quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Sobrevivência e adaptação


Improbabilíssimo, este bando de Alexandersittiche fixou-se e foi procriando em Merkenich, pequena aldeia próximo de Colónia (Alemanha) e à beira do Reno. Já os vi por diversas vezes, fazendo pequenos voos, em grupo algo ruidoso, de árvore para árvore, mas no Verão. Originários do Sul da Ásia, algum casal destas aves se terá escapado ao aconchego doméstico da casa dos donos, tendo-se adaptado à aventura da liberdade, apesar dos rigores adversos do clima germânico. Hoje, em Merkenich, já atingem cerca de duas dezenas de exemplares voadores, insólitos locais.
Chamam-se, em Portugal, Papagaios Alexandre (Psittacula eupatria) e até há quem os venda (em Torres Vedras) a 200 euros, cada.
Pois, a nossa amiga R. J. decidiu hoje, e bem, mandar-nos uma fotografia dos pássaros tropicais, empoleirados numa árvore de Merkenich, em pleno rigor de um nevão de Janeiro. Orientais, de origem, habituados a climas bem mais amenos, como sobreviveram e sobrevivem é que eu não sei dizer...

Se... um poema


Desde que haja algum talento, traquejo de ofício e sensibilidade, o célebre poema If, de Rudyard Kipling (1865-1936), pode ser acrescentado, de versos, interminavelmente, sem que se lhe altere, de forma significativa, o seu conteúdo original. Ou pode ser glosado até à exaustão, nas suas proposições condicionais e moralistas. Alexandre O'Neill (1924-1986) fê-lo, com humor e sucesso, em Feira Cabisbaixa (1965). Outro tanto se poderia dizer do soneto camoniano "Amor é um fogo que arde sem se ver..." que, por sua vez, também foi imitado (mal, quase sempre), embora de forma séria, por tantos poetas portugueses.
Há que desconfiar, sempre, da qualidade poética destas ladainhas encantatórias e destas verborreias irradiantes e repetitivas que pululam em todas as literaturas, e agradam a muita gente, pouco preparada. Talvez alguns dos poemas consigam atingir a bitola da  verdadeira poesia. Outros, que são a grande maioria, não.
Fica o aviso à navegação.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Piedosos votos, os meus


Submerso pela mediocridade do seu século XVII, do ponto de vista literário, Francisco Manuel de Melo (1608-1666) foi um dos portugueses da época que mais mundo teve, em posições altaneiras. Mas também conheceu baixas prisões (Torre Velha [Trafaria], Torre de Belém - má enxovia na altura -, o Castelo de S. Jorge) e degredo no Brasil, onde terá feito um filho e um belo soneto, pelo menos. O homem era de grande qualidade, que o próprio Quevedo reconheceu e o teve por amigo e correspondente. Para além disso, um grande escritor, com obra ampla, em português de lei.
Creio que Manuel de Melo foi arredado, ultimamente, dos programas escolares, talvez por uma simplificação provinciana e reaccionária em relação àquilo que temos de melhor. E para facilitar a vida aos meninos e meninas, a quem se quer dar sempre festa e pouco pensar. Que havemos de fazer?
Foi com alguma emoção pessoal que me dei conta que a Livraria Olisipo, no seu próximo leilão* de 6 e 7 de Fevereiro, vai leiloar (lote 540) duas cartas autógrafas do Poeta Melodino, com uma estimativa prevista de venda entre 800 e 1.600 euros. Únicas, é óbvio que as cartas serão raríssimas e poderão até ser inéditas: não as encontrei, orientando-me pela data (9 de Março de 1650 e 1 de Julho de 1651, cujo ano está errado no catálogo da Olisipo, que regista 1950 e 1951...), na edição primeira das Cartas Familiares (1664), por exemplar na minha posse, que consultei.
Em tempos infaustos, deixámos ir para Harvard (E.U.A.) a riquíssima biblioteca de Fernando Palha, com exemplares únicos e raríssimos que poderiam ter ficado em Portugal. Perdeu o património nacional.
Se eu fosse director da BNP ou da Torre do Tombo não estaria sossegado, mas nervoso. E faria tudo aquilo que me fosse possível para que essas 2 cartas autógrafas de Francisco Manuel de Melo viessem a ficar à guarda, integrando o acervo, de uma das duas instituições portuguesas. Para memória futura e consulta de quem as mereça estudar.


* ver poste, no Arpose, de 16/1/2019.

Adorno e Proust


Recomecei pela enésima vez a leitura do À la recherche..., de Marcel Proust (1871-1922), pelo primeiro volume dos sete que conta a edição da Livros do Brasil. E reiniciei-a, porque tinha repegado numa  outra obra de Theodor Adorno (1903-1969) em que este pensador dedica algumas páginas à interpretação de uma das obras maiores da literatura francesa. A esse livro (Notes sur la littérature) também eu tinha abandonado, há 2 ou 3 anos, por o ter achado massudo e desinteressante.
Será que, de duas recusas anteriores pessoais, vai renascer uma aceitação afirmativa, futura?
É o que irei descobrir, talvez em breve.


