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sexta-feira, 21 de março de 2025

Dia Mundial da Poesia



Oportuna lembrança esta que a casa Vicente Leilões promoveu, hoje, para o Dia da Poesia, levando a leilão mais de uma centena de livros de poemas, alguns de grande raridade. Resolvi escolher quatro deles, bem como a sua estimativa de preço, para destacar, neste poste.
Acima, este primeiro livro de Raul Leal (lote 99) que tinha uma base inicial de 120 euros.



A segunda, é a única primeira emissão que eu não tenho e que foi editada em Paris, em 1892, numa tiragem de apenas 250 exemplares, por António Nobre. Mas possuo a edição facsimilada que José Augusto Seabra (1937-2004) mandou fazer pelo centenário da obra, em 1982. A edição original tem uma estimativa de 1.000 euros (lote 112), neste leilão.


Há muito na minha posse, está a edição primeira  de Clepsydra (1920), de Camilo Pessanha. Que, neste leilão (lote 123), tem uma estimativa de 500 euros. Em Outubro de 1994, um exemplar semelhante, muito bem encadernado, custou-me Esc. 20.000$00,  num alfarrabista da rua do Alecrim.



Finalmente o lote 139, de António Diniz da Cruz e Silva, O Hyssope (1802), com local de impressão em Londres mas, na realidade, impresso em Paris, na sua edição original, tem uma estimativa de venda de 50 euros iniciais.






sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Bibliofilia 203



Livreiros e alfarrabistas costumam aconselhar os clientes a não comprar obras truncadas, pois correm o risco de não conseguirem completar a obra, quando formada por mais do que um volume. Por várias vezes ignorei este sábio conselho, mas quase sempre tive sorte; excepto com as obras completas (6 livros) do poeta António Diniz da Cruz e Silva (1731-1799) na sua primeira edição (1807-1817 / Typografia Lacerdina - Impressão Regia), cujo tomo IV me está em falta, de há vários anos a esta parte, para minha pena.



Um dos casos que completei com sucesso, ao longo de 5 ou 6 anos foi Variété, de Paul Valéry (1871-1945), editado pela Gallimard (1924-1945) em 5 livros. O primeiro dos volumes comprei-o na Rua do Alecrim, em meados dos anos 90, e ostenta assinatura de posse de Castelo Branco Chaves (1900-1992) e a data manuscrita de 1936. Tem também alguns sublinhados a lápis. O segundo volume não sei onde o adquiri, nem quanto paguei por ele. Tem  encadernação meia francesa, ao contrário do I tomo brochado, e tal como os 3 seguintes.



Finalmente, os três últimos volumes, encadernados, foram todos comprados (Esc. 300$00, cada) num alfarrabista da Calçada do Carmo, por volta de 1995. Todos os tomos de Variété se encontram em bom estado.
Não sendo obra rara - creio - por haver reedições, estes ensaios de Paul Valéry têm grande valor para mim pelo diálogo mental que permitem e pelas reflexões que trazem da leitura.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Bibliofilia 201



Qualquer manuscrito, de índole literária, pode ser uma fonte inesgotável de investigação e descoberta. Tratando-se de um autógrafo o interesse e o valor aumentam consideravelmente. Não possuo, na minha biblioteca, muitos manuscritos, sendo que dois deles incluem poemas de Cruz e Silva (1731-1799), poeta de minha grande estima, que faleceu no Brasil. Um destes últimos, bem encadernado, é O Hyssope, numa versão provavelmente de finais do século XVIII, que terá pertencido ao estudioso F. M. de Sousa Viterbo (1845-1910). O segundo (em imagens), desencadernado, regista 22 odes de Elpino Nonacriense, pseudónimo do co-fundador da Arcádia Lusitana ou Olissiponense.
Inexplicavelmente, este manuscrito tem a página de guarda, em parte, riscada...




No que diz respeito às odes* de Cruz e Silva, este manuscrito não as abrange todas, mas tem a particularidade de incluir, ao que me parece, uma inédita (a 22ª na numeração), que está intitulada Pela aclamação dos Reis D. Maria 1ª e D. Pedro 3º.  A cerimónia terá tido lugar a 13 de Maio de 1777 e, por isso, esta ode inédita (?) terá sido escrita por essa altura para celebrar o faustoso acontecimento régio.


Vou transcrever o seu início:
1
Das virtudes guiados
Subi ao alto Trono, ó Reis augustos.
Nem sempre equivocos Fados
Se nos hão de mostrar surdos e injustos:
Abrem vasto Thezouro,
E nos mandad por vós a idade d'ouro.
...

* Para melhor esclarecimento sobre as odes do poeta Cruz e Silva, dá-se conta do seu número  nas várias edições impressas, cronologicamente:
- 1801 Imprensa da Universidade de Coimbra, inclui 34 odes pindáricas. Edição póstuma e primeira.
- 1815 Lisboa, Na Impressão Régia, contém 16 odes pindáricas (Que contém a primeira Parte das Odes Pindaricas.). Tomo V das Poesias de Antonio Diniz da Cruz e Silva...
- 1817 Lisboa, Na Impressão Régia, insere 30 odes (Que contém a segunda Parte das Odes Pindaricas.). Tomo VI das Poesias de Antonio Diniz da Cruz e Silva...
- 1820 Londres, Na Officina de T. C. Hansard, Peterboro'_Court, Fleet Street. Esta impressão, com 34 odes, segue maioritariamente a primeira edição conimbricense, de 1801, e "he conforme com um Manuscripto que não differe essencialmente da Edição de Coimbra de 1801, senão em alguns poucos versos e palavras, que..." segundo advertência dos editores, de 3 de Março de 1820.

Nota final: as iniciais (F. M. T. de A. M.), que surgem nos volumes (6) das Poesias de Cuz e Silva, editados inicialmente pela Typografia Lacerdina e depois pela Impressão Regia, referem-se a Francisco Manuel Trigoso de Aragão Morato (1777-1838), que dirigiu a organização e publicação dos poemas.