Não sei se François Miterrand era, no mais íntimo de si, um homem de esquerda, mas sei que posso afirmar que ele se comportou, na política, como um homem de esquerda. O que é que quer dizer ser um homem de esquerda? Se for ter um cartão do partido comunista ou do partido socialista, isso não basta. Mas o mais importante é a visão do mundo, o seu combate pela melhoria da condição humana: erradicar a pobreza, lutar contra a fome no mundo e para que as crianças sejam todas educadas. Miterrand era um daqueles que pensava que a intervenção do homem era indispensável para rectificar estas grandes injustiças. Ele manteve-se um cristão liberal, um adepto de Ernest Renan e um discípulo de Marc Sangnier e do seu movimento progressista Le Sillon.
Roland Dumas (1922), in Coups et Blessures (pgs. 98/9).