Sonhos aristocráticos


Sonhei há dias com um nobre plebeu, que conheci num passado recente. Outorgava-se ele,  na circunstância, de descender de fidalgos transalpinos, mas os seus apelidos eram um pouco rasteiros, denunciando ascendentes de profissões mecânicas ou meros comerciantes.
Pois, no sonho, eu vi-o, com algum desembaraço financeiro, adquirir uma pequena catedral(?) em ruínas ou um mosteiro decadente (andará Manguel, por aqui?), só porque assim herdava os apelidos dos nobres que lá estavam enterrados.
Se os ingleses sepultaram o grande actor David Garrick, em Westminster, aos pés do cenotáfio de William Shakespeare (no Poet's Corner), parece-me justo que este plebeu luso se quisesse ornamentar de azúis sanguíneos que a sua família, provavelmente, não teve de todo.
Será que este meu sonho não daria uma fábula moderna?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Mercearias Finas 140 (em louvor do frango assado)


As crianças começam por afeiçoar-se a sabores neutros: água, leite, blédines, pão branco, queijo flamengo simples, manteiga... O resto, só chega com o avançar da idade.
O tempo que eu demorei a habituar-me ao vinho!... Que o prazer da Canja me veio cedo, interrompido, é certo, por um osso inesperado que se me atravessou na garganta e demorou a sair, de uma vez. E me bloqueou, preventivamente, o gosto, por alguns meses.
O queijo, já holandês, e bem curado, mostrou-me que o neutro flamengo podia ser outra coisa melhor, mais tarde, inesperadamente, numa casa improvável de Vila Verde, paroquial. Quanto a doces, comecei pelas Broas de mel da confeitaria Colonial, vimaranense. Depois chegaram os Mil-folhas poveiros.
E foi pelo Dão que me converti às virtudes especiosas do vinho.
O frango foi atravessando várias fases quase sempre apreciadas, numa altura em que o "do campo" nem precisava de certificação. Eram todos rurais e criados a milho, mas a recordação mais amorável vai para os de Covas, saboreados em expedições nocturnas aos arredores de Guimarães, depois de jogatainas de poker nas férias grandes, quando saíamos de Urgezes, em grupo esfomeado, pela noite adentro.
Voltei hoje ao frango assado, que aqui estou a celebrar. De churrasco, competente e memorável.
Acompanhado por um branco (Tejo) Conde de Vimioso (2017), que nem passou pelo frigorífico.
Simples, económico e muito saboroso. O frango, claro!

Uma fotografia, de vez em quando... (118)


Aqui, o horizonte tomou a voz de poema.
É talvez a foto mais  recente de Fernando Echevarría (1929), captada pela sensibilidade amiga de António de Almeida Mattos (1944), algures nas imediações do Porto.
Da minha parte, apenas um exercício de admiração por dois Poetas.

Francis Poulenc (1899-1963) - Capriccio (com Paris por cenário, de fundo)

domingo, 27 de janeiro de 2019

No MNAC, pela manhã dominical



Batem as 10, no "sino da minha aldeia" que foi de Pessoa, ali pelo largo do S. Carlos, por onde o Sol foge à responsabilidade de ser dia, no céu desta manhã dominical ainda pardacenta. E a rua está quase quieta acompanhando de perto as margens do silêncio. Somos dos primeiros a entrar no MNAC.
Para os seus anos de vida, Carlos Relvas (1838-1894) trabalhou imenso, em fotografia. O acervo que o Museu, da rua Serpa Pinto, expõe, é amplamente significativo e documenta, de forma eloquente a sua obra, que cobre uma boa parte do século XIX português. A exposição temporária foi muito bem concebida.
A paisagem, só por si e erma de figuras humanas, apenas pela cor esbatida e pátina do tempo pode denunciar uma época, porque é eternamente semelhante - não tem modas, nem a volubilidade dos adereços que se vão alterando com os anos. As paisagens de Relvas quase podiam ser de hoje...

Não posso dizer o mesmo das pinturas de António Carneiro (1872-1930), nem dos quadros de Marques de Oliveira (1853-1927), que denunciam, pelos ademanes e indumentárias das suas personagens, o tempo em que foram feitas.
Ficaram-me na memória três tabuínhas de Pousão (1859-1884) tão encantadoras como as que há no  Museu Soares dos Reis, do Porto. Até me apetecia roubá-las. E trazê-las comigo...
O MNAC está melhor, desde a última vez que lá fui, mas a iluminação é deficiente e desleixada. E a representação artística, de pintura e escultura portuguesa, a partir dos anos 70 do século XX, deixa muito a desejar, pela pobreza do acervo. Há que ir, para complemento, ao C. A. M., da Gulbenkian... 

