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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Divagações 217



É uma experiência singular termos à nossa disposição, para consulta ou leitura, um biblioteca alheia. Mais ainda enriquecedora se primar pela afinidade de gostos e/ou temáticas que são os nossos. E foi isso que me aconteceu, na ausência do dono e meu Amigo, durante três dias incompletos que lá passamos por casa dele. As deambulações livrescas saldaram-se por Mário Dionísio (A Paleta e o Mundo), Miguel Sousa Tavares (Cebola crua com sal e broa) e ainda duas obras de José Pedro Machado com artigos, sempre interessantes, sobre a língua portuguesa. O volume da Colóquio/Letras nº 106 (Nov/Dez 1988) também ocupou a minha atenção por uma evocação de Paula Mourão sobre os 40 anos de As Mãos e os Frutos (1948), de Eugénio de Andrade, e duas cartas inéditas de Aquilino Ribeiro para Carlos Malheiro Dias, apresentadas pelo filho dele, Fernando M. D.

grato reconhecimento a H. N..

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Bibliofilia 233



Ditos apreciados e de origem popular baseados sobretudo na experiência da vida, os provérbios, em Portugal, foram coligidos pela primeira vez, creio, em 1651, pelo presbítero António Delicado (1610-?) sob o título Adagios portuguezes reduzidos a lugares comuns, e impressos na Oficina de Domingos Lopes Rosa, em Lisboa. O livro continha cerca de 4.000 adágios. Mais tarde seria o impressor Francisco Rolland (1745?- 1820 ) a editar, em 1780,  os Adagios, Proverbios, Rifaos, e Anexins da Língua Portugueza, obra que veio a ter uma segunda impressão no ano de 1841. E foram-se sucedendo, maiores ou menores, antologias de provérbios, de que seria imperdoável não citar o Rifoneiro Português (1928) de Pedro Chaves, de que tenho feito largo uso, bem como O Grande Livro dos Provérbios (1996) de José Pedro Machado.
Ora, recentemente e por oferta amiga, veio ter comigo o livro cuja capa encima o poste, que abrange um conjunto de quase 5.000 adágios, e que saiu à venda no ano de 2004.
Grato reconhecimento a quem mo deu.

P. S. : talvez valha a pena referir, em aditamento, que já em 1555, de Jorge Ferreira de Vasconcelos, saira Eufrosina e de Francisco Manuel de Melo o póstumo Feira dos Anexins (1875), obras que faziam largo uso de provérbios e ditos populares nos seus textos.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Marcar o ponto

 


Desta selecção de 100 postes de José Cutileiro (1934-2020) que apareceram, entre 2014 e 2019, no blogue Observador de Vera Futscher Pereira (1953-2019), eu terei lido uma grande parte. Mas a releitura permitiu-me perceber que os textos, muito bem escritos, mantiveram a vivacidade, o humor e o saboroso agrado de leitura.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Bibliofilia 231

 

Há livros quase perfeitos. De conteúdo, no aspecto gráfico, até por vezes na sua proporção acertada e justa. Mas raras são as obras que cumprem todos os desideratos de equilíbrio. Este, cuja capa encima o poste, preenche, na minha opinião, o meu gosto estético geral. Pertence a uma editora francesa, que eu desconhecia, e a uma colecção Géants que inclui também volumes com citações de Coco Chanel, Yves Saint Laurent e Dalai Lama, entre outros. O voluminho saiu em 2010 e terá custado 9,90 euros, originalmente.



As fotografias e imagens que ilustram a obra são quase todas excelentes. Traduzindo, aqui deixo uma citação de Winston Churchill (1874-1965), alusiva à temática em questão:

"É uma coisa boa para as pessoas pouco instruidas ler livros de citações... As citações, uma vez gravadas na memória, ajudam a pensar. E elas dão vontade de ler os autores e de saber mais.


agradecimentos a H. N.

terça-feira, 31 de março de 2026

Do que fui lendo por aí... 75

 

Em 1885, dez pintores lisboetas abancaram em volta de uma mesa de cervejaria, enquadrados, já, para a posteridade. Eram jovens de menos ou pouco mais de trinta anos, em princípio de carreira, e em princípio de "escola" também, que começava a ser a naturalista, em descoberta pós-romântica do país - ou romântica ainda, necessária e fatalmente. O quadro destinava-se ao próprio sítio da reunião habitual. Abancados todos, menos um que, de pé, chapéu alto na cabeça e bengala sob o braço, como de propósito sai do quadro que ele próprio pintou, aliás - ou por isso mesmo.

