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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Excessos

 

Há fascínios estranhos e contagiosos difíceis de explicar. O jornal Le Monde (19/9/2025) dá conta de um deles, francês: os jardins de Claude Monet (1840-1926), em Giverny. Em 2024, foram visitados por 775.000 turistas. O que, inseridos numa localidade de apenas 460 habitantes, prenuncia o risco de saturação...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Inflação

 

Informa fonte credível que, com o grande aumento dos turistas chungas, os carteiristas tiveram um crescimento significativo de 50%, só em Lisboa. Por aqui, pelos vistos, não falta trabalho. A mesma notícia precisa que nesta "profissão" estão registados ( PSP ) 141 trabalhadores activos. Não serão muitos, mas deve compensar...

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Um título interrogativo e uma conclusão jornalística

 

Do jornal Público de hoje:

"Nos jogos Olímpicos, os cavalos sofrem ou são felizes?"
Diogo Cardoso Oliveira (pg. 27)
...
"...Sabemos que o turismo se tornou sem dúvida um problema quando ele só existe nestas duas modalidades: ou está em excesso ou está em falta. Ainda não foi inventada, para ele, uma justa medida."
António Guerreiro, ípsilon (pg. 30).

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Leituras e realidade



O livro tem um lado acrítico, nacional-porrerista (à MEC), que o faz omitir, por exemplo, os horríveis e mastodônticos paquetes que acostam a Lisboa, todos os dias, despejando milhares de bimbos, ruidosos, de calções e alpergatas pelas ruas da capital, e a fotografar o que quer que seja. Bem como algumas parcialidades pouco isentas que dão à obra um tom laudatório excessivo. Mas vê-se que, por trás do texto, houve trabalho sério, sobretudo do ponto de vista histórico, da autora.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

O monstro



Veneza já condicionou estes paquidermes flutuantes, a França proibiu as trotinetes e talvez tenha restringido os foleiros tuque-tuques, mas Lisboa, como é liberal e mãos rotas, além de usar de grande delicadeza democrática, tudo permite. As abarracadas feiras (medievais?) transitam da avenida da Liberdade para o jardim do Príncipe Real, deste para o Cais do Sodré e daqui para S. Pedro de Alcântara, repetindo tudo, em seguida, continuamente. Moedas, entretanto, entretém-se pueril, com a revolução de trânsito na avenida da Liberdade e adjacências. Trotinetes, tuque-tuques, lixo vão-se desarrumando por Lisboa, e os paquetes paquidermes continuam chegando e poluindo a capital, impunemente. Deste caos enorme, Moedas, o tolo de aldeia, colhe uns cobres de pobrete pateta...
Haja saúde!

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Humor negro (18)

 


Lá como cá...


sexta-feira, 8 de julho de 2022

Turismos...

 

Lisboa perdeu a Graça. A Baixa há muito que se tinha perdido, por entre a China e a Índia, com os seus galos de Barcelos imitados e as lojas de senhoras de Fátima, iluminadas ou não. A Bica, Campo de Ourique, a rua do Salitre passaram a gauleses, já quase incaracterísticos nos seus percursos e falares, iguais a esse mundo fora.  Entretanto, já dois paquidermes flutuantes acostaram, hoje, lá para as bandas de Santa Apolónia.
Ao que parece, conseguimos acompanhar os outros, pela pior maneira. Com algum atraso, é certo pelo menos, em relação a Veneza que, agora no entanto, já não deixa entrar paquidermes na sua laguna, por uma questão de sanidade profilática, bom senso e medida...

quarta-feira, 23 de março de 2022

Imigração francófona



O mais recente Le Point (nº 2588) faz uma perninha pelo turismo português ou pela imigração (?) dos franceses para Lisboa. Destacando, elogiosamente, em três páginas, a zona do Príncipe Real e as suas atracções, convidando a que sejam visitadas. 