Para uma bibliografia exaustiva de Jorge de Sena


Este pequeno texto (4 páginas) de Jorge de Sena (1919-1978), escrito, tinha ele somente 24 anos, será um dos iniciais, se não o primeiro, a aparecer impresso numa publicação com alguma difusão nacional.
De Outubro de 1937 a Fevereiro de 1938, Sena integrou, como cadete da Escola Naval, a tripulação do navio-escola Sagres, que o levou a um périplo pelas (então) colónias portuguesas de África.



É, seguramente, dessa viagem marítima que o Poeta de Fidelidade veio a retirar os tópicos principais para o seu texto A Ilha que perdeu o Equador que viria a publicar mais tarde (Maio de 1944), no número 125 da revista O Mundo Português. Recordações de infância, ligeiras efabulações e a Ilha de S. Tomé constituem a base deste texto juvenil de Jorge de Sena.
E que penso não constar da bibliografia oficial e conhecida do Poeta, cujo centenário de nascimento este ano se comemora.


sábado, 26 de janeiro de 2019

Sobre traduzir


Numa entrevista recente, Javier Marías (1951) reflecte, entre outras coisas, sobre a sua actividade de tradutor como sendo uma via de consolação. Em tempos, diria eu, de defeso e de esterilidade criativa própria, sobretudo. E o escritor acrescenta que é como que se houvesse um rascunho inicial, sobre o qual é necessário trabalhar, aperfeiçoando.
O fazer sua a voz dos outros tem aspectos muito próximos da criação, numa euforia porventura menos febril e por caminhos mais definidos. Como também alguém já disse que, mais que bem conhecer o idioma de que se traduz, é absolutamente obrigatório dominar amplamente a língua (sua, na maior parte dos casos) para que se verte.
Importa muito menos, porém, que o estado de espírito do tradutor se coadune com o teor do texto, ou possa ser paralelo à energia criativa original que o desencadeou. Há sempre qualquer coisa de caótico, inconsciente ou não domável, por inteiro, no fenómeno e forças da criação. A reordenação faz-se, normalmente, numa fase posterior, mais consciente.

Mais um poema de Fernando Echevarría (1929)


Anoiteceu para dentro
do seu só anoitecer.
Fora disso, o pensamento
era apenas de ninguém.
Sem causa a causar efeito,
nem outra coisa qualquer.

Era noite a anoitecer-se
pela escura lucidez
do nome que se arrefece
só a si. Sem o saber.


Fernando Echevarría, in Via Analítica (pg. 508).

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Facadas (Fake news), truncagens, crípticas e outras rebaldarias


Se Carmona condecorou Lenine, no passado, porque é que não havemos de voltar ao saudoso Dia da Raça, começando já por Portalegre, neste ano da graça de 2019? O nosso inefável e incansável PR deu uma ajuda preciosa e ilustre, com o pontapé de saída... Seguem-se Goucha e Quim Barreiros - ao que parece - a presidir nas próximas comemorações, eles que são tão populares por entre as nossas gentes!

Pinacoteca Pessoal 145


A primeira vez que me dei conta da qualidade artística do inglês William Strang (1859-1921) foi quando procurei iconografia para ilustrar um poema de John Masefield, que traduzi aqui no Arpose (14/3/2018).
Gravador exímio e pintor notável, Strang era também um desenhador dotado, como se pode ver pelos traços com que fixou Robert Louis Stevenson e Yeats, fielmente, bem como outras celebridades do seu tempo.


Strang foi também ilustrador competente de obras de Coleridge e Kipling. E pintor de pequenos quadros de paisagens, muito embora a sua temática  predominante tenha sido a de retratista, em que se destaca o retrato de Vita Sackville-West e o do poeta John Masefield, como referi acima.



Algumas cenas de pequenos grupos sociais, em restaurantes ou bares, merecem também a minha especial predilecção, por entre a vasta obra de William Strang.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Michel Corrette (1707-1795)

