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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pinacoteca Pessoal 34 : Philip W. Steer



Vai o mês de Agosto sob o signo das águas, aqui no Blogue, em postes, muito embora, astrologicamente, seja do domínio de Leão, que pertence ao elemento Fogo, como prescrevem os manuais.
Por isso, mais uma vez, é convocado o mar, agora com veleiros, num magnífico quadro de Philip W. Steer (1860-1942), até porque eu gosto muito de marinhas - quando bem executadas. E aprecio bastante este pintor inglês. Já, em 21/8/11, aqui me servi duma bonita aguarela de Steer para ilustrar e sublinhar um texto de férias e da beira-mar.
O Pintor é considerado como um dos representantes do Impressionismo inglês, muito embora uma maior nitidez de traço e cor o afaste da Escola Francesa, do mesmo nome, onde predomina mais a imprecisão sugestiva do desenho. Steer não esquece, totalmente, as influências próximas e nacionais de Turner e de Gainsborough.
Representado na Tate, o pintor inglês foi rejeitado como aluno na Academia inglesa, em tempos de juventude e esteve em Paris, cerca de 2 anos. Mais tarde, já prestigiado, veio a dar aulas na Slade School of Fine Art - a justiça e o bom senso ingleses, às vezes, acabam por prevalecer... Os Uffizi conservam no seu acervo um auto-retrato de Philip W. Steer.

Nota: o retrato que encima este poste foi tirado por George Charles Beresford, em 1922.

domingo, 21 de agosto de 2011

Fragmentos de umas férias descomprometidas (3) : com mitologia


Já as crianças loiras tinham partido, quando chegou o Engenheiro e o menino moreno tolhido dos membros, andar trôpego e fala arrastada. Vinham retomar posse da casa e a criança foi dizendo que ia para a garagem, uma espécie de gruta de Ali-Bábá, cheia de ferramentas e alfaias agrícolas. Com ele, assim de perna esquerda deficiente, Vulcano tomava forma infantil, na rectaguarda da casa alta frente ao mar. Cessara, inesperadamente, a chuva de Verão e bagas grossas polvorentas, parara o vento ciclónico e até o calor abafado desse Agosto estranho lusitano. Foi então o tempo de se acertarem as contas, e os últimos partirem. As crianças loiras já iriam longe.
Mas gostei de as ver, à despedida, subir para cima dos marcos da estrada e abrir os braços róseos, jovens e sem rugas, em saudação ao Atlântico, num Ah! uníssono. Pareciam novos nórdicos viquingues, a que não faltou sequer a mãe Valquíria, elegante. Já não respeitavam Odin, mas celebraram a Natureza  num clamor de alegria e vibração juvenil. Ao longe, no Oceano, apenas dois barquitos pequenos tinham ousado afrontar as ondas fortes e o vento traiçoeiro. Na casa alta, frente ao mar, ficaram apenas os sinais e despojos da permanência breve e das férias acabadas: sumos a meio, 3 ou 4 talhadas de melão, meio pacote de bolachas de chocolate...
O Luka, quase toda a manhã, afundado por entre as almofadas fofas do divã, deixava apenas ver um olhar triste, observando os adultos a fazer as malas. Ia acordando, lentamente, de um sonho que acabara.