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segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Uma fotografia, de vez em quando... (187)

 

Uma passadeira vermelha, em Veneza, para um louva-a-deus. De um fotógrafo anónimo.
(Não sei se terá sido por esta mesma passadeira que Almodovar passou para receber o Leão de Ouro...)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Pinacoteca Pessoal 190


Não creio que se conheça alguma imagem, menos ainda auto-retrato, de Vincenzo Catena (1480-1531), pintor italiano que trabalhou principalmente em Veneza. E que terá sido influenciado por Bellini, Ticiano e Giorgione.




Mas esta pintura representando a Ceia de Emaús, executada por volta 1520, que se guarda nos Uffizi de Florença, atesta uma simplicidade notável de adereços decorativos, para se fixar sobretudo nas três figuras centrais do quadro. De que se exclui talvez o panejamento que, atrás de Cristo, faz destacar a sua figura. E, pormenor curioso e supérfluo, o pequeno cão ou gato (?), por baixo da mesa, à direita.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

domingo, 28 de agosto de 2022

Uma fotografia, de vez em quando... (162)



Fulvio Roiter (1926-2016) nasceu e morreu em Veneza, cidade italiana de que deixou inúmeros registos visuais bem sucedidos. Editou cerca de um centena de livros de fotografia, tendo recebido, em 1956, o prestigiado Prémio Nadar, pela sua obra Ombrie. Um tema recorrente dos seus instantâneos é o contraste entre a nitidez (proximidade) e o vago da neblina de uma certa desfocagem (da distância).




De Veneza, do Brasil à Andaluzia, passando pelo Algarve, Fulvio Roiter deixou-nos alguns belos e significativos testemunhos que justificam que aqui o recordemos.




sexta-feira, 8 de julho de 2022

Turismos...

 

Lisboa perdeu a Graça. A Baixa há muito que se tinha perdido, por entre a China e a Índia, com os seus galos de Barcelos imitados e as lojas de senhoras de Fátima, iluminadas ou não. A Bica, Campo de Ourique, a rua do Salitre passaram a gauleses, já quase incaracterísticos nos seus percursos e falares, iguais a esse mundo fora.  Entretanto, já dois paquidermes flutuantes acostaram, hoje, lá para as bandas de Santa Apolónia.
Ao que parece, conseguimos acompanhar os outros, pela pior maneira. Com algum atraso, é certo pelo menos, em relação a Veneza que, agora no entanto, já não deixa entrar paquidermes na sua laguna, por uma questão de sanidade profilática, bom senso e medida...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Desabafo (68)



Já não nos bastava o choramingas do mãezinha caxineiro, e agora vem este artista também a lacrimejar... 
Lá vai Veneza afundar-se ainda mais!


sábado, 30 de março de 2019

Amilcare Ponchielli (1834-1886)



Naturalmente, e a propósito, "A Dança das Horas", da ópera La Gioconda, de Amilcare Ponchielli.

terça-feira, 5 de março de 2019

Vivaldi



A propósito de Vivaldi, vem à colação Veneza, para que se não diga que eu me esqueci que hoje é terça-feira de Carnaval...

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Félix Godefroid (1818-1897)

Na coerente sequência temática do Turismo, por indirecta associação, lembremos o belga Félix Godefroid e o seu Carnaval de Veneza, muito bem interpretado por Catrin Finch.
Quanto à bela cidade italiana do Adriático, bem mais martirizada de turistas de calção, do que Lisboa, já só conta com 50.000 naturais residentes. O resto são turistas estrangeiros que lá passam, em média, uma semana por ano, em casas que foram comprando, a preços proibitivos para o veneziano comum.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Divagações 124