A saúde do negócio


Não sou um doente crónico, muito menos um hipocondríaco e, ainda menos, um frequentador assíduo dos Seviços de Urgência hospitalares: tê-los-ei utilizado, quando muito, 2 ou 3 vezes durante toda a minha vida.
É provável que a minha saúde, para além de aspectos genéticos familiares, se deva também a bons médicos particulares que tive desde a infância, quando o S. N. S. nem sequer existia.
Mas, hoje, ao contrário do que para aí se apregoa e reclama, sou um defensor estrénuo e absoluto desse Serviço Nacional, que o 25 de Abril nos trouxe. Exceptuando o actual sindicalista-Bastonário dos clínicos portugueses, tenho a louvar Médicos, Enfermeiros e Agentes de saúde que me têm atendido em hospitais públicos, com atenção e eficiência profissional. Dos privados, também não tenho grandes razões de queixa, muito embora o hospital Amadora-Sintra (público-privado), por várias informações e testemunhos de terceiros, me desperte grandes desconfianças pessoais.
Nos últimos tempos, porém, os mídia, na sua quase totalidade, parecem ter-se concertado para denegrir o S. N. S.. Constato, entretanto e com agrado, que a presente Ministra da Saúde, é uma mulher determinada, objectiva e que parece saber o que quer. 
E é conveniente lembrar que, com o prolongamento da vida humana, a Saúde, para muita gente não deixa de ser um enorme negócio, acarinhado por muitos tubarões das indústrias convergentes... 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Mais uma críptica, com ressonâncias bíblicas


Entre Bob Marley e o Futungo de Belas, Irmãos!, quem escolheis para vizinhos, próximo ou compadres?

Retro (102)


Era para arder, mas, ao menos, diziam ao que vinham, limpamente...
O anúncio é de 1944.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Últimas aquisições (10)


Esta série da Lello & Irmão, embora datada, tem abundante iconografia, mas também textos competentes. Gabriel Pereira (1847-1902), que chegou a ser director da BNP, era um profundo apaixonado e conhecedor da história e fastos eborenses. O sucinto folheto de 1894, sobre o Pão, tem apenas 18 páginas, sendo muito curioso e documentado.
Dei pelas duas obras 5 euros. A este preço, seria pecaminoso deixar os 2 livrinhos no Alfarrabista...

Citações CCCLXXXVIII


O presente contém apenas o passado, e aquilo que é encontrado no efeito já existia na sua causa.

Henri Bergson (1859-1941), in L'Évolution créatice (1907).

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Cair em graça


Vai demorar tempo até voltarmos a ter a felicidade do anonimato e o eléctrico 28 voltar a ser preenchido por apenas legítimos alfacinhas encartados. Por ora, somos escrutinados até ao pormenor e todo o bicho careta fala de nós. Ontem, éramos o melhor destino cool (seja lá o que for isso...), anteontem, a viagem de sonho, amanhã, provavelmente, a oitava maravilha do mundo...
E até o TLS cumpre esta agenda clonada de moda, recenseando uma obra (Queen of the Sea) sobre Lisboa, de Barry Hutton. O sr. Malcom Jack, recenseador habilitado por, recentemente (2018), ter publicado,  também, uma obra sobre Sintra e Lisboa, é que não é muito favorável ao livrinho de Barry Hutton. Diz que lhe falta bibliografia competente. Citando as omissões indesculpáveis de Beckford, Southey e Rose Macauly, pelo menos, que por cá andaram em tempos mais ou menos remotos.
E se nos deixassem em paz?!

domingo, 20 de janeiro de 2019

Georges Moustaki - Le temps de vivre (live à Bobino - 1970)

Da vizinha mais próxima da filosofia


Se não nos dotaram, a nós portugueses, da capacidade inata de filosofar, deram-nos, em compensação, alguns bons poetas que sabem reflectir. E a Poesia é, algumas vezes, a parente mais próxima da Filosofia. Na sua forma essencial de interrogar a vida e o mundo.



Numa estreita linhagem que vem de Sá de Miranda, passa por Francisco Manuel de Melo, toca de raspão em Herculano e Quental, e desemboca na foz multímoda de Pessoa e algum Sena, a poesia de Fernando Echevarría (1929) não renega esse parentesco, que vem, dignamente, de longe.
Editado recentemente (Setembro de 2018), pela Afrontamento (Porto), Via Analítica, de Fernando Echevarria, vem pensar connosco.
Como neste poema sem título, na página 11, deste belo livro.

Pensar ajusta-se ao momento. Tenta,
sabendo que é preciso que o afecto
tome conta de toda a inteligência
para mobilizar o pensamento.
E a mobilização modula a empresa
conforme o ritmo se desprender, concreto,
do corpo maciço da matéria
para limpo o mover e transcendê-lo.
E, daí, alargar a transparência
a um mundo fecundando-se a si mesmo.
Feliz, por dar lugar a essa doença
que punge, e cresce por um azul sereno
de pautas perecíveis. Diligência
a expandir-se, cumprindo um universo
interior, a transferir a pena
da partitura para um fora aberto.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Centenários e projectos


No limiar do novo ano, o TLS (nº 6040) recordou centenários de alguns escritores, que se vão celebrar em 2019. De Salinger a Iris Murdoch e Doris Lessing, entre outros. Pela nossa parte, portuguesa, cabem-nos Sena e Sophia, porque  Eugénio terá de esperar mais 4 anos. Hoje, fariam apenas 96 anos sobre o seu nascimento, na Póvoa de Atalaia (Fundão).


