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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Curiosidades 118

 

Há nomes estranhos, outros que, só por parvoíce ou crueldade, se poderiam pôr a uma criança. E há nomes de terras extravagantes produto de excentridades mentais ou espíritos perversos. Lembrei-me disso ao referir a palavra Alcongosta num poste anterior. Também não sei dizer qual será mais usada de nome a nossa mais bonita praça lisboeta: se do Comércio, ou Terreiro do Paço, que eu utilizo com mais frequência.
Ao que parece a nomeação aristocrática ganha quase sempre mais favor, como será o caso do Príncipe Real, que já terá sido Largo  da Patriacal da Queimada, nome que lhe terá vindo de um incêndio que lá terá deflagrado em Março de 1769, no edifício onde se albergavam os serviços do Patriarcado. Quanto ao príncipe, terá sido Luís Filipe que era filho do rei D. Carlos. 
No referente a fogo, temos ainda a Travessa da Queimada, no Bairrro Alto. O olisipógrafo Vieira da Silva atribui o topónimo a uma fidalga do século XVI, que se chamava Ana Queimada e lá morava. Comprovadamente, um nome que vem de longe e se conservou...

domingo, 16 de março de 2025

Pelo bicentenário camiliano

 




Não quis deixar passar a data do bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco (1825-1890), sem registar a efeméride através da reprodução de duas das capas maneirinhas da edição* que mais aprecio, que é a da Travessa da Queimada, 35, Lisboa (ainda do séc. XIX).
E por aqui venho relembrar o originalíssimo e insólito início de Scenas Contemporâneas (1855), assim:
"Os meus amigos de certo não sabem o que é caçar coelhos na neve?
Não admira.
Imaginem-se em qualquer aldeia, nas vizinhanças do Marão. Olhem em redor de si, e contemplem o quadro que os viajantes na Suissa lhes descrevem todos os dias, supposto que nunca sahissem da sua terra.
A primeira impressão que recebem é a do assombro. Leguas em roda, nem na terra nem no céo, se descobre uma crista de rochedo, a frança de uma arvore, a dobra de uma nuvem, que não seja brança, alvissima, desde um horisonte a outro horisonte." (...)


* Esta edição, promovida pelo editor Pedro Corrêa (s. d. - 1889-1893?) é constituída por 37 títulos camilianos em 43 volumes.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Retro (107)


Das variadíssimas edições das obras de Camilo, eu sempre preferi as impressões maneirinhas que foram produzidas na Travessa da Queimada 35, em finais do século XIX. Pese embora o facto de não contemplarem todos os títulos do escritor, mas apenas uma parte. Nem o papel usado pelo impressor ser de primeira qualidade.


De O Senhor do Paço de Ninães, a saborosa advertência inicial de Camilo traz uma competente e bem humorada informação sobre a palavra mulatos. Mas a edição não se fica por aí. Nas capas interiores se publicitam, de forma sugestiva e bem castiça múltiplas actividades relacionadas com livros e encadernações.


E não só...

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Curiosidades 77


Embora grande apreciador da obra de Camilo (1825-1890), curiosamente, nunca me interessei por primeiras edições ou raridades que tivessem saído da pena do autor de Amor de Perdição. Por maneirinhas, sempre achei graça e gosto às edições da Travessa da Queimada (devo ter aí uns 10 títulos...). Mas as iniciais edições da Parceria A.M.Pereira também concitam o meu agrado, até pela sua capa flexível e maleável.


Não sendo, nessa fase, integral quanto à bibliografia camiliana (compreende 80 volumes), a colecção abrange porém o que, de mais importante, o Escritor escreveu e publicou. Pelo início do século XX, a referida editora propunha também, ao leitor, um armário com estantes destinado a albergar todos os volumes da edição. Como se poderá ver na imagem publicitária do anúncio.


E o que me parece ter sido uma ideia original e pioneira nos propósitos de organização.