domingo, 8 de novembro de 2026

Antologia 28



...Na sua essência, o Outono é feito de doçura e de tristeza. Olha-se e não parece haver nada de derradeiro nas cores que vem das vinhas, dos soutos e dos carvalhais. Mas, quando o Sol se põe e o latir longínquo dos cães e o toque dos sinos das igrejas quebram o silêncio do entardecer, aí, sim, a euforia perante tanta beleza dá lugar a uma desolada melancolia. Os dias de Outono são como as melhoras da morte, porque já sabemos que a paisagem em fogo apenas se está a despedir. ...

Pedro Garcias (1964), in jornal Público (7/11/2026).

Nota pessoal: vale a pena ler esta crónica (O Outono e a boa e a má podridão) pela sua qualidade.

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