E, sobre Jorge de Sena, se eu não mudar de ideias, preparo-lhe a minha possível e modesta homenagem, mas lá mais para Novembro, que é quando o Arpose completa os seus primeiros 10 anos, juvenis, nove dias depois da data do nascimento do poeta de Fidelidade.

"Atirar-se à piscina sem saber nadar" ou, sobre a poesia de H. H.



Tendo começado a sua actividade profissional na desaparecida Livraria Biblarte (creio), Luís Gomes (Livraria Artes & Letras) é um Livreiro-alfarrabista que reúne, como poucos dos seus confrades, um saber de experiência feito com um apurado sentido crítico literário. A sensibilidade poética não lhe é alheia, nem um vasto conhecimento sobre o livro antigo.
Dedicou-se, sobretudo, às vanguardas literárias portuguesas e à literatura moderna. Por isso, o que aqui nos diz sobre Herberto Helder (1930-2015), tem a garantia sólida do conhecimento real.

Filatelia CXXVI


A colecção de selos pode ter patamares muito diversos e especializações que o tempo vai permitindo, consoante o filatelista for, ou não, aprofundando os seus conhecimentos e as oportunidades surgirem, ao longo da sua vida. Desde que o interesse e a curiosidade se mantenham, ao longo dos anos.
Numa fase inicial, qualquer coleccionador procura livrar-se dos selos repetidos, trocando-os por outros, que não possua. É a forma prática de aumentar o seu conjunto, naturalmente.


No entanto, a fase clássica (até 1900) aconselha a conservação, na colecção, desses exemplares mais antigos. As irregularidades de fabrico, as variedades de cunho, os eventuais erros de impressão eram ainda frequentes nesse período do selo postal. Por isso, é vantajoso e útil, com a ajuda de bibliografia filatélica especializada, comparar esses exemplares clássicos, para averiguar as possíveis diferenças e anomalias de impressão.

Em 1979, tive oportunidade de comprar num sabedor e probo comerciante filatélico lisboeta, Adelino Cardoso, já falecido, uma extensíssima colecção de selos da ex-colónia de S. Tomé e Príncipe. Conjunto que pertencera a um diplomata português, que nos representara em Londres, nos anos 40. Esses selos, incluindo vários erros, tinham sido adquiridos, maioritariamente, na célebre casa Stanley Gibbons. Durante o PREC, e após a morte do Embaixador, a colecção fora vendida para Espanha, mas veio a ser readquirida por outro comerciante luso-espanhol, um pouco mais tarde, que, por sua vez, a revendera ao sr. Adelino Cardoso.
Deixo em imagem uma dupla do selo nº 145 (Catálogo Mundifil - 2015), com sobretaxa, em que o selo da esquerda apresenta as variantes do algarismo 5 (da sobretaxa) fendido, bem como de bandeira curta, o que o valoriza 4 vezes mais (100 euros) do que o seu congénere normal (25 euros), à direita.
Os selos da segunda e terceira imagens pertenceram à especializada colecção do referido diplomata português, que foi embaixador na Inglaterra.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Regionalismos ilhavenses (13 e último)


Finalizamos, hoje, esta mini-antologia temática que fomos colhendo de Palabras co bento no leba, obra levada a cabo por Domingos Freire Cardoso (1946), ilhavense ilustre, que assim testemunhou, em livro, o amor à terra que o viu nascer. E que contou com algum apoio colateral de amigos desinteressados, mas conhecedores do linguajar popular de Ílhavo, que foram confirmando vocábulos, ajuntando expressões e animando o Autor, nesse longo labor, de persistência feito.


Aqui vão, portanto, os últimos 10 regionalismos ilhavenses:

1. Talaborda - pessoa que fala demais, sem saber.
2. Tanòca - gorda; espiga de milho grande.
3. Tarrinca - pessoa difícil de aturar, teimosa, que implica com os outros.
4. Tèjeiro - pescador de Ílhavo que ia fazer safras de pesca no rio Tejo.
5. Tòra - chouriça; rodela de chouriça que se põe numa malga de caldo-verde.*



6. Tròte - operação que consiste em separar a cabeça do bacalhau que é conservado à parte.
7. Uriête - pessoa que quer tudo, que rapa tudo.
8. Xana - o que fica em último em qualquer competição.
9. Zarrão - homem grande, saudável. (abreviatura de homenzarrão.)
10. Zoira - rapaz vadio, estróina; grande velocidade.