José-Augusto França (1922-2021), in Malhoa & Columbano (pg. 21).

com agradecimentos a H. N.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Tentame de explicação



Fiquei surpreendidíssimo pelo baixo preço por que um Amigo meu comprou, num alfarrabista lisboeta, um livro da Gallimard que transcrevia conversas de Miterrand com Marguerite Duras. Mas também já tinha ficado entristecido, há anos, por os meus filhos não gostarem nem dominarem bem a língua francesa. Gerações...
Raros portugueses, hoje, conseguem ler o francês. Talvez por aí se possa  explicar o baixo preço da obra.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Próxima leitura



Com alguma perplexidade, tenho de concluir que há duas figuras da história de França que exercem algum fascínio sobre mim: Charles de Gaulle (1890-1970) e François Mitterrand (1916-1996). Talvez até mais do que qualquer dos nossos presidentes da República Portuguesa.
Sabendo disso, um bom amigo meu, a quem agradeço, emprestou-me este Hors-Série (em imagem), a cuja leitura irei dar prioridade.

sábado, 31 de janeiro de 2026

2 livros

 

É uma colecção bem estruturada, esta, e com capas esteticamente apelativas, que já leva, no seu percurso, pelo menos, 51 títulos, de autores nacionais e estrangeiros, considerados clássicos.
Oferta de bons Amigos, a quem, daqui, reagradeço.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Da última ceia do ano velho

 

Para memória futura, convém lembrar os exemplares ingredientes:

- 1 lagosta nacional.
- 1 alface portuguesa.
- torradinhas de bom pão.
- maionese Hellmann's.
- Vinho Chablis (Chardonnay) 2020 Domaine Fèvre (12,5º).*

* oferta gentil de um bom Amigo.

domingo, 9 de novembro de 2025

Produtos nacionais (35)

 

Chegou-nos o bolo-rei, tardio para o costume, mas valeu a pena, porque de aspecto é maravilhoso e bem promete. Bons Amigos se lembraram de nós escolhendo o melhor, seguramente. Deus (se existe) lhes pague merecidamente a pré-natalícia mercê.
E nós agradecemos!

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Bibliofilia 225



Não é todos os dias que fico surpreendido com uma encadernação. Se não erro, quatro ou cinco me ficaram na memória, e duas delas tinham a marca do artesão profissional que as fez. Esta, da imagem acima e que me foi oferecida (Obrigado, H. N.), é anónima, mas uma linda obra executada.
O estudo, de Jacinto do Pado Coelho (1920-1984), sobre o poeta João Xavier de Matos (1730?-1789), é o mais extenso e completo trabalho que conheço sobre o vate, embora contenha uma ou duas imprecisões, que não desmerecem o valor do conjunto das 36 páginas integradas na miscelânea.



quarta-feira, 13 de agosto de 2025

O próximo

 


Emprestado pelo meu bom amigo H. N., de um autor de que partilhamos o gosto, este será o livro que se segue, na leitura. O título é todo um programa...

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Em louvor de uma editora

 
Houve tempo em Portugal em que as editoras tinham preocupações pedagógicas, quando não éticas. Guiavam-se também pelo lucro naturalmente, mas orientavam as escolhas das suas obras por critérios de qualidade literária. De David Corazzi a Rolland & Semiond, da Portugália aos Livros do Brasil, mais recentemente, comprar livros destas editoras era uma garantia de estarmos a adquirir obras de nível cultural. Hoje, são raras as empresas que pautam os seus critérios para lá do lucro, exclusivamente.



De fora, chegavam-nos também ecos da exemplaridade estética de algumas casas editoras. Uma das que eu tenho de memória era a empresa de Albert Skira (1904-1973), sediada na Suiça, que se especializou de forma magnífica em livros de arte e sobre pintores. Aqui a lembro, por imagem, através de um belíssimo livro sobre Henri Matisse (1869-1954), de 1959, obra que me foi oferecido pelo meu amigo H. N., a quem mais uma vez agradeço a lembrança.



terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Regionalismos madeirenses (1)


Oferta de um bom Amigo, veio colmatar uma ausência na minha temática de regionalismos portugueses. Reporto-me aos originários da ilha da Madeira. O livro, em imagem, de Ana Cristina Figueiredo, veio suprir essa falta. Até agora, madeirense, eu só conhecia "semelha" com o significado de batata.
Vamos assim dar início a uma série de vocábulos que se inserem nesta temática insular madeirense, seguindo alfabeticamente pela letra A, uma antologia de escolha pessoal.

1. Abatatado - que está bastante admirado ou surpreendido e sem capacidade de reacção; abananado, apalermado, embasbacado.
2. Abicar - provocar a queda, utilizando a força; empurrar, fazer cair, impelir.
3. Abla - habilidade para convencer os outros. Falinhas mansas, astúcia, manha.
4. Adufa - pequena abertura rectangular nos pavimentos das ruas e protegida por um gradeamento metálico, que se destina à recolha de águas pluviais ou outras.
5. Afreimado - que experimenta sentimentos de medo. Assustado.

Agradecimentos a H. N.


domingo, 24 de novembro de 2024

Passou-me pelas mãos...