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Marrar sempre no mesmo



Ali, para os lados de Sta. Apolónia, há pelo menos 3 paquetes-paquidermes acostados. De gentalha que se espalha pela Baixa, até voltar ao redil, ao fim da tarde, para zarpar de novo a poluir novas paragens.
Esquecidas as aflições, tudo volta ao mesmo paradigma. Num determinismo fatal, cego, a que ninguém põe cobro nem limites. Medina ou Moedas, tanto faz, para o caso.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Miscelânea


Uma publicação alemã, que também promove viagens, tem alguns dos seus destinos turísticos para a passagem do ano já esgotados. Um dos primeiros foi Lisboa e, por isso, não será tão cedo que nos livramos desta massificação desordenada, ruidosa e fotografante.
Esta sofreguidão pelo futuro pouco tem de consistente. Os picos da novidade ou interesses momentâneos correspondem apenas a meros caprichos que o poder mediático explora para ganhar audiências da corrente acarneirada dominante e da publicidade paralela e correspondente.
Neste mês de Novembro, e em pouco mais de uma semana, calaram-se três vozes portuguesas - duas fadistas e um cantautor. Logo o Arpose teve um pico de audiência sobre dois dos nomes que constavam do registo do Blogue, no dia e seguintes a estes dois óbitos nacionais. Mórbida atracção de vários anónimos e desconhecidos peléns que, decerto, nunca frequentaram sequer o Arpose.
Acrescente-se, por equilíbrio e por uma questão de justiça, ao obituário, o nome de Argentina Santos (1924-2019), nonagenária e fadista estimável, que não constava do registo do Blogue.
Agora, já consta...

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Coimbra, menina e velha


Só este espaço, em imagem, me pareceu mais pequeno. O resto de Coimbra cresceu, desmesuradamente, e no pior sentido. Em casas devolutas, em ruinas cujas paredes se esfarelam de humidade e chinoiseries pululantes, em hamburgarias, em lixo, também.
Descer do museu Machado de Castro até à Sé Velha, pelas ruelas exíguas, nos primeiros 60 metros, é tarefa deprimente pelo estado das casas, a seguir é tasca sim, tasca não, até ao Arco de Almedina. Fora as lojas para turistas low cost.
Por outro lado, nunca pensei que a degradação da pedra (de Ançã?) pudesse atingir tais proporções na Igreja de Sta. Cruz e na Sé Velha. Retirados ou erodidos, há uma série de nichos vazios nestes dois templos vetustos. Misérias, da que já foi a terceira cidade do país...
A Ferreira Borges vai ficando cada vez mais uma chinatown lúgubre, a que se segue uma rua da Sofia anárquica e suja, de comércios duvidosos. A praça do Comércio, entre a capela de Santiago e a igreja de S. Bartolomeu, está morta. Resta o dédalo labiríntico de pequeno comércio, no interior da Baixa, que cerca o beco do Manuel dos Ossos, onde já havia bicha à espera, ainda não eram 19 horas.
Não fora o movimento e vida na Alta, em volta dos polos universitários, Coimbra mais parecia uma cidade fantasma, visitada por turistas por todos os lados onde houvesse alguma coisa para ver, comer, beber ou fotografar. Ainda que fosse uma pindérica e ancuda tricana metálica, plantada no escadório, entre as duas Sés.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

As palavras do dia (36)


Estou à vontade, até porque já falo dos malefícios do turismo intensivo há muito tempo. Quando, na altura, alguns me consideraram uma espécie de velho do Restelo xenófobo, que não era nem sou.
Agora, já quase todos rosnam contra eles, até o mec, repimpado em Colares, lhes dedicou uma crónica raivosa, há dias no Público, esconjurando estes turistas low cost que fazem perder a alma das cidades.
Mas o que mais me preocupa é que, se os edis de Barcelona ou de Bruges vão tomando medidas restritivas contra estas hordas chungas, o Medina lisboeta parece continuar a sorrir para elas, alarvemente, sem nada fazer. Depois, que não se queixe se perder as eleições, como merece...
Entretanto, leia-se acima o texto de António Guerreiro, na ípsilon do jornal Público de hoje, que põe o dedo nesta nossa ferida que vai alastrando como peste dos nossos dias.

