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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Uma fotografia, de vez em quando... (188)


 
Cineasta e fotógrafo, o holandês Ed van der Elsken (1925-1990) produziu vários livros (cerca de 20) onde deu a conhecer o melhor da sua obra. Tendo permanecido em Paris de 1950 a 1955, a capital francesa ficou detalhadamente documentado pelas suas fotografias originais de rua.





Tendo pertencido à Agência Magnum, conviveu de perto com Henri Catier-Bresson e Robert Capa, que respeitavam a qualidade do seu trabalho. As suas viagens por África e pelo Oriente deram também impressivos portefólios.


terça-feira, 23 de novembro de 2021

Ostensiva assimetria


Apesar de tudo, hoje, as minorias, graças ao politicamente correcto, acabam muitas vezes por vencer.

 

segunda-feira, 4 de março de 2019

Uma fotografia, de vez em quando... (120)


De ascendência arménia, o fotógrafo turco Ara Güller (1928-2018) é considerado o mais célebre profissional otomano da sua época, muito embora ele não atribuísse à sua actividade excessiva importância artística. Raros são os seus instantâneos desprovidos de seres humanos, no entanto, na sua obra vasta.




Quando a Time-Life abriu uma delegação na Turquia, Ara Güller foi o seu primeiro correspondente, para o Médio Oriente. Mais tarde, viria a trabalhar para o Paris-Match, bem como para o Sunday Times. Isto lhe permitiu conhecer e fotografar inúmeras celebridades do seu tempo.



Conhecido internacionalmente, em 1961, Cartier-Bresson convidou-o a integrar a prestigiada Agência Magnum. Os seus conterrâneos, com propriedade, apelidavam-no de " O Olho de Istambul", pela sua temática preferida e recorrente.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Uma fotografia, de vez em quando... (108)


Há sempre um traço inaugural, uma pincelada prévia sobre a tela branca, um primeiro verso, ou uma primeira palavra que se escreve, ao começar uma carreira. Como pode haver uma pedra na fotografia inicial que se tira, mesmo que ela possa convocar uma pintura, que até poderá ser de Magritte. Depois, esse objecto que tomou forma exterior a nós, ganha relevância. Tentamos vê-lo à distância, atribuir-lhe um valor. E será arte, ou não?


Gérard Castello Lopes (1925-2011) terá começado por fotografar uma pedra sobre mar, que se lhe impôs ao olhar. Vendo depois o resultado e dando-o a ver, ele ganhou cidadania artística, espaço. Terá sido assim que iniciou a sua carreira de fotógrafo, a partir do meio da vida. Como autodidacta, mas influenciado (é ele que o diz) por Cartier-Bresson. Mas as temáticas, eram suas.


E maioritária, genuinamente portuguesas.



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Onde me apetecia estar... e estive, realmente


Com os anos, vamos sendo mais frugais. Vamos sendo mais discretos e comedidos, deixando de ter mais olhos do que barriga - como diz o provérbio, aconselhadamente. Inscrevem-se neste aspecto os livros a ler, as coisas por fazer, os países a visitar, os filmes a não perder, os quadros que queremos ainda ver... Mas um dos aspectos secundários, que me levou a Londres, era ver, realmente, na Royal Academy of Arts, a exposição Matisse in the Studio, aberta até 12/11/2017. E vi-a.



Por alturas do início da II Grande Guerra e posterior ocupação nazi de parte da França, houve, pelo menos, dois pintores que se deslocaram para fora de Paris, vindo a usar outra residência. Henri Matisse (1869-1954), que já habitava Nice desde 1917, episodicamente, por uma questão de tranquilidade criativa, provavelmente, e Chaim Soutine (1893-1943), de origem judaica, por questões de segurança física. Ambos tiveram, também, problemas de saúde, graves, por essa altura, no início dos anos 40.



Curiosamente, na sequência da mostra de Matisse, na Royal Academy (Londres), seguia-se uma exposição de Soutine, que eu já não tive oportunidade de visitar, infelizmente. Sendo, como é, um dos meus pintores europeus preferidos.
Soutine, em 1943, na sequência do rebentamento de uma úlcera de estômago, foi transportado, em condições urgentes e adversas, para Paris, onde veio a falecer, pouco depois. Matisse teve mais sorte. Levado  de Nice para Lyon, foi operado, de urgência, a um tumor no duodeno, e apesar de muito fragilizado, sobreviveu. Esteve algum tempo acamado e foi durante esse tempo, na impossibilidade de pintar, que começou a recortar  pedaços de papel colorido, e intensificou o seu período inovador e pioneiro de colagens, que tinha iniciado de forma incipiente, nos anos 30.