* tal como penso, e já referi, acontece que, às vezes, determinados regionalismos surgem em localidades distintas e até distanciadas geograficamente, sendo difícil, por essa osmose e viajar na boca do povo, atribuir-lhes, com segurança o seu local verdadeiro de origem. É o caso do regionalismo Tora que, sem o acento grave, era usado com o mesmo significado, na minha casa, como em outras casas vimaranenses, pelo menos, nos anos 50/60 do século passado.

P. S. : o meu mais sincero agradecimento a AVP, que me ofereceu o livro, generosamente. E ao autor, Domingos Freire Cardoso, que me proporcionou um acréscimo lexical, bem como a base e matéria prima destes postes, que fui registando, com gosto, no Arpose.

Mercearias Finas 139


Aos setenta começamos a soletrar os anos.
S. trouxera o Vinhão para acompanhar a bichinha retalhada na cabidela. E umas cigarrilhas da Nicarágua, a meu favor, muito aconchegantes, para depois do Pão-de-ló de Alfeizerão. C. S. voltou a reabrir a aguardente fafense, particular e antiga,  a que regressa, em circunstâncias especiais e quando tem boa companhia. Se, para o ano, ainda lá estivermos todos, imagino que a garrafa de Dimple sem rótulo, com o precioso néctar minhoto, há-de abrir-se de novo e espalhar, na sala, os seus nobres eflúvios.


Terei sido eu que comecei? Não, creio que foi o E., sempre um pouco sarcástico, a meter-se com o S., que começou a falar dos filhos e dos pais. E dos anos de vida. Cuja bússola imperfeita, de  números imprevisíveis, poderá ter como projecto de meta a estatística de longevidade familiar, à falta de melhor pitonisa.
Não era mórbida, porém, a ambiência da conversa. Nem o tema nos estragou a digestão da magnífica lampreia, que viera do rio Lima, ou do saboroso Vinhão, com os seus 12º, que, na sua versão cooperativa de 2017, nos deixou as melhores recordações gustativas.
Que para o ano haja mais! E com todos, que é bom sinal de saúde, dos que estiverem presentes.

Revivalismo Ligeiro CCXLII



Anunciam chuva, lá para a tarde. Pode ser que Dionne Warwick funcione como esconjuro...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Oh p'ra ela!...


Que este ano vai ser bem temporã!
Habituado que estava a tê-la à mesa, só lá para Fevereiro ou Março, fiquei surpreendidíssimo com a convocatória, para Janeiro, da amiga Confraria, que costuma amesendar, quase todos os anos, ali para as bandas do Areeiro, celebrando o especioso ciclóstomo.
Assim vai ser, hoje, ao almoço.

A grelha


A partir da chegada da televisão a Portugal, a palavra grelha passou a ter um significado mais amplo. Inicialmente ligada à alimentação, começou também a cozinhar programas televisivos. Mas também a servir, nos tempos recentes, para estorricar ou seleccionar aquilo que as direcções querem dar a ver. Ao povo.
Raramente vejo Os Prós e Contras, da RTP. Espreito os participantes e se me agradam assisto ao início, apenas, mas cada vez mais me confrange ouvir a voz empolada e grandiloquente da moderadora. Deste programa, em Outubro (creio), assinalaram-lhe o fim próximo, mas ele lá vai continuando, apesar da pobreza dos temas, que vão escasseando como motivo e razão...
À Quadratura do Círculo, na SIC, sou um pouco mais fiel. Sobretudo porque me agrada ouvir alguns raciocínios inteligentes de Pacheco Pereira sobre a actualidade política. Dispensava, inteiramente, as banalidades sempre previsíveis de Jorge Coelho e os circunlóquios e malabarismos barrocos de Lobo Xavier. O moderador, às vezes, também é inoportuno e demasiado interruptor...
Mas a Quadratura vai acabar a 24/1/19. Por razões da nova grelha - disse a direcção. Em plena floração e juventude dos seus 14 anos - isto faz-se?!..
É a grelha, que se há-de fazer? Mas a TVI prontificou-se a adoptar, pelo menos, Pacheco Pereira. Já só falta um telefonema do PR, a confortar os restantes 3 desempregados da grelha...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Leilão de livros e manuscritos


Na boa tradição a que nos tinha habituado José F. Vicente (Livraria Olisipo), os seus Sucessores levam a efeito mais um leilão de livros, manuscritos e gravuras, no Palácio da Independência (às Portas de Santo Antão, em Lisboa), nos próximos dias 5 e 6 de Fevereiro de 2019.
O importante acervo em almoeda inclui uma rara primeira edição de Virgínia Woolf (lote 852, com uma estimativa de venda entre 250 e 500 euros) e duas raríssimas cartas autógrafas de D. Francisco Manuel de Melo, escritas na prisão da Torre Velha (lote 540, com previsão de venda entre 800 e 1.600 euros), para além de uma importante camiliana.
Por gosto pessoal, eu destacaria mais os seguintes lotes e suas respectivas previsões de venda:

296 - Costa, Agostinho R. da - Descripção... da Cidade do Porto, 1789....................... 800/1.600 euros
326 - Dario, Rubén - El Canto Errante, 1907.................................................................   70/ 140 euros
591 - Miranda, Francisco Sá de - Obras... Lisboa, 1677...................................................200/400 euros
645 - Palla e Costa Martins, Victor - Lisboa "Cidade Triste e Alegre", 1959....................300/600 euros
762 - Sena, Jorge de - Perseguição , Lisboa, 1942 ( 1ª edição)..........................................80/160 euros. 