sábado, 4 de maio de 2019

Contorcionismos


Em tempos de canícula, tenho por costume, às vezes, depois de subir a rua do Alecrim, virando para o Chiado, fazer um pausa e entrar na Igreja da Encarnação. O seu interior é amplo, fresco e silencioso. Os bancos de madeira, embora não sendo muito confortáveis, dão para descansar, sem grandes incómodos, durante uns 5 ou 10 minutos, até voltar a seguir viagem. Por outro lado evito, momentaneamente, as hordas  ruidosas dos turistas low cost que preferem tirar fotos sentados ao lado do Fernando Pessoa, de Lagoa Henriques ou, então, entrar na Igreja do Loreto, que fica defronte à da Encarnação. Sobretudo os turistas italianos, por razões patrióticas e óbvias, naturalmente.
Ora, há dias, lá retomei o hábito e entrei no Templo. Havia apenas uma mulher rezando, silenciosamente e de pé, frente a um dos altares do lado esquerdo da Igreja. Eu sentei-me no último banco do lado direito. Não se teriam passado 5 minutos, entraram duas jovens japonesas resmoneando alto, que também se sentaram, bastante mais à frente e continuaram na sua ladainha nipónica. Pouco depois, chegou um japonês magro e desengonçado, que deveria ser o pai delas, pela idade. Disse-lhes qualquer coisa e desatou logo a fotografar a torto e a direito, todos os altares e cantos da igreja. Não satisfeito, deitou-se de costas ao comprido, no corredor central, para tirar 2 fotografias ao tecto pintado do templo...
Eu iria apostar que, sobre a história da Igreja da Encarnação e seus aspectos culturais, ele nada saberia, nem se terá documentado, porventura. Depois disso, seguiu, tipo ratazana coleante, para a sacristia, em passos lépidos e coscuvilheiros, de máquina em punho.
Incomodado, levantei-me e saí...
Deus também já não se livra destes turistas de meia tigela.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Cair em graça


Vai demorar tempo até voltarmos a ter a felicidade do anonimato e o eléctrico 28 voltar a ser preenchido por apenas legítimos alfacinhas encartados. Por ora, somos escrutinados até ao pormenor e todo o bicho careta fala de nós. Ontem, éramos o melhor destino cool (seja lá o que for isso...), anteontem, a viagem de sonho, amanhã, provavelmente, a oitava maravilha do mundo...
E até o TLS cumpre esta agenda clonada de moda, recenseando uma obra (Queen of the Sea) sobre Lisboa, de Barry Hutton. O sr. Malcom Jack, recenseador habilitado por, recentemente (2018), ter publicado,  também, uma obra sobre Sintra e Lisboa, é que não é muito favorável ao livrinho de Barry Hutton. Diz que lhe falta bibliografia competente. Citando as omissões indesculpáveis de Beckford, Southey e Rose Macauly, pelo menos, que por cá andaram em tempos mais ou menos remotos.
E se nos deixassem em paz?!

sábado, 13 de outubro de 2018

A cegueira no turismo


O restaurante, nas Avenidas Novas, mantém-se em gestão familiar, como há cinquenta anos atrás, quando na zona morei, ainda estudante. Modesto e de preços justos, quanto à qualidade da cozinha e à generosidade das doses. Tradicional, atende sobretudo clientela de meia idade que por lá habita ou trabalha. Mas, ultimamente e quando lá vamos, temos vindo a assistir a um crescendo de comedores estrangeiros. Falantes, sobretudo, de francês e de língua inglesa.
Penso que o turismo também se faz de cheiros, como fundamentalmente é feito de olhares, de sabores, de sons que perpassam pelas ruas, até do tactear de tecidos estranhos e roupa de cama, agreste ou macia, que nos cobre, nas noites que passamos em hotéis desconhecidos. Numa miscelânea curiosa de novidades.
Há meses, vi com estranheza uma japonesa ( ou chinesa?) cega, amparada por uma companheira que a guiava, subindo a rua da Misericórdia. E achei insólito. Talvez a companheira lhe fosse contando o que via, como às crianças que, ao ouvir histórias, vão recriando a narrativa com a sua imaginação nascente.
Nessa altura, achei que seria um caso desgarrado. Há dias, porém, nesse restaurante de que falei a princípio, estávamos nós a jantar, vimos entrar 4 cegos(/as), com os (/as) respectivos (/as) acompanhantes, para nossa total surpresa. Que ocuparam tranquilamente, embora com vagar, uma mesa de 8 lugares. Creio que o grupo era inglês.
Eu seja ceguinho - como diz o povo -, se compreendo...

