A quem possa interessar a leitura, é uma edição da editora Livros Cotovia (2016), reimpressa em 2018, numa tradução de Delfim F. Leão, que assina uma explicação prévia da obra, e a situa, culturalmente.
Livro com uma bela e sucinta capa, acrescente-se...
Verdadeiramente, eu não posso avaliar, com rigor, se o mérito deste Satíricon se deve a Petrónio ou a Federico Fellini (1920-1993). Admitamos que a sua densidade e riqueza se deve a ambos os autores, que é a forma mais fácil de administrar a justiça...
Produzido por Fellini, em 1969, há cinquenta anos, portanto, o filme baseou-se no texto fragmentário de Gaius Petrónio, em prosa e verso, que o terá escrito, muito provavelmente, durante o consulado romano de Nero.
Vi ontem a película completa pela primeira vez. Para além de um elenco magnífico, o filme tem a marca pessoal e indelével do grande realizador italiano. É barroco, sugestivo e pesado, carnal, cruel de impressionismo e humor, caricatural na caracterização das figuras. Quase arriscaria a dizê-lo genial.
Não lhe faltando sequer essa ironia implacável das acções humanas, tão bem exemplificada por este episódio (em vídeo) da viúva de Éfeso. Que tem esta saída ou tirada final, digna de anexim, que tira a conclusão moral de que: "É melhor enforcar um marido morto, do que perder um amante vivo."
Fellini, no seu melhor, em suma.