Mistérios e falsos títulos ou soluções


Cheira a pão quente na rua, inexplicavelmente. À sugestão de flanela húmida, que a chuva deixou no ar. E ao passar junto ao pequeno e despretencioso café-restaurante, contíguo ao quiosque, aonde vou comprar o jornal, vem-me o odor intenso que tanto pode ser da base de um guisado como do estrugido para um arroz de acompanhamento, para o almoço de hoje. Não virei a saber, porém, qual deles se prepara, no interior do estabelecimento...
Nunca gostei muito de mistérios, a não ser para solucioná-los ou para ensaiar hipóteses de explicação.
Daí o meu gosto, desde jovem, por romances policiais, desde que cumprissem as regras clássicas e, ao longo da leitura, eu pudesse ir especulando sobre quem seria o possível assassino, baseando-me nos indícios concretos da narrativa.
Na adolescência, interessei-me largamente e durante muito tempo pelas misteriosas estátuas das Ilhas de Páscoa, que constituem território do Chile. Os gigantescos blocos de pedra, em local onde ela era escassa, eram um fenómeno estranho e de difícil explicação. Datados de meados do século XIII, os meios de transporte naval eram pouco mais que rudimentares, na altura e, assim, pareceria impossível que a pedra tivesse vindo de outros locais, para as Ilhas, por mar. Por terra, dado o isolamento  islenho, também não.
Creio que li, há muito tempo, 2 ou 3 livros sobre o assunto, mas que não avançavam nenhuma credível explicação ou solução para a existência, nesse local, das centenas de estátuas de pedra lá erigidas. O mistério ficou assim por resolver.
Ora, hoje de manhã, no Expresso-online, deparo-me com o pomposo título: Resolvido enigma das estátuas gigantescas da Ilha de Páscoa. Rejubilei! Ia finalmente conhecer a explicação do mistério. Depois, foi a desilusão total. Que "uns arqueólogos norte-americanos", que "junto a fontes de água doce", que na "revista Plos One", que "de terras férteis para culturas agrícolas, como a batata doce"... Sobre como a pedra, de que foram feitas as estátuas, lá fora parar: NADA! A montanha (título) tinha parido um rato (notícia vaga, sem a concreta explicação).
É assim que o jornalismo irresponsável e rasteiro engana e ilude o pagode com títulos bombásticos e apelativos.
Por isso, o mistério continua...

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

A última vez que falaram de nós...


Se, nos anos 50/60, em Guimarães, se falasse de pintores, dois nomes ocorreriam: Xico Maia e Mestre Caçoila. O primeiro vivia de pintar, sobretudo, paisagens bucólicas que tinham procura e se podiam encontrar em muitas casas da pequena burguesia vimaranense. Mestre Caçoila, de seu nome Manuel Mendes Pereira, pintava por gosto e "aos Domingos" - como dizia -, porque, nos dias úteis, vivia do seu mester de alfaiate, com loja aberta, próximo da Colegiada.
Xico Maia, nome artístico de Francisco Maia Oliveira, tinha figura imponente e cuidada, assemelhando ao rei D. Carlos, mas mais elegante de corpo. Era afável, convivial e sedutor, embora com família estável, mulher bonita e duas filhas. Mestre Caçoila era discreto e parecia tímido. Modesto, mas digno no trajar, usava boina e quase passava despercebido, para quem não conhecesse as suas pretensões artísticas. A José de Guimarães (1939) não passou ele despercebido, e fizeram-se amigos.
Não creio que Xico Maia alguma vez tivesse exposto em mostra individual. Mestre Caçoila, pelo contrário, teve o seu momento de glória ao integrar, no Palácio Foz (SNI), uma exposição colectiva de pintura naïf portuguesa, nos anos 60, suponho.
Muito procurei eu, por todo o lado, antes de fazer este poste, dados e elementos biográficos destes dois pintores vimaranenses, sem qualquer resultado. Encontrei só algumas obras. Valha-nos, ao menos, isso!...
A imortalidade é um mito.

