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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Catálogos e enumerações


Confesso-me um leitor interessado por bibliografias, catálogos de leilões, por listas enumerando produtos culturais diversificados. Sobretudo, se essas relações vêm enriquecidas de notas apropriadas, ilustrando a descrição e qualidade dos objectos através de um aparato crítico elucidativo. A enumeração pura e simples deixa-me quase sempre insatisfeito pela aridez que, muitas vezes, se assemelha a um balanço ou inventário burocrático de um armazém comercial, anódino.


Foi, por isso, que com agradável surpresa vim a descobrir, por entre os meus CD arrumados, um inesperado catálogo de edições de música erudita que a FNAC produziu, em anos recuados, e que eu guardei, pela qualidade desse pequeno livro de publicidade nobre. A selecção inclui 258 obras gravadas de música erudita, capa com reprodução de um quadro de Amadeu Souza-Cardozo, e colaboração de Rui Vieira Nery. Bem como um glossário musical, biografias de compositores e apreciação crítica das gravações.
Ainda bem que o guardei!

terça-feira, 2 de abril de 2019

Sensibilidades


Em recente questionário-entrevista, a um semanário, o musicólogo Rui Vieira Nery (1957), à pergunta : "Um músico pode não ser um artista?", respondeu: "Um verdadeiro músico é sempre, por definição, um artista. Mas depois, claro, há os outros..."
Se o exercício profissional de uma actividade pressupõe alguma coisa de mecânico e automático,  rotineiro enfim, impessoal e neutro, até determinada altura, na minha vida, eu imaginava que os cultores de algumas funções artísticas eram dotados de uma especial sensibilidade.
Até que um dia, questionei o meu amigo António - que fora compagnon de route de uma orquestra do Norte - sobre a especial sensibilidade dos músicos. Respondeu-me, mais ou menos, assim: Não te iludas, uma boa parte são uns burgessos!...
Na verdade, eu tinha-me esquecido da forma como Fellini os vira e tratara em "Ensaio da orquestra" (1978)...