Mostrar mensagens com a etiqueta Museu Alberto Sampaio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Museu Alberto Sampaio. Mostrar todas as mensagens

domingo, 24 de novembro de 2019

Ainda uma questão de saios


Entre os kilt abastardados nos corredores do Parlamento português, vindos de Oxford (como?), ou as saias dos evzones gregos, admitindo porém as tradicionais sotainas que à religião pertencem, sempre prefiro os saiotes dos trauliteiros lusos de Miranda. Mesmo que sejam celtas de origem. Para não falar do loudel ou pelote, que já D. João I usou em Aljubarrota e se guarda esfiapado e multicentenário no vimaranense Museu Alberto Sampaio.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Memorabília (2)


Há quem guarde quase tudo. E há quem fique com muito pouco, do passado. A retenção de coisas inúteis, porém, está sempre associada a algum acontecimento marcante ou a algo de afectuoso e, muitas vezes, a uma experiência inicial, no tempo. Estes frágeis sinais servem também para pontuar um percurso e, mais raramente, para datar um encontro, que a memória decerto não conseguiria situar, depois, se não houvesse vestígios materiais e concretos. Note-se a curiosidade das cores dos ingressos, provavelmente, com vista às estatísticas: o rosa para visitantes femininos e o azul-bebé para visitas masculinas.
Estes dois bilhetes de entrada, do Museu Alberto Sampaio (Guimarães), e o horário escolar têm 60 anos. Em 1958, entrar no Museu vimaranense custava Esc. 2$50. Hoje, são 12 euros. Quase 100 vezes mais... E será que esta liricamente baptizada Biblioteca Musical, do Porto, que oferecia horários aos estudantes, ainda existe?


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Guimarães/ Cultura 2012/ Sugestões


Apesar da diminuição e decadência vimaranense no que diz respeito ao dinamismo industrial antigo (anos 50, 60), muitas das antigas fábricas foram adaptadas a equipamentos culturais com soluções inteligentes e esteticamente bem conseguidas. Assim, aqui vão sugestões de visitas (com suporte gastronómico de apoio) para um dia, em Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012:
1. a) deslocação a Covas (a 2 ou 3 Km. de Guimarães) às antigas instalações da fábrica têxtil Asa, transformadas em locais amplos de exposição. Até 20 de Maio, pode ver-se uma magnífica mostra da actividade de Nuno Portas, bem como uma perspectiva do que foi a arquitectura portuguesa na segunda metade do séc. XX. Saíndo, à direita, pode almoçar-se no Restaurante Sequeira. Bastante modesto, mas com cozinha tradicional, bem apaladada e honesta. E barato: prato do dia e vinho da casa, pode-se comer por cerca de 10,00 euros. Atendimento despretencioso e popular. A manhã pode ser, assim, bem aproveitada.
1. b) de tarde, visita ao Museu Alberto Sampaio e Largo da Oliveira. Descer ao Campo da Feira, que tem ao fundo a Igreja dos Santos Passos. Na antiga Fábrica de curtumes de António Martins Ribeiro da Silva, muito próxima da Igreja referida, ver uma exposição de design. O edifício fabril foi muito bem aproveitado. Finda a visita, revigorar forças, no Restaurante etc., com ementa variada e bem confecionada. Doses avantajadas, razoável carta de vinhos. Cerca de 15,00 euros, por pessoa. Comemos, lá, um rodovalho belíssimo, muito bem grelhado. Cuidado com as sobremesas, são enormes...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um Museu e 2 obras

Neste Dia Internacional dos Museus, gostaria de lembrar o Museu Alberto Sampaio, de Guimarães, pela singularidade do seu acervo histórico, e cuja frontaria se mostra. O museu prolonga-se, no interior, pelo claustro da antiga Colegiada que bem merece ser apreciado.
Mas também duas peças que lá se encontram, ambas relacionadas com D. João I e a batalha de Aljubarrota. A primeira é o laudel (ou pelote), peça interior de vestuário, usado pelo Rei na Batalha, e que foi objecto de um cuidadoso restauro efectuado em finais dos anos 50 e de que há um detalhado estudo ("O Loudel do Rei D. João I", Lisboa, 1981 - 2ªed.) .
A segunda peça museológica é o tríptico, dito de Aljubarrota, em prata policromada, despojo da Batalha, e que era uma espécie de "altar de campanha" do rei D. João de Castela. Ambas as obras foram oferecidas por D. João I, de Portugal, a Nª. Senhora da Oliveira, por quem o Rei tinha grande devoção e em acção de graças pela vitória alcançada sobre os castelhanos.
Aproveito para lembrar que Guimarães será cidade Capital Europeia de Cultura, em 2012.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Museologias


Informações há, que lemos, mas não sendo relembradas, somem-se no esquecimento para sempre. Sobre este, chamado por alguns "delirante", desconhecido ou anónimo pintor vimaranense do séc. XVI, li algumas coisas, creio que por volta de 1996 ou 1997, mas tinha-o esquecido. Não fora a visita guiada (e muito bem guiada) ao Museu Alberto Sampaio, de Guimarães, e, tão cedo, não o recordaria. O Museu tem, no seu acervo, algumas (poucas) obras dele, vindas de igrejas e conventos dos arredores, e que permitem datar a sua actividade entre 1510 e 1550.
O intricado da vegetação, nos seus quadros ou frescos, bem como uma pessoalíssima simbologia utilizada, por exemplo, na figura de S. Jerónimo (flagelando-se e mutilando o corpo com uma pedra) permitem reconhecê-lo. Também a repetição do desenho das calças, às riscas (à "tudesca"), dos homens, marcam a sua autoria. A elegância estética das suas figuras humanas e trajes, em X para os homens e em S (barriga empinada, como se fosse de grávidas) para as mulheres, atestam os seus conhecimentos de pintura, pelas normas da época.
Na imagem das 2 obras, numa aparece a "Virgem do Leite" (terá vindo da Igreja de S. Miguel do Castelo, onde dizem ter sido baptizado D. Afonso Henriques) ladeada por S. Bento e S. Jerónimo. Esta obra integrou a exposição de Primitivos Portugueses de 1940, em Lisboa. A segunda, um fresco retirado da sala capitular do Convento de S. Francisco (Guimarães), representa a "Degolação de S. João Baptista". Ambas, portanto, do Mestre desconhecido vimaranense.
Registe-se, a título de curiosidade, que o Museu Alberto Sampaio incentiva o mecenato particular, e que este último fresco foi restaurado graças ao patrocínio do Prof. Freitas do Amaral, que nasceu em Guimarães.