A exposição de Matisse, que ocupa algumas salas da Royal Academy, é muito coesa e, sobretudo, intimista na sua sobriedade. E a existência de objectos domésticos cria uma envolvência muito peculiar, de outro tempo, e de interior, que quase nos faz esquecer que estamos numa galeria pública. Reconstitui parte do ambiente do seu estúdio: as obras preferidas do Pintor e de que ele nunca se quis separar, um bela cadeira veneziana que comprou, fascinado, duas cafeteiras antigas, uma das quais oferecida como presente de casamento, colagens, têxteis norte-africanos, alguns objectos de uso pessoal, e um pequeno acervo de esculturas africanas do Mali. Além dos quadros.


Gostei muito de ver a mostra. E, para concluir, devo dizer que valeu a pena, apesar das 13 libras que esportulei pelo ingresso. Que os ingleses são austeros, e só descontam 1 libra para quem é sénior...


sábado, 19 de agosto de 2017

Uma fotografia, de vez em quando... (91)


Nenhum ser humano é exactamente igual a outro. Nem mesmo os gémeos.
Mas escolher Sebastião Salgado (1944), não é excluir Cartier-Bresson ou Eduardo Gageiro. Porque os podemos associar, no exemplar exercício de uma mesma actividade profissional. Neste caso: a fotografia. 
E não sendo iguais, há pessoas que nos fazem lembrar outras. Por acções, tiques, gestos, traços, vozes...
Esta nordestina brasileira, retratada por Sebastião Salgado, bem podia ser uma Angelina Jolie, precocemente envelhecida por uma vida difícil.

E porque se convencionou ser hoje o Dia Mundial da Fotografia.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A par e passo 159


As questões de filosofia e estética estão tão ricamente obscurecidas pela quantidade, diversidade, pela antiguidade da pesquisa, das disputas, das soluções que foram produzidas no contexto de um vocabulário muito restrito, de que cada autor explora as palavras segundo as suas tendências, que o conjunto destes trabalhos me dá a impressão de um bairro, especialmente reservado a espíritos profundos, nos Infernos da antiguidade. Há por lá Danaides, Ixions, Sísifos que trabalham eternamente para encher tonéis sem fundo, fazer subir a rocha deslizante, isto é, redefinir a mesma dúzia de palavras cujas combinações constituem o tesouro do Conhecimento Especulativo.

Paul Valéry, in Variété V (pgs. 131/2).

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Uma fotografia, de vez em quando (69)


Nascida em Antuérpia, a fotógrafa belga Martine Franck (1938-2012) deve talvez o seu ligeiro apagamento ao facto de ter sido a segunda esposa de Cartier-Bresson, que acabou por ser um dos seus motivos icónicos. A sua obra é, no entanto, notável, tendo sido uma das raras mulheres a integrar a Agência Magnum (1980). Colaborou nas revistas Vogue e Life. Elegância, dignidade e timidez eram-lhe atribuídas como características pessoais e humanas mais marcantes.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Uma fotografia, de vez em quando (37)


Nascido na Polónia, mas naturalizado americano, em 1942, David Seymour (1911-1956) foi, com Cartier-Bresson e Robert Capa, um dos fundadores da Agência Magnum, em 1947. A cobertura da Guerra Civil de Espanha deu-lhe merecido reconhecimento, a nível mundial, bem como algumas fotos que testemunham a alegria do povo pela vitória da Front Populaire, em França. As crianças foram outro dos seus temas predilectos, mas tem também excelentes retratos de celebridades: Lorca, Ingrid Bergman, Sophia Loren...
Quando cobria a intervenção no Suez, em 1956, foi atingido mortalmente por disparos de soldados egípcios. Apesar da vida curta, a sua vasta obra fotográfica merece ser lembrada.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Citações CLXI


Fotografar, é colocar sobre a mesma linha de mira o olhar, o espírito e o coração.

Henri Cartier-Bresson (1908-2004).

sábado, 11 de maio de 2013

Uma fotografia, de vez em quando (3)


Neste caso, são duas fotografias de Henri Cartier-Bresson (1908-2004), a do rapazinho feliz - mais conhecida - e a do cavalheiro fugindo à chuva. Qualquer coisa que poderia ter o título de: entre 2 excessos - o do vinho e o da água.