Ao romper da manhã... e antes da conversão...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Regionalismos ilhavenses (12)



Retomamos a temática acima referida, cabendo hoje a vez de regionalismos iniciados pelas letras r e s. Seleccionados, como de costume, da obra de Domingos Freire Cardoso, já citada anteriormente.
Ei-los:

1. Rabau - estar muito frio; "Tenho frio de rabau."
2. Rachão corriento - pessoa difícil, muito teimosa.
3. Rebolinhos - pedras pequenas e arredondadas usadas nas atiradeiras (fisgas).
4. Remoalho - restos que ficavam no fundo do tacho de cobre onde se faziam os rojões.
5. Saguncho - pequeno peixe da ria de Aveiro.
6. Sair de tresintelha - sair à pressa e meio desnorteado; "Saiu daqui de tresintelha!"
7. Samos/ Sames - bexiga natatória do bacalhau, cortada aos pedaços e preparada como alimento.
8. Sobrôço - aflição antecipada por alguma coisa má que nos possa acontecer.
9. Surraipenta - louça de barro já muito usada.

Osmose 101


Já por aqui falei, abundantemente, do meu fastio pela ficção nos últimos anos. No presente, liminarmente excluo de compras ou leituras qualquer obra que se baseie em acontecimentos reais, até porque ainda privilegio, acima de tudo, os factos e a história, originais. E nem sempre gosto de ouvir uma narrativa repetida. Por excelente que seja a imaginação de um escritor, o que ele pode acrescentar são minudências, inverdades, rodriguinhos, palha... Ou, na melhor das hipóteses, uma perspectiva inteligente sob um outro ângulo, sobrando apenas o estilo, se for de qualidade. Da mesma maneira, quase, vejo a inutilidade, para mim nesta idade, do romance histórico, pelo muito que prezo a História. Por aqui passa, superiormente, a noção do Tempo. Que provavelmente, muitas vezes, utilizei no passado de forma perdulária em leituras inúteis, que a minha tenra ignorância protegia e a falta de sentido crítico, ainda desculpava.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Marcar territórios


No final dos meus anos de Liceu, eram muito populares uns cadernos em que constava um conjunto de perguntas diversas que nós propunhamos a colegas, desafiando-os (e -as) a responderem por escrito. Normalmente, esses questionários terminavam a perguntar qual a frase célebre preferida do questionado(a) condiscípulo(a). E ninguém se coibia de responder a essas inocentes questões.
Creio que nenhum de nós sabia, na altura, que eles eram os toscos sucessores de um mais bem elaborado questionário de 40 perguntas que Antoinette Faure (1871-1950) propôs, em Maio de 1886, ao seu amigo Marcel Proust (1871-1922), então adolescente. Tratava-se de uma espécie de teste de personalidade que permitia, pelas respostas, avaliar os gostos e maneira de ser dos entrevistados.
Desconheço se hoje esses cadernos ainda circulam nas escolas, com a mesma finalidade.
Mas essa tendência humana para revelar-se aos outros, creio que ainda existe, em cada um de nós, com mais ou menos parcimónia e discrição. E há muitos sinais sobreviventes desse original Questionário de Proust, que o desaparecido Jornal de Letras ressuscitou nos anos 60 para, de algum modo, entrevistar escritores portugueses, homens de teatro e outras personalidades.
E é frequente em muitos blogues que os administradores, nos seus perfis, insiram os seus livros preferidos e autores, os filmes predilectos, músicas favoritas e outras particularidades, marcando assim o seu terreno de eleição e de afectos. Mas também, algumas mais raras vezes, para exibir a sua cultura. E é curioso verificar o contágio provocado pelos postes que enumeram listas de escolhas. São daqueles que mais comentários colhem, habitualmente, dos seguidores desses blogues...

Frederick Delius (1862-1934) : Intermezzo

sábado, 12 de janeiro de 2019

O leve do pesado


Já o meu amigo H. N., ao passar-me o livro de empréstimo, me aconselhara a ler primeiro 4 apontamentos, que vinham em Le Monde, sobre o último Houellebecq, posterior a este. Assim fiz.
Retive o que Compagnon dele disse. Qualquer coisa como: que lemos este autor, para sabermos como estamos (em França) - uma afirmação compreensível e interessante nos propósitos.
Eu iria mais longe e citaria Brel - estas pouco mais de 30 páginas, que já li de Submissão, não deixam de ser um plat pays, a que falta nervo e osso. E garra literária, apesar do tema poder vir a ser pesado...
Há, evidentemente, Paris, embora menos repetitivo do que em Modiano. Há decadência e indiferença, também. Há um saber contar de água chilra. Bem como há muitos livros como este, que se publicam, até mesmo em Portugal, todos os meses, de forma absurda e acrítica.
Mas falta-lhes osso. E consistência literária.

para H. N., com agradecimentos.