), que durou cerca de um mês; mas o do papa Urbano VII (1521-1590) antecessor, em nome, do papa referido na primeira curiosidade, e representado na imagem deste poste. O pontificado de Urbano VII durou apenas 12 dias, após ter sido eleito em conclave. Morreu de malária.

sábado, 3 de abril de 2010

Contra a corrente : Papas e Papados



Sendo agnóstico, mas tendo sido católico praticante quase até ao fim da minha adolescência, o "meu" Papa de referência é João XXIII. E nasci ainda e durante o Papado de Pio XII. Sempre achei Paulo VI excessivamente "florentino" e diplomata, para o meu gosto. João Paulo I foi apenas a promessa de um sorriso, de tão breve. João Paulo II incomodou-me, sobretudo, pela exposição da sua agonia, em público, e o seu "ronco", quase final, pela Praça de S. Pedro, quando já não conseguia falar - e o quis fazer. Era preferível, sem dúvida e no meu entender, um apagamento discreto e gradual, humildemente cristão. Evitando aquela exposição que sempre me fez lembrar os pedintes, na rua, a mostrar as suas chagas. Havia algo de exibicionista, em tudo aquilo. E o "voyeurismo" da nossa sociedade do espectáculo é o que se sabe.

Ontem li, no "Público", um artigo de opinião do ex-director do jornal, José Manuel Fernandes, intitulado "É arriscado escrever sobre estas coisas. Não estão na moda", sobre o actual Papa. Tirando um ou outro pormenor, estou de acordo no essencial. Daí, sendo eu agnóstico, avaliar o ainda curto Papado de Bento XVI, de forma positiva. É um Papa do espírito, ao contrário de João Paulo II que foi um papa do corpo e da carne. E este período pascal é uma boa altura para que um Papa que pensa e pensa, muitas vezes, connosco, seja bem acolhido ou, pelo menos, escutado. Quanto ao resto já sabemos, a Igreja é sempre lenta e morosa quanto a mudanças. Há que ter paciência e caridade...