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domingo, 4 de outubro de 2020

Um CD por mês (18)


Terá sido por volta de 85, do século passado, numa altura em que eu tinha tempo livre e poucas obrigações, que ao fim da tarde, ao sair da estação, vindo de Sintra, dobrei a praça D. João da Câmara para o Rossio e me internei na Valentim de Carvalho, onde acabei por comprar, afortunadamente, este magnífico CD da Philips, com composições de Robert Schumann (1810-1856), para oboé e piano.


A interpretação de Brendel e Holliger é primorosa nesta gravação de 1979, saída no ano seguinte. Já muitas vezes a ouvi e são talvez das músicas de Schumann que antecipo melhor de memória ao escutá-las.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Visitas de Estado


Eu poderia, com discrição e modéstia, simplesmente calar-me. Mas não consigo. É que há visitas que me desvanecem e o meu orgulho cresce, desmedido. E tenho que espalhar o facto aos quatro ventos.
Então, não é que o Arpose foi hoje visitado, às 14h48, nada menos do que pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna?! Que veio, direitinha, ao poste: Meter o Rossio na Betesga, de 31 de Agosto de 2011. Em boa hora o pus, e aqui biso a imagem.
Porque já ganhei o dia!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Primícias


Já vi e provei as primeiras castanhas assadas da época. Mas, depois de anos e anos (5? 6?...) em que o preço, por dúzia, se manteve a 2 euros, agora estão a vendê-las, pelo menos no Rossio e no Chiado, a 2,50 euros. Um aumento de 25%!... Mas estão muito boas, valha a verdade.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

À boca de um tempo feio


A Primavera, em grande parte do Brasil, deve estar visível e pujante, porque os migrantes jacarandás, no Rossio, já começaram a florir, timidamente, por entre a filigrana verde da intensa ramaria - não perderam a memória, que os faz florir por duas vezes, todos os anos, em Portugal. Abençoados sejam, na sua alegria!
Foi esta a minha visão mais feliz do dia, hoje. Que o resto é usura, sujeição, mediocridade, secura de pele e alma, pequenez, horizontes cerrados. Um "tempo feo", de que falava, a propósito de um quadro seu, o pintor espanhol Manolo Millares.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Filumenismo : uma vez, sem exemplo


Houve tempo em que o consumo de fósforos era intenso, por parte dos fumadores, porque os isqueiros eram caros e precisavam de licença, em Portugal. E havia muitos fiscais salazarentos, à espreita, a ver se apanhavam algum descuidado infractor. Um dos locais de emboscada, era à saída da Estação da CP, próximo do Rossio. Dizia-se que fora uma medida de Salazar, para proteger a indústria fosforeira portuguesa. Muito mais tarde, o uso de isqueiros foi liberalizado, apareceram os descartáveis (de marca Bic, no princípio), relativamente baratos e, alguns, até se podiam recarregar. Os fósforos maiores, de uso doméstico, nas cozinhas, foram também, pouco a pouco, substituídos por acendedores eléctricos. E o uso de fósforos tornou-se quase residual. Os fumadores de cachimbo é que continuaram a usar fósforos, preferindo-os aos isqueiros. E, depois, sempre havia os filumenistas, ou coleccionadores de caixas e carteiras de fósforos, que ainda hoje existem. Só episodicamente pratiquei filumenismo e, não há dúvida, que havia caixas e carteiras bem bonitas...
Em imagem, uma carteira de fósforos publicitária, portuguesa, e o rótulo de uma caixa de fósforos de cozinha, alemã.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Intermitências de Natal


Pela rua dos Condes vem uma enxurrada de crianças, em pelotões de 20 ou 30, guiadas por trintonas quase todas de cabeça armada com cornos de rena ou antenas da abelha Maia. Duas ou três com barretes de Pai Natal. Quem diria, com tantos infantes (bem à vontade duas centenas...) que baixou a taxa de natalidade, tantos são os meninos- jesus a vir dos  Templos: o Coliseu, com o seu Circo de Natal, e o Politeama com o Pinóquio do La Féria, sempre oportuno comerciante. Vindas das Portas de Santo Antão, as crianças derramam-se pela Avenida da Liberdade fora, numa soada crescente e colorida.
No Rossio, uma intervenção artística de caixas de fruta (?), brancas, da Plastidom (?), circunda a praça. Não fossem os jacarandás que, na sua memória brasileira genética, florescem a espaços com raros azúis, violetas e lilás, e a praça teria um ar pobrete, esbranquiçado demais...
Mas depois, a meio, no 44, há uma gruta mágica. Por entre as lembranças e postais turísticos, dezenas de bonecos de barro de Barcelos, Estremoz, aperaltam-se de brilho sobre o barro, para os presépios que os esperam  no aconchego das casas para onde os levem. Há 50, 60 anos custavam Esc. $50 ou 1$00, conforme o tamanho, entre ovelha, pastor ou rei mago encavalitado ou em cima de camelo. Agora o casal ancião e pequenino, simpático, que os vende, leva 2,00 euros pelos mais pequenos. Mas são irresistíveis, na memória.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Meter o Rossio na Betesga


