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domingo, 20 de julho de 2025

Toponímia

 

O tempo acaba quase sempre por destruir a realidade ou, ao menos, por desfazer a associação que ligou, com lógica, de início, o motivo e o local. Hoje, não há alecrim, na rua homónima de Lisboa, nem flores senão nas varandas da dita estreita artéria. Mais distante porém, e enigmático, seria como foi chamado Pote das Almas, ao que é hoje o nome limpo lisboeta de rua Nova do Almada.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Toponímia e proporção


 
Se, de uma forma geral, nas grandes metrópoles, a toponímia é escolhida com especial atenção e importância, pela província, muitas vezes, há um excesso de regionalismo de vizinhança que desequilibra o valor das evocações e a memória dos que são homenageados pelas autarquias.
As instituições e os ideais estão normalmente salvaguardados, como em Lisboa a República e a Liberdade, cada uma com a sua digna e longa avenida, mas também o lado poético, como na Travessa da Água de Flor, ao Bairro Alto, às vezes, é lembrado, ainda que de forma simples.
Ora, na região outrabandista, sempre que eu passo próximo da rua Jaime Cortesão, sinto um aperto de alma. Essa rua, pequena, terá 2 ou 3 casas, bermas descuidadas, suja, mais parece um beco. Próxima, extensa e povoada, asseada se situa a rua Petrónio Amor de Barros (espanhol?). E, como se não bastasse, logo se segue a arejada praceta homónima da mesma personagem.
O grande historiador nacional é que fica a perder, e muito, com esta "glória" regional (?), na toponímia...

domingo, 3 de maio de 2020

Afortunadamente


Às vezes, considero um milagre feliz que, por entre tanta gente ilustre e a multidão de celebridades fátuas, ao longo dos tempos, muitas delas hoje totalmente esquecidas ou já quase sem qualquer significado ou importância, algumas ruas lisboetas tenham mantido (Deus os conserve!) a beleza e o lirismo simples toponímico de alguns nomes, como, por exemplo: a rua do Alecrim, a travessa da Água Flor ou a rua da Rosa.
Muito mais do que os homens, a Natureza parece ser eterna. Até ver...

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Em nome da claridade, ou da clarificação


Sabiamente, os antigos foram equânimes a olhar os géneros, no seu tempo. Criaram, assim, a rua do Poço dos Negros e a rua das Pretas, em Lisboa.
Mas, reflectindo melhor sobre o tema, eu estou a ponderar enviar um abaixo-assinado à Câmara de Lisboa, no sentido de clarificar melhor a sua toponímia lisboeta.
Porque afinal em que ficamos: Preta (o)? Ou Negro (a)?
É que isto faz-me imensa confusão...
E já não sei que termo devo usar.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Das singularidades da toponímia


Há poucas horas, o Arpose recebeu uma visita oriunda da Toscânia (Itália), mais concretamente de um lugar que dá pelo nome de: Impruneta. Fiquei a pensar, porque achei o nome muito curioso.
Terras há, cujos nomes desencadeiam desencontradas sensações, não só de ordem cultural, mas também por impressões fonéticas e pelo arrevezado da toponímia que, às vezes, até tem lógica local. Da primeira ordem, eu destacaria, por exemplo, Trieste e Veneza.
Destas recentes vadiagens por terras portuguesas interiores, anotei algumas referências toponímicas, como o Rio Diz, na região da Guarda. O Centro Oeste parece-me, no entanto mais rico. Refira-se, por exemplo: Papagovas, A-da-Gorda ou Toxofal de Baixo. A praia da Areia Branca tem, normalmente, um nome claro e consensual, mas hoje pareceu-me muitíssimo contraditório. Com a força bruta das marés vivas, a areia estava claramente negra...

