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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Bibliofilia 227

 


Não será rara nem cara esta obrinha de 48 páginas, em imagem acima, pois se trata de uma impressão  facsimilada de uma edição de 1918 (tiragem de 100 exemplares), que Edgar Prestage promoveu, tendo por base o original Craesbeekiano de 1658, dedicado à rainha D. Luisa de Gusmão (1613-1666).
Este meu exemplar é de 1940, integrado na colecção dos centenários da Restauração, que hoje se comemora, e foi organizado pelo prof. M. Lopes d'Almeida (Coimbra), mais tarde ministro da Educação.
Do texto se diz que terá sido ditado por João Rodrigues de Sá e Menezes (1619-1658), 3º conde de Penaguião, ao Padre Vicente de Guzman Soarez (1606-1675), que, por sua vez, o escreveu. E bem.



sábado, 3 de dezembro de 2022

Mercearias Finas 184



Ora, como os dias se vão aproximando do Inverno, por cá se foram lembrando pratos mais substanciais acompanhados, naturalmente, de vinhos mais pujantes. No feriado restaurador veio à mesa um Cozido à Portuguesa, com todos os matadores, que se amigou com uma garrafa magnum de Monte Velho, da colheita do Esporão, do ano de 2017 - estava no ponto! E os nossos convidados renderam preito de  homenagem a ambos.
Como é habitual, das carnes sobraram algumas que HMJ, no seu preclaro pensamento gastonómico, resolveu usar num Rancho apetitoso no dia seguinte. Fi-lo acompanhar de um mais ruano Vila dos Gamas recente (2021) lotado de Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, nos seus 14º, que em nada desmereceu as outras vitualhas sólidas. Um pequeno ananaz dos Açores, saborosíssimo, fez de sobremesa.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Bibliofilia 117


É extensa a quantidade de publicações que se integram na temática da Restauração, algumas delas, raras e muito procuradas. Não é o caso desta Gazeta, que aparece em imagem, porque se trata apenas de uma edição fac-similada (1941), promovida pela Imprensa Nacional para comemorar o tricentenário da Restauração da Independência.
A Gazeta é considerada o primeiro periódico português, e as notícias, sem título, seguem-se umas às outras, numa amálgama muito diversificada, como se poderá ver pela segunda imagem.

domingo, 5 de outubro de 2014

Corrigir o tiro


Não deixa de ser curioso constatar que nenhum português republicano, à partida, se exima de celebrar o 1º de Dezembro, ou relembre sem alegria, historicamente, essa data nossa e colectiva de restauração.
Em contrapartida, é também verdade que alguns (poucos, é certo) portugueses vejam este dia de 5 de Outubro, com grande irritação ou procurem transformá-lo numa outra data, muito menos importante, alternativa.
Claro que há muitas formas de democracia...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

De J. M. Fernandes Jorge, que a Restauração foi há 2 dias...


Breve questão do ser português

António nunca chegou a triunfar.
Miguel foi banido. Pedro morreu
pleno de bondosa sabedoria.
Carlos assassinado e os jovens
príncipes pereceram
apesar de Manuel ter sido rei
dois anos lhe chegaram de experiência
fértil e clara.
Eis o teatro das acções humanas, a
vida portuguesa: um campo
de paixões
forças brutais
artes sem qualquer finalidade duradoira.

J. M. Fernandes Jorge, in A jornada de Cristóvão de Távora primeira parte.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses IX : pequena história (2)



Nestes nossos tempos de "apagada e vil tristeza" (Camões dixit) da nova usurpação estrangeira (agora por via económica) é importante recordar a Restauração de que, amanhã, passa mais um aniversário e que, provavelmente, será pela última vez feriado nacional. Até porque, actualmente, há muitos Miguéis de Vasconcelos, sobretudo entre os economistas portugueses...
Em Guimarães, a dominação filipina e castelhana nunca foi bem aceite. Já em 1580, o povo vimaranense tomou partido por D. António, Prior do Crato, que a arráia-miúda conhecia, por ele ter frequentado a Universidade da Costa. Muito embora o alcaide da Vila, Fernão Coutinho, fosse afecto aos castelhanos. Venceu, entretanto, a força, a cobiça e o dinheiro.
Por essa altura e desde há muito que já havia a comemoração tradicional da vitória de Aljubarrota, celebrada todos os anos a 14 de Agosto, com uma procissão de N. Sra. da Oliveira, uma missa de acção de graças e um sermão sobre essa motivo patriótico. A missa era dita no exterior da Colegiada, junto ao Padrão do Salado, onde eram exibidos o loudel (colete alongado e acolchoado que se vestia por baixo da armadura) ou pelote e a lança pessoal que D. João I oferecera, em preito de gratidão, à imagem da Virgem da Oliveira. Ora, em 1638, presidia aos destinos da Colegiada o D. Prior Bernardo de Ataíde, o pregador sagrado escolhido foi o franciscano Fr. Luís da Natividade que era o Superior do Convento de S. Francisco, em Guimarães. Este franciscano era um patriota de alma e coração, e aproveitou a oportunidade para apelar aos sentimentos nacionais e à revolta. Olhando para o loudel, ia dizendo: "... Vejo-vos, pelote, velho e roto: vejo-vos atravessado com a vossa própria lança (...) Só me resta a consolação de ver-vos diante desta Virgem da Oliveira, que se uma vez vos livrou da morte, vos pode ainda ressuscitar a nova vida." E disse mais ainda: "...O Reino que nessa roupa o invicto Senhor D. João nosso rei dedicou e sujeitou à Virgem da Oliveira, quando o vedes em tal estado, nele vedes também qual esteja o Reino."
Menos de 2 anos e 4 meses, depois, foi a Restauração. 

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Bibliofilia 1: "Ramalhete..."





Este Opúsculo, impresso em 1642, na "Officina de Domingos Lopes Rosa. A custa d'Autora.", é da autoria de Mariana de Luna de que se sabe ter sido filha de um lente da Universidade de Coimbra, cidade onde terá nascido, e "ser inclinada à poesia".
O opúsculo é considerado "raríssimo" por Inocêncio (vol. VI, pág. 146). No leilão Nepomuceno havia 1 exemplar; outro pertencia à biblioteca do Conde de Sabugosa. A Livraria Coelho (Lisboa), em Outubro de 1932, vendia  um (lote 164) por Esc. 300$00. No catálogo da biblioteca de F. Palha é descrito um exemplar que está hoje em Harvard. A Biblioteca de Vila Viçosa tem também este opúsculo. Em 1992, a Livraria D. Pedro V, vendeu um exemplar completo (lote 545) por Esc. 16.000$00 (ca. 80 euros) e referia, na descrição, que Mariana de Luna (...) foi segunda mulher de Diogo Soares, ministro do governo espanhol, tendo vivido em Madrid...".
Ao nosso exemplar, incompleto, falta a última página (em branco).