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sexta-feira, 1 de março de 2019

Mercearias Finas 142


A bicha, que não esta, recheada da imagem, viera do Atlântico Norte, ladeada por fresca alface da Ribeira (Mercado) e fatias de ovo cozido, e fora acompanhada de Alvarinho Deu-la-Deu, colheita de 2017, e umas tostas de pão torrado, à maneira. O recheio tinha o toque de umas pinguinhas de Fim de Século, para lhe dar um tom duriense, especioso.


Guardara-se para o magnífico Queijo de Mangualde (em duas versões: curado e babão), o vetusto Messias Garrafeira de 1985, Bairrada, que estava um primor, e nem foi preciso decantar. Com os seus 13º, envelhecera com requinte e o sabor das mais nobres colheitas. Andava por ali a Baga, mas também decerto, alguma Touriga Nacional.



Para a Merenda, fomos até Trás-os-Montes, e para não deixar sozinho, nem com sede, o presunto bem lascado e róseo, abriu-se um Valle Pradinhos de 2009, que não deixou o crédito por mãos alheios. E cumpriu. Ou não fora ele um dos primeiros, se não o primeiro vinho português, a usar o Cabernet Sauvignon no seu lote.
Honrou-se assim, dignamente, a ilustre Aniversariante que, já ao almoço, nos tinha apresentado e servido uma magnífica Mousse de Manga, de sua lavra. Que estava óptima.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Mercearias Finas 109


Ainda as bancas se compunham, porque chegámos cedo, pouco depois das 8.
As amêijoas brancas e pretas buliçosas espirravam esguichos salgados, como caladas e serenas estavam os perceves (a 23 euros o quilo) que, do róseo pedicular ao negro da unha, juncavam o tabuleiro de metal esbranquiçado. A banca mostrava ainda búzios, camarões rosados e carabineiros, caracóis, sapateiras e mexilhões, num mar pequeno de cheiros oceânicos, e domésticos entre as paredes do Mercado.
Perdoe-se às lagostas não terem vindo, nem as ostras do Sado. Mas, para matar saudades do mar, já me bastava. E o Espadeiro minhoto, no seu rubi clarinho e puríssimo, a esfriar no frigorífico, há-de esperar pelo meio da tarde, para acompanhar a sapateira e as tostas apropriadas, na merenda de amigos.