É Claudio Magris (1939) que, no seu Alfabetos, fala de Praga como uma "cidade literária", no seu conceito mais restrito. Mas, no sentido amplo, por ordem de importância, e sobretudo no século XX, a sagrada trilogia de Veneza, Trieste e Praga foi um must de distinção de alguns escritores e poetas que se prezavam de o ser. Este fascínio, porventura estranho, contagiou muitos leitores e viajantes. Actual e infelizmente, no entanto, Veneza está condenada, principalmente, ao turismo democrático e popularucho, tendo perdido grande parte da sua população residente.
Também para pintores e para os amadores de pintura, no século XX, foram lugares míticos: Florença, a Provença, Paris e, depois, sucessivamente, Londres, Berlim, S. Francisco...
A tudo isto - creio - anda também associado algum snobismo intelectualóide, simultaneamente parolo, de alguns que se julgam ungidos do favor, graça e pertença a uma casta de eleitos e que, com alguma frequência, citam ou referem essas "cidades literárias" ou artísticas, pour épater le bourgeois. Visconti, como realizador e com dois dos seus filmes ("Senso", de 1954, e "Morte em Veneza", de 1971), também ajudou imenso à criação desses mitos, no caso particular, sobre esta cidade italiana do Adriático.
Se Joyce está ligado a Trieste, o seu nome leva-me sempre a Dublin. A Praga, chamava Kafka a sua "Mãezinha". E até acredito que Thomas Mann e Eugénio de Andrade tivessem falado de Veneza sinceramente, com verdadeiro afecto e profunda impressão, mas duvido que esse facto actue, hoje, nos seus leitores como se de um deslumbramento maravilhoso se tratasse, desencadeando, neles, um transe de hipnótico encantamento e atracção.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Ad usum delphini (6)


Não se pode pensar que, ao escrever num texto ou num verso uma palavra esbelta ou rica de sugestões, como Veneza ou Trieste, por exemplo, o nome de uma de uma praça ou rua turística de Londres ou de Paris (há que evitar a parvónia lusitana, em absoluto!), muito conhecidas, ou mesmo  a displicente inscrição de um autor célebre estrangeiro em moda, esse texto ou verso ganhe mais força ou qualidade intrínseca por essa citação ou referência. Diria que são os antigamente chamados, em círculos ou nichos considerados cultos:  fumos da Índia...
Mas há quem assim o julgue, numa fé absurda de mais valia ou nesta nova ignorância ( Pacheco Pereira dixit) ilustre, e fique fascinado com essa forma muito provinciana de fazer literatura. Ou literatice. (Que em blogues, também se encontra e usa.)
Por aí abundam bastos exemplos.
Cuidem-se!...


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Divagações 116


É o anoitecer que colhe, o mais das vezes, a preferência do viandante. Seja sobre o Adriático ou sobre o Tejo, essa nostálgica despedida do olhar, que a memória quer trazer por sobre as águas.
Depois, o enquadramento dará algumas pistas sobre quem esteve por trás: o movimento fixado, as coisas, a ordem ou a desarrumação, a quietude que se pretendia para a noite a começar.
Ao amanhecer, não se peça uma opção definida e clara. Em todo o caso, podemos sempre convocar Turner...

sábado, 1 de agosto de 2015

Fragilidade


A fragilidade sempre despertou uma especial atenção humana. Que, por vezes, se aproxima da compaixão, quando não vai de par com sentimentos vários, onde a ternura chega a espreitar, pelo menos, quando não se instala, de todo.
Para lá do encanto natural, beleza e fascínio que Veneza provoca, o seu rendilhado delicado ameaçado pelas águas e pelo turismo desenfreado dos anos mais recentes, tem acrescentado sentimentos sobre o seu nome emblemático, e de culto.
Se os daguerreotipos italianos, que o crítico de arte John Ruskin (1819-1900) fixou, se vão desvanecendo com o tempo, essas frágeis imagens, na época, foram-lhe extremamente úteis para contextualizar os estudos que escreveu sobre as aguarelas de Turner (1775-1851).
Aguarelas que, hoje, apenas sob uma luz precária e coada, podem ser vistas e admiradas. Caso contrário, a sua exposição sob uma luz forte e agressiva, fará desaparecer as suas cores frágeis, para sempre.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Curiosidades 40