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Outro lado


Felizmente que as camisas havaianas berrantes, os chanatos chineses de plástico rasca e os calções desengonçados, que deixam à mostra as pernas branquelas e anémicas dos turistas aos molhos, não chegaram ainda a Canide, a Lavadores, nem sequer à Afurada. Os turistas pack-chapa-zero ficam-se pela Lello e pela torre dos Clérigos, e por aí se babam de pasmo incontinente e fotos sucessivas.
Deixaram-nos os areais limpos e o azul cobalto das águas, o silêncio maravilhoso da paisagem natural e o conforto de os olharmos, tranquilamente.
E, depois, com quatro sardinhas a cada um, uns nacos de broa e um branco da casa, fresquinho, na esplanada da tasca modesta, só ouvíamos falar português. Com moderação e sem selfies...
Ainda há outros mundos, felizmente, não poluidos de todo.

para A. de A. M., com grato reconhecimento, e em memória.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Circular


Por diversas razões, afazeres e compras, fiz ontem de manhã, a pé, um médio-longo percurso que me levou do Chiado até à rua do Loreto e, depois, em direcção ao Rossio, com regresso, pelas ruas do Ouro e Crucifixo, voltando de novo ao Chiado. Cruzei-me com hordas e hordas de turistas, em que os nacionais eram uma suave minoria. Por vezes, fui obrigado a pedir licença, para passar.
E evitei, in extremis, duas colisões aparatosas, através de golpes de rins de última hora. Porque a maioria desta gentinha ou vai colada, umbilicalmente, ao seu tablet, não vendo mais nada à sua frente, ou vai num estupor abúlico de pasmo comatoso, para fotografar tudo o que mexe e não mexe. Uma espécie de zombies, em piloto automático...
Irra!

sábado, 11 de agosto de 2018

Encore...


Dantes, e não há muito tempo, Lisboa, em Agosto, era uma sossegada, amena e desocupada cidade de província... Dava gosto passeá-la, a pé ou em transportes públicos quase vazios, sentarmo-nos na esplanada de um café, à sombra, e beber tranquilamente uma groselha fresca, um café, ou saborear uma cerveja bem gelada. Hoje, não. As esplanadas (e há muito mais, agora) estão coalhadas de multidões babélicas, barulhentas, sobretudo, se há mulheres castelhanas, que pedem meças às nossas antigas varinas, pela voz alta, metálica e desagradável. Os transportes públicos vão à cunha e depois há os tuques-tuques estridentes e os "troles" sacolejando, infernalmente, pelas calçadas das ruas. Anteontem, a HMJ, à porta dos Pastéis de Belém, viu uma bicha de quase um quilómetro que se cruzava com outra, que partia dos Jerónimos. O trânsito lisboeta, por sua vez, está caótico.
Saudosamente, lembrei-me de Aznavour, embora na canção ele fale desses amores breves que duram apenas um Verão. Quem não os teve?
E, ainda que ela já conste do Arpose (29/8/2010), passados 8 anos, é tempo de um encore... Relembrar Paris em Agosto, com saudades de uma Lisboa passada, agradável e acolhedora, quase vazia. De outrora, e sem turistas.

terça-feira, 24 de julho de 2018

O ar do tempo


Todos os anos, por alturas do Verão, o TLS costuma questionar umas quantas personalidades, de vários quadrantes culturais, sobre os livros que vão ler nas férias. 
Este ano (TLS, nº 6015) não foi excepção, e são 22 os inquiridos, entre romancistas, críticos literários e ensaistas. Como Portugal está na moda, há duas referências ao nosso país. De Leslie Jamison (1983), que fala de uma sua anterior vinda a Lisboa, e de Becca Rothfeld que, elogiando a riqueza da literatura portuguesa, destaca: "The Maias" (Dedalus), a realist family chronicle by the nineteenth-century Portuguese master José Maria de Eça de Queiroz, who was much lauded in his lifetime; he was regarded by Émile Zola as "far greater than my own dear master, Flaubert."
Infelizmente, esta opinião já não terá chegado a tempo, nem terá sido tomada em conta pela misteriosa instituição ministerial, talvez coadjuvada pelo inefável grupo do académico Plano Nacional de Leitura, ao seleccionar o futuro. Foi pena...