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quinta-feira, 6 de julho de 2023

O separar das águas



Para um observador mais atento há, quase sempre, pequenos sinais de futuro no presente. O último Colóquio, na temática principal, dedica os artigos importantes a Eduardo Lourenço (1923-2020) e a Eugénio de Andrade (2023-2005), a propósito dos dois centenários de nascimento que se celebram este ano.
Porém há uma diferença de tomo*: o ensaista ocupa, em folhas de texto, muito mais do dobro das páginas que abordam o poeta, na publicação da Fundação Gulbenkian. Apraz-me lembrar Pessoa que dizia: "Como a família é verdade!". E tem peso, acrescentaria eu. 
Estão definidos, quanto a mim, os tempos de eternidade de cada um dos artistas nos arquivos do futuro...

* embora não fizessem como a BNP que, indesculpavelmente, omitiu por completo a celebração do centenário do Poeta.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Da crítica e da Poesia maior


A crítica, em Portugal, está pela "hora da morte", ou seja, vem tarde e a más horas - que os livros de qualidade já são recenseados no JL, quase como na Colóquio: com ano(s) de atraso.
Só no último JL (nº 1146) é que foi apreciado o último livro de Echevarría (Categorias e outras paisagens), saído em Outubro do ano passado. Quantas frioleiras, entretanto, lhe passaram à frente, em recensões de compadrio, sempre muito em cima da hora? Quando não em pré-apreciação e pré-publicação. Antes que esses livros desapareçam das montras das livrarias e recolham ao refugo dos armazéns, para serem depois expostos, em saldo, nas estações de metropolitano, em fugazes lojas de qualidade duvidosa e sazonal.
Aqui fica mais um poema desta Poesia difícil, mas maior:

Tornou-se, aos poucos, sensível
a tez da velhice. A mágoa
recolheu-se ao doce timbre
de azular-se na palavra.

E a palavra desceu
ao halo feliz da tez,
com a velhice a crescer
dentro da luz que se fez.