Por motivos óbvios um dos resultados colaterais das guerras são os saques. Ainda durante a II Grande Guerra, a magnífica colecção de arte (cerca de 450 obras) do francês Armand Dorville (1873-1941) foi dispersa através de um leilão levado a efeito em Nice, no ano de 1942. A receita, por força das leis nazis, foi confiscada aos herdeiros, e só em 1947 eles foram ressarcidos, através de uma quantia ridícula e desajustada, em fundos de Tesouro.
Entre as pinturas vendidas, encontravam-se 3 obras do pintor belga Félicien Rops (1833-1898), das quais talvez a mais conhecida era La Buveuse d'absinthe (1877), retrato duma jovem mulher com vestido azul que, na época, se encontrava ébria todas as noites no baile Bullier, em Paris.
Finalmente, só em 2022, após cerca de oitenta anos, os herdeiros de Armand Dorville foram ressarcidos da perda desta aguarela que, por acordo entre as partes e com pagamento da devida indemnização, ficou a pertencer, legal e definitivamente, à Biblioteca Real da Bélgica.
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