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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Atrás de grades...


Não passará despercebida, a quem passar pela rua de S. José (Lisboa), um árvore insólita engaiolada numa estrutura metálica. É um dragoeiro, planta tão ou mais velha que as figueiras e oliveiras, na história do mundo, mas muito mais rara em Portugal. Mercê de umas obras de Santa Engrácia, que se eternizam nessa rua, a árvore foi protegida para lhes sobreviver (?), entretanto, e enjaulada.



Num dos seus passeios lisboetas, HMJ colheu este instantâneo pitoresco da base de uma grande árvore, no Jardim de Santos. As raízes, à superfície, lembram répteis fossilizados pela sua imponência e gigantismo. E graças à perspectiva das grades do jardim também parecem ter sido enjaulados.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

As refeições tristes



Não tenho o menor problema em almoçar ou jantar sozinho. Mas há quem tenha, e se sinta infeliz. Hoje, almoçamos bem, numa sequência longa que já vem do Norte, e descemos, depois, da rua de S. José para as Portas de Sto. Antão. À direita, num pequeno pátio reparei, uma vez mais, numa inscrição horizontal, em azulejo (posta pela Câmara de Lisboa, em 1992), que indica o local (nº 137) onde Luís de Camões, já "manquejando" de um olho, esteve preso, na chamada prisão do Tronco. Castigo aplicado ao Poeta por se ter envolvido numa rixa, por aquelas bandas, ocorrida a 15 ou 16 de Junho de 1552 (está a fazer anos), em que feriu gravemente Gonçalo Borges, moço do Paço.
Associando recordei, por isso e visualmente, um dos dois únicos retratos, feitos em vida, de Camões, em que ele, sentado à mesa, parece comer ou ter comido uma parca e triste refeição, sozinho. Mas prosseguindo o passeio, fui vendo alguns seres humanos, pelo vidro das montras dos restaurantes, amesendados e refeiçoando (sozinhos e acompanhados), talvez em nome da dieta e da esbelteza, algumas pobres coisas: alfaces (comida de grilos), milho (vianda de galinhas), rúcula...quase tudo, sem conduto. E fiquei preocupado e compungido, eu que almoçara lindamente, ver aquelas refeições macrobióticas e tristes, acompanhadas a água.