quarta-feira, 4 de março de 2015

Idiotismos 29


Os anos que eu levei até saber que o curioso toponímico Marateca (concelho de Palmela) poderia ter-se originada na simples expressão: Mar até cá...
Das cores dos cavalos, entre outras, conhecia eu, baio (crina e rabo pretos), de cor isabel (entre o branco e o amarelo). Mas quando dei pelo poema de Alberti, cantado por Ibañez (poste de 1/3/2015), estranhei o verso: "/Galopa, caballo cuatralvo/". Esclareci a dúvida num competente dicionário espanhol. Um cavalo assim, teria as quatro patas em pelagem branca. Quanto ao termo português (Quatralvo, que eu não conhecia) os 2 dicionaristas, que eu consultei, não coincidem inteiramente. Se Houaiss regista como cavalo com pintas brancas nas quatro patas, já Moraes refere: "diz-se do cavalo malhado de branco até aos joelhos". A Coudelaria de Alter, talvez melhor que os dicionaristas, pudesse resolver com rigor esta questão... 

domingo, 11 de maio de 2014

Da toponímia regional


Da Consolação (praia) há marcas e vestígios numerosos em poemas de Ruy Belo e J. M. Fernandes Jorge. De S. Bartolomeu dos Galegos ou A-da-Gorda, porque excessivamente ruanos, não conheço memórias em escritos de gente ilustre.  Em relação a Atouguia da Baleia ou Baleal, que fica perto, há referências históricas longínquas, talvez pelos cetáceos que, por esses tempos antigos, visitavam estas paragens marítimas. Mas de Paimogo, palavra e nome de terra de que eu gosto particularmente, pouco se diz. Aprecio-a, porque me lembra o trovador Pero Meogo dos cancioneiros medievais; e, se eu estiver bem disposto, não posso deixar de me recordar das lentes garrafais de Mr. Magoo. Uma coisa não vem sem a outra...
Embora, hoje, Paimogo seja, apenas ou quase só, um forte do séc. XVII, bastante derruído. E é pena.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Toponímia


"...Apesar desta fixação humana, o território de Cascais - como aliás toda a região litoral a ocidente de Lisboa - era considerada terra bravia e despovoada nos começos da nacionalidade. Coberto de matas, de carrascais e de charnecas, salientava-se apenas pela criação de aves de caça (açores), muito considerados pela sua boa qualidade e formosura, como escrevia Al-Rasí no século X, e cuja tradição remontava provavelmente a épocas mais recuadas. Foi uma dessas reservas de criação, chamadas em baixo-latim asturil (de astur, açor), que originou o nome Estoril. Ainda em meados  do século XIII se escrevia o topónimo com u (Sturil), existindo aí uma vasta herdade, doada pelo rei D. Afonso III ao seu valido, o chanceler Estêvão Eanes. ..."

A. H. de Oliveira Marques, in Novos Ensaios de História Medieval Portuguesa (Presença, 1988).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Comic Relief (60) : toponímia nacional


A pedido da maioria esmagadora dos portugueses, vai ser inaugurada, em breve.

com agradecimentos a ms.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Alguns arabismos


Do livrinho (68 páginas) "A Dominação Árabe e a Toponímia..." (Braga, 1956), de António Losa,  respigamos algumas palavras com origem árabe, iniciadas por A. Assim:
1. Açougue - inicialmente com o significado de mercado, bazar (que ainda se mantém em Espanha), passou a designar talho ou local onde se vende carne.
2. Álcacer - com o significado original de castelo ou palácio.
3. Alcaria - aldeia, lugarejo.
4. Alfanje - com o significado de: a cobra. (Existe uma localidade, em Santarém, com este nome. Jacinto Prado Coelho dá-a como possivel local de nascimento de João Xavier de Matos, poeta setecentista.)
5. Alfarela - inicialmente com o significado de olaria, em árabe.
6. Algares - caverna.
7. Algibe - poço, cisterna (Deu nome a uma localidade próxima de Braga.)
8. Alvaredo - correio ou estação de correio.
9. Atafona - moínho ou mó de moínho. (Creio que há, em Alcântara [= a ponte], uma Travessa das Atafonas.)