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segunda-feira, 29 de junho de 2020

Simenon, again


Um dos últimos TLS (nº 6115) noticia e dedica duas páginas à saída do último Maigret em versão inglesa. Trata-se da tradução de Maigret et M. Charles cuja edição primeira saiu em França, em 1972. Terá sido o último policial de Georges Simenon (1903-1989) escrito, tendo a figura do conhecido Comissário como protagonista. O primeiro, Pietr-le-Letton, datava de 1930. A Penguin completou assim a sua nova série de 75 novelas (número porventura total e rigoroso), com novas traduções feitas para o efeito. A nossa colecção Vampiro, da Livros do Brasil, abrange 73 volumes  de Maigret. A edição da Bertrand conta apenas 49. Creio que a totalidade, contos incluídos, em francês, chega aos 84 escritos. Mas há quem acrescente às 75 novelas  mais 28 contos. Assim perfaziam-se 103 títulos - é obra, seja como for!


Esta notícia oportuna do TLS vem comprovar, pelo que representa, a vitalidade da obra de Simenon.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

As novas pitonisas


Houve tempo em que algumas editoras, tal como grande parte dos bancos, mereciam a nossa total credibilidade e confiança em matéria de honesta qualidade. A Gallimard, a Portugália, a Surkamp, a Penguin , entre tantas outras, eram à prova de bala, quanto à excelência do que publicavam, também porque tinham uma exigência ética de prestígio a honrar e perpetuar. E, nobremente, faziam gala disso.
Os tempos, no entanto, mudaram. E a Penguin, agora apenas gulosa de mercado, foi engolindo outras pequenas e ronceiras editoras, para melhor impor as suas publicações, de forma mercenária e acrítica.
Eu até sou fã e entusiasta dos romances de John Le Carré. Não de todos, evidentemente, porque, contra ventos e marés, não prescindo do meu sentido crítico nem de leituras isentas de apriorismos.
A novel Penguin, excessiva e exibicionista, comprou a publicidade das páginas 2 e 3 do último TLS (nº 6026), para propagandear bombasticamente, por palavras de Robert Harris (?) que Le Carré será "um daqueles escritores que será lido (até) daqui a um século". A editora inglesa, pelos vistos, entrou agora no rol dos adivinhadores, subscrevendo presságios, na boa companhia de Nostradamus, do Sapateiro de Trancoso, do professor Fofana e de outros bruxos. Francamente, não lhe gabo o gosto nem a vocação...

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Livrinhos 24


Os quatro voluminhos, em imagem, pertencem todos à mesma colecção da Penguin Books, que os editou a partir de 1995, para celebrar o 60º aniversário da sua actividade como editora.
A série abrange várias temáticas: biografias, livros para crianças, viagens, gastronomia, clássicos, propriamente ditos, tema, este, onde se inserem os 4 livrinhos. Cada um deles custava 60 pence.
Todos têm a dimensão de 10,5 cm. de largura, por 14,8 cm. de altura. Quanto a mim, o seu grafismo e apresentação de texto são de cuidada e grande qualidade. 

sábado, 17 de janeiro de 2015

Curiosidades 35


Exactamente há 80 anos surgiam, nos escaparates das livrarias inglesas, os primeiros livros da famosa colecção Penguin Books. O primeiro volume foi o "Ariel", de André Maurois, seguindo-se "A Farewell to Arms", de Ernest Hemingway, dando-se início a uma inovadora produção editorial, quase revolucionária para a época (1935). A princípio, feitos em papel de jornal e ao preço imbatível de 6 pence - tanto quanto custava um maço de tabaco, na altura -, os livros tiveram um grande sucesso. E foram uma ideia notável do criativo editor Allen Lane (1902-1970). Ainda hoje são extremamente populares.


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Capas e Prémios


Sempre fui sensível à qualidade (ou falta dela) estética das capas dos livros. E, aqui no Blogue, algumas vezes falei disso. Do meu ponto de vista pessoal, e talvez  injustamente, considero os anos 60 como a idade de ouro da ilustração portuguesa, de que salientaria os nomes de Sebastião Rodrigues, Victor Palla, Lima de Freitas, Bernardo Marques, José Cândido, entre muitos outros.
Lá fora, a editora britânica Penguin Books criou até um prémio anual para o melhor design de capas de livros que, em 2013, galardoou o inglês Hayley Warnham, pelo seu trabalho para uma nova edição do policial "The Big Sleep", de Raymond Chandler. Embora não faça o meu gosto, aqui fica a notícia e a imagem do design da capa de livro premiada. Bem como um cartaz, do mesmo designer britânico, executado para o "Print Club Londons".

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Somerset Maugham : "uma secreta primavera"


Somerset Maugham, inglês, formado em medicina, mas conhecido sobretudo como escritor e dramaturgo, nasceu a 25 de Janeiro de 1874. Foi um escritor de referência, na minha juventude. O primeiro livro que li dele, "The Moon and six-pence" ( "Um gosto e três vinténs", traduzido na Colecção Miniatura, nº 49), em parte baseado na vida de Gauguin, deixou-me uma impressão tão agradável que fui comprando, ao longo do tempo, todos os livros que podia, de Maugham. Esse primeiro livro, que li aos 14 anos, foi-me recomendado por um professor de Inglês, no liceu, de nome Fabião, e que mais tarde vim a reencontrar, na Faculdade de Letras de Lisboa, como professor de holandês. Na Faculdade, também, havia uma obra de Somerset Maugham, de leitura obrigatória - não me recordo é do título. Para lá das peças de teatro, contos e romances, Maugham escreveu ainda livros de reflexões e memórias: "Points of view", "The Summing-Up", entre outros. Deste último, que é uma espécie de balanço da sua actividade de escritor, passo a traduzir o início do capítulo XLVI, da edição da Penguin Books de 1963 (pg. 116):
"Sou escritor, como poderia ter sido médico ou advogado. É uma profissão tão agradável que não surpreende que um vasto número de pessoas a tenha seguido, mesmo que não tenham especiais qualificações para a exercer. É excitante e variada. O escritor é livre de escrever onde quer que seja e na altura que escolher; pode permitir-se preguiçar se se sentir adoentado ou com falta de inspiração. Mas é também uma profissão que tem desvantagens. Uma delas é que, embora o mundo todo e cada homem nele, e todos os pontos de vista e acontecimentos sejam a sua matéria-prima, o escritor só poderá abordar aquilo que corresponde a uma secreta primavera que está nele. A mina é incalculavelmente rica, mas cada um de nós apenas pode retirar uma pequena parte desse minério. Por isso, no meio da fartura, o escritor pode morrer de fome. ..."