Já aqui falámos, em tempos (Pinacoteca Pessoal 51, de 25/5/2013), do pintor veneziano Vittore Carpaccio (1460?-1525?). Mal amado, por uns, omitido por outros dos índices das histórias de Arte, tal como o divino poeta Francisco de Aldana é esquecido, por vezes, nas histórias da literatura espanhola, Carpaccio tem, no entanto, um pequeno grupo de grandes e fiéis admiradores, onde se contava, entre outros, o nome de Marcel Proust, um incondicional das suas pinturas.
Quis o destino, porém, que o seu apelido (Carpaccio) mais se difundisse para denominar, gastronomicamente, as finas fatias de carne que, assim são cortadas, para serem servidas frias, normalmente. O prato, em si, terá tido origem, em 1950, no Harry's Bar, de Veneza, para servir de dieta à condessa Amalia Mocenigo. E, porque, sendo a carne mal passada, o seu tom rubro lembrava o vermelho veneziano tão característico da pintura de Vittore Carpaccio.
E porque saiu, há pouco tempo, um livro intitulado Ciao, Carpaccio, de Jan Morris, sobre a arte do Pintor veneziano, acrescente-se mais uma curiosidade, referida por Christopher Stace, no penúltimo TLS (nº 5840). Ciao, fórmula italiana globalizada, hoje, de despedida, tem origem na expressão veneziana de cortesia: Sciao vostro! Que significa - Vosso servo! - em português.
E aqui deixo, para remate do poste, a imagem de uma pintura de Vittore Carpaccio, de que gosto muito, e que se intitula: "Pesca na Laguna".


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Curiosidades 29


As associações mentais podem levar, muitas vezes, bem longe do ponto de partida, mas são também uma poderosa ferramenta literária, sobretudo em poesia.
Alberto Manguel (1948), no seu pequeno texto "Lire Blanc pour Noir", começa por referir a origem da palavra traduzir, para depois chegar até à narração de um facto curioso sobre S. Marcos. O escritor informa-nos que traduzir, no início da Idade Média, significava "conduzir através, fazer passar" e a expressão era aplicada à transferência de relíquias de um santo, de um lado para outro. E exemplifica: "estas trasladações eram por vezes ilegais, uma vez que os despojos sagrados eram roubados numa cidade e levados para outro local (...) Foi assim que o corpo de S. Marcos chegou, vindo de Constantinopla, até Veneza, dissimulado sob um carregamento de carne de porco que os guardas turcos das portas de Constantinopla se recusaram em tocar" e vistoriar.

sábado, 25 de maio de 2013

Pinacoteca Pessoal 51


Algo enigmática, esta obra de Vittore Carpaccio (1460?-1525?), intitulada "Duas Venezianas num Balcão", pintada no final do séc. XV, parece personificar o tempo morto de uma espera, onde duas mulheres, ricamente vestidas e com colares de pérolas, se vão entretendo com vários animais domésticos (cães, rolas, papagaio...). Não será bem um retrato, mas não chega também a ser uma história.
Carpaccio terá aprendido a sua arte com Bellini. O quadro pertence ao Museu Correr, de Veneza.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Canaletto


De seu nome próprio, Giovanni António Canal, nasceu em Veneza a 28 de Outubro de 1697, e na mesma cidade veio a falecer em 1768. O pai, Bernardo Canal, foi também pintor e para os distinguir, chamavam a Antonio, Canaletto (pequeno Canal). Influenciou grandemente Francesco Guardí (1712-1780), também veneziano, que teve, em Veneza e na sua sumptuosidade, um dos motivos preferidos para as suas obras. O quadro na imagem pertence à National Gallery, de Londres, e celebra a festa da Ascenção, representando o Doge a embarcar no Bucintoro. Todos os anos, a gala se repetia, e no Adriático o Doge lançava um anel às águas para simbolizar o casamento de Veneza com o mar. É notável o detalhe da pintura e, ao mesmo tempo, a forma como Canaletto nos dá a testemunhar a grandeza estética da sua cidade natal.