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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Citações CCCVI


Toda a alegria de dirigir os jogos e as lutas das sete cores do prisma será semelhante à de um músico multiplicando as sete notas musicais, com o objectivo de produzir a melodia.

Paul Signac (1863-1935).
...

O efeito deixado sobre a retina por um vermelho, bruscamente afastado, depois de uma longa exposição, não é o vermelho mas o verde. E se o olhar se expuser longamente ao verde, o efeito deixado por  estas mesmas condições será a emergência do vermelho. A mesma feitiçaria preside à alternância do amarelo e do violeta, do azul e do alaranjado. Cada um pode constatar empiricamente, e desta maneira, a lei das complementaridades e a existência de três pares de cores.

Paul Klee (1879-1940). 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pinacoteca Pessoal 56 : Signac por Rysselberghe


Esta tela, executada em 1896, reúne dois pintores amigos: Paul Signac (1863-1935) retratado por Théo van Rysselberghe (1862-1926). Tinham de comum a paixão pelo mar. E pertenciam ao denominado grupo dos neo-impressionistas, onde também pontificava Georges Seurat (1859-1891). Muito embora o pintor belga Rysselberghe, não seja excessivamente conhecido, este retrato de Signac parece-me excelente.
A tela pertence a uma colecção particular.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Paisagem


O surdo e cavo tom do silêncio domina o fim da tarde ainda quente, como se o dia não pudesse, de todo, acabar assim. E tivesse que haver um final inesperado e estridente, que não chega. Como se dois versos antigos esperassem, suspensos, uma coda súbita que iluminasse de fulgor, finalmente, o terceto inacabado, e lhe desse toda a razão de ser.
Vozes exteriores acatam este ar parado onde parece impossível respirar, e onde o vento não tem lugar. Até as folhas se alinharam imóveis, como cabeleiras secas e inertes sobre o tronco das árvores. Nem os pássaros, exaustos, dão sinal de si, sobre as águas paradas. O tempo plasma-se como os relógios no quadro de Dali. Lânguidos, e preguiçosamente.