Como se sabe, a palavra betesga significa ruela estreita, viela. E esta expressão popular, que usei no título deste poste, quer dizer: meter algo grande num espaço pequeno demais.
Dito isto, julgo que, às vezes, chego a ter compaixão pelo Google. Para além de ter, frequentemente, o motor gripado, de o Alzheimer de que sofre ser progressivo, ainda para mais, muitas vezes, lhe pedem coisas "fantásticas", surreais ou barrocas, desmesuradas, irracionalmente. Ora vejamos dois casos sintomáticos que chegaram ao Arpose, via search words glutonas a quererem "meter o Rossio na Betesga":
1º caso - o distinto pesquisador escreveu e clicou para o motor do Google estas palavras: "escansão do quarto canto nunalvares pereira do livro mensagem de fernando pessoa". O Google baralhado e confundido titubeou, mecanicamente, 2 postes: "A ressaca de Pessoa" (12/6/10) e "O escanção aconselha" (27/6/10)...
2º caso - o minucioso investigador escreveu, como search words: "musicas a desgarradas dos açores do bairro das laranjeiras avô e neta % 2". E o Google, "ceguinho de choro (José Régio)", mandou-o para "Laranjeiras de Machado" (poste de 9/7/10) e também "Para um Avô que faz anos", de 26/7/2011.
Finalmente, fiquei banzado com uma das últimas search words que chegou ao Arpose. Nada menos que: "francisco sá de miranda papel de parede".
Mas que despautério!...

domingo, 12 de junho de 2011

O Sado, como pretexto


Os jornais de hoje referem: 1."Manifestantes querem encher Rossio de pessoas deitadas no chão"; 2."Em Espanha, após acampamento de 4 semanas, os jovens desmontam as tendas". Até aqui, o que se pode concluir é que a taifa ou aduar luso vai com imenso atraso, em relação ao aduar castelhano, ou a capacidade de inovação e originalidade portuguesa continua a ser incipiente. Continuamos a imitar, mal, e usamos moldes usados e estafados que foram pioneiros do outro lado do Mediterrâneo: na Tunísia, no Egipto, há muitos meses atrás. E com boas razões, à partida: combatiam ditaduras corruptas. Na Península Ibérica (ver poste "As novas taifas", de 20/5/2011, aqui no Blogue), estes movimentos juvenis, com alguns séniores à mistura, parece terem apenas motivações lúdicas, festivas, para entreter o ócio e spleen adolescente. Ou, então, para os 2 ou 3 minutos de fama, na Tv. Com algumas movimentações algo injustificáveis como, recentemente, estes jovens espanhóis que tentaram impedir a tomada de posse do presidente da câmara de Madrid, bloqueando os acessos. São tiques de pressão intoleráveis numa democracia e que prenunciam uma visão dogmática, quase ditatorial, nos propósitos. Se estes jovens querem destruir o sistema político, em si, que concorram (serão assim tantos?) a eleições, como partido, democraticamente, e que façam implodir o sistema, por dentro. Depois, pelas roupas de marca, pelos telemóveis topo de gama que os vejo a usar, não me parecem sofrer grandes dificuldades. Serão, provavelmente, os novos infantes da esquerda-caviar...
Demos, no entanto, um pequeníssimo espaço à dúvida metódica da  (minha) idade e da excepção. Por vezes, as excepções acontecem. Por exemplo: ao contrário de todos, ou quase todos os rios portugueses, que têm um percurso Norte-Sul, o Sado, que nasce na serra da Vigia, vem desaguar a Setúbal. Talvez para evitar o barrocal algarvio. Mas, seja como for, o rio Sado, por excepção, tem um percurso Sul-Norte...aliás, como as movimentações das taifas e aduares que vieram de África para a Península Ibérica. Voilà!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Flash : os músicos romenos


Era para almoçar na Cervejaria da Trindade, mas como fui ao Rossio, para comprar o TLS, decidi-me a ficar por ali, e comer numa daquelas esplanadas das ruas que partem para o Terreiro do Paço. Má ideia, que tive. Se a matéria-prima (carne) era boa, a mais valia: nenhuma. Nem sabor, nem gosto. E o arroz, nem se fala...
Mas tive música, e com dois "encore".
A primeira orquestra tinha 4 elementos ciganos. No conjunto, dois homens, uma mulher a tocar pandeireta e um menor, ao acordeão - quase me senti em Paris... A segunda orquestra era mais comedida: só dois elementos. E era mais para a valsa vienense, à mistura com gritos bárbaros (ou bávaros dos Alpes?): quase fiquei eufórico!
Quando já eu estava a tomar o café, apareceu um solista romeno de bigode, com o seu acordeão. As músicas eram muito nostálgicas, e eu comecei a ficar melancólico demais para o meu gosto... Paguei a conta e afastei-me rapidamente do local. Ao chegar a casa, meti à boca, o último "Turkish Delight" que a A. N. oferecera, quando regressou da Ásia Menor. Ajudou-me a compensar a nostalgia e a encarar a vida mais desportivamente. Obrigado, A. N.!