 


... e era um livro bem bonito, com texto interessante. E com abundante iconografia lisboeta, de bons artistas.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Medicina e diplomacia

 

Inesperada oferta amiga de dois títulos que, sendo de autores afastados dos meus quadrantes ideológicos, prometem seguramente elegância de escrita e reflexões apuradas.



Acresce ainda que os dois livros ostentam dedicatórias manuscritas dos seus autores, um médico conhecido já falecido e um diplomata ainda vivo.
Agradecimentos a H. N..

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Do que fui lendo por aí... 64



Com tanta porcaria a publicar-se e a ler-se, pergunto como é que eu deixei passar este livro?
E se não fora o meu bom amigo H. N. a emprestar-mo, chamando-me a atenção para os textos de Maria Velho da Costa (com inteira razão), decerto eu não daria por ele, publicado que foi em Outubro de 2009. 
Aqui fica, penitenciando-me, a recomendação tardia para leitura.

sábado, 8 de junho de 2024

Da leitura (57)

 


Pela sua objectividade, talvez valha a pena traduzir e registar aqui o início do editorial, de Laurence Moreau, neste número especial da revista francesa, intitulado Se réconcilier avec l'autorité. Assim: 

"Estranha época, em que mais nenhuma autoridade resiste à contestação. A autoridade da família? Recém chegados ao raciocínio, muitas das crianças impõem a sua lei aos pais ultrapassados. A da escola? Os miúdos da primária insultam os seus professores. A autoridade do Estado? Os deputados não hesitam a pôr em causa a integridade do Conselho constitucional, a jurisdição encarregada de verificar a conformidade das leis com a Constituição, só porque as suas normas não respondem aos seus desejos. (...) Por todo o lado, a autoridade está em refluxo: nas comunas, os presidentes de Câmara são ameaçados frequentemente, maltratados, por concidadãos descontentes. «A autoridade da coisa julgada»? Uma noção cada vez mais posta em causa. Bem como a presunção de inocência. O trabalho do juiz como polícia tende a ser negado pelo tribunal popular.Na hora da«post-verdade», até a própria certeza científica é desvalorizada.(...)
A única verdade que vale, a da opinião e a da emoção. Não se acredita mais no pai, no padre ou professor, mas nas vociferações dum imã autoproclamado, nas fake news difundidas pelas redes sociais e nas acusações não comprovadas. A autoridade mudou de canal. Por culpa de quem? Pela sêde de igualdade que, em democracia, acabou por pôr em questão todas as hierarquias, as do poder, do saber, da religião e até mesmo da idade. (...)"

Nota pessoal: o meu agradecimento, a H. N., pelo empréstimo da revista.





terça-feira, 31 de outubro de 2023

Futuras / próximas leituras




Dois livros que me foram emprestados e cuja leitura encaro com alguma e boa expectativa futura. Dois mundos, porventura muito diferentes. Um da área diplomática que o meu amigo H. N. me sugeriu, o outro de um ex(?)-padre que, da ex-URSS até aos E. U. A., calcorreou experiências várias, e que me foi emprestado por JAD.
Aos amigos que me cederam os volumes, temporariamente, os meus agradecimentos cordiais.

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Mercearias Finas 193

 

Acontece que, recentemente e em tempo célere (4 dias), li 3 livros (obrigado H. N.!) que de algum modo se relacionavam com a gastronomia. O bom ritmo ter-se-á devido ao interesse que as obras me depertaram e à boa escrita. Dos três volumes destacaria sobretudo Algumas notas para a história da alimentação em Portugal (Campo das Letras, 2008), do médico e gastrólogo José Pedro de Lima-Reis (1942) de que tomei algumas notas de leitura. Pelo seu interesse e para conhecimento de algum visitante curioso, farei a transcrição de 5 das informações mais singulares, de seguida.

1. Diz a lenda que Caio Cânio, cônsul de Roma, sistematicamente acordado a desoras pelo cantar dos galos os mandou castrar verificando depois que se tornavam mais corpulentos, macios de carne e muito mais saborosos. Estava descoberto o celebrado capão, ... (pg. 28)
2. Começava cedo o envolvimento do clero e da nobreza com o saboroso ciclóstomo, que se vai manter ao longo da nossa história e explica porque na ucharia de D. Afonso III existiam nada menos do que 1.656 lampreias convenientemente secas para consumo fora da época. (pg. 44)
3. A canja, essa, teria de esperar até 1562 para chegar da Índia onde a fomos buscar para divulgar no reino. Os indianos, segundo Garcia de Orta, chamavam kanji a um caldo de frango delido em água de cozer arroz... (pg. 103)
4. A palavra escabeche que aqui nos surge é de origem persa e aparece no livro de cozinha de al-Baghadî datado de 1226... (pg. 125)
5. Somos levados a concluir que os espargos que deram origem à palavra esparregado... (pg. 137)